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IA na infância: alerta para mediação e para a terceirização do pensamento


IA na infância: alerta para mediação e para a terceirização do pensamento  - Gente de Opinião

O celular está cada vez mais presente na rotina das crianças. Com isso, pode acabar sendo visto como um brinquedo, pois seu uso é visto com mais naturalidade e frequência. Além de jogos e aplicativo de mensagens, o público infantil também está usando a inteligência artificial. Os pais têm papel fundamental na orientação sobre limites de uso e tempo. 

A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 alerta sobre a popularização da ferramenta entre crianças e adolescentes. Ela aponta que 65% dos usuários de internet, entre 9 e 17 anos, utilizam a inteligência artificial em atividades como estudos, criação de conteúdos e questões emocionais. O levantamento mostrou que 59% utilizam IA para estudar, 42% para criar conteúdo e 10% para conversar sobre problemas pessoais ou emoções. 

Portanto, os adultos devem orientar e mediar o uso da IA assim como acontece com a televisão. É importante que exista a mediação cognitiva visando estimular a criança a pensar e questionar para que se forme o senso crítico. Ajude-a a identificar quando uma informação é verdadeira e o que compreendeu sobre o tema. 

Também é necessária a mediação emocional. A inteligência artificial oferece estímulos rápidos e respostas imediatas, o que pode levar a criança a evitar esforço, frustração e persistência. 

Além disso, oriente sobre segurança digital, não enviar dados pessoais, fotos e não enxergar a IA como amiga. Muitas vezes as crianças não entendem que uma informação exposta na internet é uma informação exposta no mundo. 

O principal risco da utilização da IA é a terceirização do pensamento.  Por isso, a criança só deve ter acesso após ter tido experiências em que tentou, experimentou, se frustrou, questionou e teve autonomia. A ferramenta deve ser apresentada como apoio à pesquisa e à ampliação do conhecimento, nunca como substituta do raciocínio próprio. 

Não há consenso sobre idade mínima, mas orientações gerais indicam que crianças menores de oito anos usem tecnologia apenas para fins lúdicos, de 10 a 12 anos com supervisão, para projetos escolares. 

Quando usada de maneira criteriosa ela pode auxiliar na aprendizagem, pensamento crítico, verificação de informações, fortalece autonomia, resiliência e a capacidade de resolver problemas. Porém, ela deve ser vista como uma tecnologia auxiliar e não deve substituir o brincar, a convivência social e as interações presenciais, fundamentais para o desenvolvimento infantil.

 

* Luciana Brites é CEO do Instituto NeuroSaber, psicopedagoga, psicomotricista, mestre e doutoranda em distúrbios do desenvolvimento pelo Mackenzie, palestrante e autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem. Instituto NeuroSaber https://institutoneurosaber.com.br

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