Segunda-feira, 21 de abril de 2025 - 08h05

O MDB de Rondônia foi conduzido a uma realidade
institucional dramática, rigorosamente incompatível com a agremiação vigorosa
que comandou, por diversas oportunidades, a administração dos destinos dessa
terra. E mesmo paralelamente ao comando político, influiu decisivamente, por
sua exponencial representatividade, na construção do desenvolvimento e
consolidação de nosso estado.
O momento, porém, é de incerteza e fragilidade
institucional a que o Partido foi conduzido pela postura ambígua do atual
presidente estadual da sigla, deputado federal Lúcio Mosquini. Apesar de
declarar publicamente, por diversas ocasiões, sua intenção de deixar o partido,
Mosquini permanece no cargo, alegando que apenas oficializará sua saída durante
a janela partidária — período que permite a troca de legendas por detentores de
mandato sem perda de suas funções – prevista para abril de 2026.
Tal circunstância deixa o MDB refém das aspirações
político-eleitorais de Mosquini, que ostenta a representatividade da
presidência – com os bônus a ela inerentes - e contradiz na prática a opção
programática do comando nacional da sigla, com uma postura declaradamente
oposicionista. Como a colocar-se à disposição dos partidos de direita em busca
da melhor oferta ou oportunidade eleitoral.
Essa contradição entre discurso e prática tem obstaculado
os esforços pela reestruturação da legenda no estado. A continuidade de
Mosquini na presidência, mesmo já tendo se colocado fora do MDB, afeta
diretamente a credibilidade do processo de renovação e reorganização interna,
essencial para reposicionar o partido no cenário político rondoniense.
Além de bloquear o avanço de novas lideranças e
articulações regionais, essa indefinição prejudica sobremaneira os projetos do
senador Confúcio Moura - principal referência do MDB no estado e voz ativa no
cenário político nacional. A permanência de Mosquini à frente da direção
estadual, mesmo sem qualquer compromisso com o futuro da legenda, mina a coesão
interna e compromete o planejamento estratégico do partido para as eleições de
2026.
Diante desse cenário, o MDB de Rondônia se vê diante
de uma encruzilhada: ou promove imediatamente uma transição na liderança
estadual, com clareza e legitimidade, ou corre o risco de aprofundar seu
isolamento político e perder o protagonismo que historicamente ocupou no
estado. É este cenário que o atual presidente parece disposto a oferecer às
lideranças das siglas adversárias como moeda de troca em eventual composição
eleitoral que lhe seja favorável.
Não há, na presente manifestação, qualquer desrespeito,
malbarato ou menoscabo ao deputado federal Lúcio Mosquini que, afastado da
Presidência, pode até mesmo se beneficiar da reconsolidação das forças emedebistas,
se decidir pela permanência na legenda que o abrigou e conduziu ao cargo atual.
O que se busca é uma atitude respeitosa em relação à população rondoniense, aos
eleitores, correligionários, simpatizantes e amigos do MDB.
*José Luiz
Lenzi é Secretario Geral do MDB/RO
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