Sexta-feira, 5 de abril de 2024 - 11h58

Recentemente, o presidente Lula chamou o mercado de voraz por causa das
quedas no valor das ações da Petrobras equivalentes a aproximadamente 60
bilhões de reais. Evidentemente, tenderão a crescer novamente.
De qualquer modo, essa desvalorização da Petrobras em relação
ao mercado, deve-se à interferência política em uma empresa que tem que
concorrer com outras que, mesmo quando estatais, são empresas independentes.
É importante lembrar que a empresa petroleira estatal da
Venezuela, apesar de ser hoje a maior reserve petrolífera do mundo, está com
muitas e sérias dificuldades. Isso porque trata-se de uma empresa política, em
que as potencialidades da economia venezuelana são diretamente prejudicadas
pela interferência estatal.
Mas aqui no Brasil a interferência não foi apenas na
Petrobras. Tivemos também ingerência na Vale. Enquanto o presidente Lula
chama o mercado de voraz e diz que não tem que atendê-lo, os economistas
repetem: o mercado é que não tem que atender à política.
Na verdade, a função do mercado é trabalhar a economia
enquanto as empresas trabalham no mercado. Por essa razão, não cabe criticar
algo que no mundo inteiro ocorre através do mercado: se uma empresa brasileira
de petróleo tem que concorrer com outras empresas do mesmo ramo, é no mercado
que o faz.
Ora, se uma empresa recebe uma interferência negativa, não
para sua eficiência econômica e empresarial, mas para ser cabide de empregos
políticos daqueles que detêm o poder, é evidente que ela perde condições no
mercado. Afinal, os acionistas passam a ter medo de que essa empresa não tenha
capacidade de concorrência. Esta é a razão da perda violenta de valor que as ações
da Petrobras tiveram durante dois dias, muito embora, certamente, acionistas
assustados e economistas mostrando os caminhos, ela tenderá a se recuperar.
Mas o que quero trazer para reflexão dos
amigos leitores, é que se nós queremos dar competitividade ao Brasil, já
que temos grandes empresas com acionistas privados e governamentais/ públicos,
temos que compreender que o mundo é de competitividade. Vale dizer, se queremos
crescer, não poderemos nunca tornar uma empresa estatal cabide de empregos.
Esta é a razão pela qual, creio que o alerta de economistas e
do próprio mercado, mediante a queda violenta do valor das ações durante dois
dias, leve o presidente Lula a raciocinar um pouco. Ele pode ser presidente
político, mas não é um especialista em administração de empresas.
A esta altura, o presidente deve ter percebido que o mercado
que ele criticou é aquele onde atua a Petrobras, e ao qual ele terá que se
adaptar, se pretender que ela continue sendo uma empresa de primeiro mundo e
não uma empresa política, como é a do seu queridíssimo ditador e amigo Nicolás
Maduro, que praticamente destruiu uma empresa estatal de petróleo, mesmo tendo
a maior reserva de petróleo do mundo.
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