Domingo, 3 de maio de 2020 - 11h17

Concordo plenamente com o deputado
estadual Adelino Follador quando afirma que o projeto de lei com o qual o Poder
Executivo pretende perdoar uma dívida bilionária de uma concessionária de
energia elétrica com o Estado pode até ser legal, mas não deixa de ser imoral,
principalmente no momento difícil pelo qual vive a população de Rondônia, tendo
que enfrentar uma pandemia de dimensão mundial, onde a carência de recursos é
evidente.
Como presidente da Comissão de
Constituição, Justiça e Redação da ALE-RO, Follador já deixou claro que, se
depender dele, vai mandar a proposta do Executivo às favas, no que está coberto
de razão. O governador Marcos Rocha, por quem tenho profundo respeito e
admiração, deveria colocar a mão na consciência, mandar retirar esse projeto
vergonhoso de pauta e jogá-lo na primeira lata de lixo que encontrasse pela
frente, como sinal de respeito à população de Rondônia, que paga uma das tarifas
de energia mais caras do país e, quando atrasa quinze dias, já recebe ameaça de
corte, mesmo em tempos de pandemia.
Uma das vantagens dos regimes
abertos é a possibilidade de os dirigentes do povo ouvirem o clamor popular e
orientarem suas decisões, em grande medida, pelas vozes das ruas. E se o
governador resolver consultar as vozes das ruas descobrirá que noventa e nove
por cento da população é contra esse monstrengo, porque o que as vozes das ruas
reivindicam, sobretudo hoje, são melhores condições de atendimento na área da
saúde, o que, por si só, não justifica ao governo abrir mão de uma soma
considerável de recursos, que poderia muito bem ser aplicado no setor para
aplacar a dor e o sofrimento de milhares de rondonienses, que não podem pagar
um plano de saúde particular.
A CCJR precisa estar de prontidão
para rejeitar, refutar essa excrescência legislativa, mascarada com tintas de
generosidade, patrocinada com o suado dinheiro do contribuinte rondoniense. Em
vez de afagos, de carícias, de benevolências, o governador precisa jogar pesado
contra essa gente. O combate à exploração, à ditadura contra o povo, praticada
por segmentos empresarias, foi uma das promessas de campanha do governador
Marcos Rocha na sua marcha para o Palácio Getúlio Vargas, certo? Se esse tipo
de generosidade já era discutível, no passado, hoje constitui, sem dúvida, um
erro imperdoável. Já admirava o deputado Adelino Follador. Agora, o admiro
ainda mais. Gostaria de dizer o mesmo do governador Marcos Rocha, em quem votei
no segundo turno, mas prefiro aguardar um pouco mais, pois, como já disse
alguém, o tempo é o senhor da razão. Vai que ele decida recolher essa proposta
imoral.
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