Segunda-feira, 31 de julho de 2023 - 17h07

Tão antigo quanto a vida, o poder é o centro da disputa
natural das coisas, um valor imaterial que moveu e ainda move os seres humanos
e organismos na busca pela sobrevivência, na sobreposição de cargos, no
crescimento da individualidade e no controle sobre os outros.
O porquê de as pessoas gostarem tanto do poder está
relacionado ao fato de essa ser uma essência primitiva do ser humano, algo
intrínseco na sobrevivência, no relacionamento com outros, na busca pela
elevação de degraus em uma sociedade e na sensação de uma sobreposição sobre
outros - tanto é que alguns dizem que o poder sobe à cabeça quando o
indivíduo passa a se considerar melhor do que outro.
Em certo momento da história, durante as monarquias, a figura do rei,
enquanto chefe de estado, exercia a maior forma de poder na
sociedade, liderando os súditos e comandando tropas. Em outros tempos, os
nobres assumiram esse papel nas aristocracias. Contudo, essas formas de governo
se provaram obsoletas com o tempo, indo abaixo e dando espaço a uma forma
de poder mais democrático, que colocava o povo no centro das
decisões.
Ainda hoje, porém, mesmo se levarmos em conta apenas
a relação entre poder e política, existem locais que pregam
mais a igualdade do que outros. Por exemplo, em países nórdicos, as figuras
políticas costumam ir trabalhar de transporte público e têm contato direto com
a população, sem um distanciamento que acaba gerando uma visão de mundo
imaginária.
Os suecos veem isso como a vida política precedendo os luxos e
privilégios, em algo que chamam de Jantelagen, ou “lei de Jante”. O
nome é uma referência à cidade fictícia de Jante, retratada em um romance de
1933 do escritor escandinavo Aksel Sandemose. O livro descreve uma tradição
centenária que desencoraja a ostentação da riqueza ou do sucesso, subvertendo
as hierarquias. Em outras palavras, a mensagem é: ninguém deve se considerar
melhor do que outro.
Se pensarmos bem, perceberemos que todas as esferas sociais, muito além
da política, envolvem um senso de poder, seja no local de trabalho, no
ambiente familiar ou em outros tantos tipos de relação humana. E
agora você pergunta: o que todos esses ambientes têm em comum? Um conjunto de
pessoas tentando conviver em harmonia nesse espaço criado.
De alguns anos para cá, a informação se tornou um dos capitais mais valiosos
no mundo, onde tudo passou a estar na palma da mão com a criação dos
smartphones, dispositivos inteligentes que nos bombardeiam com conteúdo. Não à
toa, aqueles que reúnem uma maior quantidade de pessoas sob um mesmo
“guarda-chuva” podem ser considerados os mais poderosos do mundo - entre eles,
estão os detentores das maiores empresas de tecnologia e de redes sociais, que
contam com bilhões de usuários, como Elon Musk (Twitter), Mark Zuckerberg
(Facebook) e Tim Cook (Apple).
Ícones como esses citados estão imersos na disputa pelo poder, não
sossegam até conseguir aquilo que almejam - comportamento esse que foi
transportado para as redes sociais, fazendo com que as pessoas passem horas e
horas consumindo o que desejam até serem saciadas. A relação com as
redes sociais não deveria ser assim. Em um mundo ideal, existiria um equilíbrio
entre essas forças, uma forma mais saudável de uso de aplicativos e novas
tecnologias. É por isso que atualmente na sociedade estão em pauta questões
relacionadas à regulamentação das redes, para assim pensar na desaceleração do
consumo de informação e conteúdo, que acaba sendo prejudicial para a nossa
saúde mental.
A partir do momento que existir um equilíbrio dos poderes na sociedade,
com boas práticas e um convívio próspero entre as pessoas, tanto nos ambientes
públicos quantos nos artificiais criados na modernidade, atingiremos o próximo
nível do desenvolvimento humano. E é nesse próximo nível que haverá competições
saudáveis, que nos farão valorizar aquilo que conquistamos como seres humanos,
com possibilidade de existir em conjunto e cooperar livremente.
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