Terça-feira, 18 de setembro de 2012 - 16h29

David Pinto Castiel
O senhor da foto certamente é um velho conhecido da comunidade de advogados que militam no Fórum Cível desta Comarca.
Trata-se do Sr. Luiz, septuagenário, que, mesmo diante da avançada idade, desempenha a função de responsável pelo estacionamento da CAARO-RO.
Não há como não se comover com o estado degradante a que está sendo o Sr. Luiz submetido em sua atividade laboral diária.
Ele sequer tem à sua disposição uma guarita, um mínimo de conforto e segurança. Debaixo de sol escaldante (em média 39º graus), o Sr. Luiz diariamente, das 7h às 14h, está literalmente pendurado em um galho de árvore, com um guarda-sol em punho, sentando em um banco, no estacionamento do Fórum Cível.
A um só tempo, na figura do Sr. Luiz, estão sendo violados diversos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, pois seus insensíveis e - por que não dizer? – desumanos empregadores não têm o mínimo de preocupação com a preservação de sua saúde, física e mental, em absoluta afronta ao artigo 5º da Constituição Federal e, bem assim, ao Estatuto do Idoso, os quais asseguram direitos básicos do individuo, entre eles a vida, a saúde e a segurança.
O mais absurdo é que seus empregadores são conhecedores da Lei, dos Direitos e das Garantias da Pessoa Humana, em especial as normas protetoras dos Idosos.
A ação degradante a que está exposta o Sr. Luiz é intencional, causa indignação e exige imediata ação de autoridades públicas que detêm o poder de evitar e punir qualquer tipo de violência ou degradação humana nas relações de trabalho.
Fica aqui o registro de um advogado militante, indignado com o que passa e sofre diariamente o Sr. Luiz, sabedor que a velhice aguarda a todos em um amanhã bem próximo, se assim Deus nos permitir.
Não é esse o exemplo de sensibilidade, de humanidade, de respeito à pessoa humana e as leis que devemos deixar como legado a nossos filhos.
Sr. Luiz, receba minhas sinceras desculpas, pois, afinal, pertenço a uma classe que é diretamente responsável pelo mal que lhe tem causado e, nesse particular, dela me envergonho.
Minha preocupação, Sr. Luiz, só aumenta; na medida em que, com o fim do verão, o inverso se aproxima e aí sua situação só tende a piorar.
Receba minhas sinceras desculpas!
David Castiel
Advogado
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