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Dia Nacional da Consciência Negra– Invisibilidade da raça ou resgate das suas raízes históricas?


                                                                                                                             
Prof. EDilson Lobo

Neste 20 de novembro, comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. Curiosamente, dando uma verificada de passagem nas notícias diárias, percebe-se que muitas delas estão mais preocupadas com a quantidade de municípios ou estados onde a data já se constitui em feriado ou ponto facultativo, por outra, a preocupação do empresariado, principalmente ligado ao comércio, em entrar com liminares na justiça, pela inconstitucionalidade dele.

Um dia criado para que não nos esqueçamos do legado, da importância e do despertar para os graves problemas e as tentativas de aniquilamento a que foi relegado o povo negro do brasil, sintetizados na figura de Zumbi dos Palmares, converte-se em pendengas jurídicas. Perde-se a dimensão dos seus propósitos, por meras discussões econômicas. Quem mais ganha ou perde financeiramente com o fechamento do comércio.

Não quero entrar no mérito de quem tem razão nessas disputas, o que é de se lamentar é o obscurantismo que estas ações proporcionam a uma causa das mais justas, para com uma gente que foi subjugada por séculos aos maus tratos das senzalas, a viverem como entes sem alma, sem dignidade e sem liberdade.

Passado mais de um século da sua libertação, o negro pouco avançou no Brasil, do ponto de vista das suas conquistas sociais, econômicas e políticas. Continua segregado nos guetos nas favelas e nas periferias da cidade. Ainda é o salário mais baixo na pirâmide social, bem como é o que padece do maior índice de violência e de criminalidade em relação aos não negros, conforme pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Aplicada, vinculado ao governo Federal).

Essa condição de discriminação do negro, segundo essa mesma pesquisa, é consequência de um duplo processo, o econômico, condicionado pela transmissão inter-geracional de baixo capital humano, face a ausência de políticas inclusivas, reflexos das preferências elitistas do Brasil colônia que proporcionava na escola, a formação de uma  elite branca e, de outra forma, a crença inoculada de uma raça inferior, cuja ideologia sustentava a escravidão e infelizmente não se esgotou com a abolição.

Esse sistema de opressão, é a supressão de uma situação universal da existência de um povo, de uma condição mais humanizada e civilizatória. Impossível negar a história do negro brasileiro pois a sua herança está fincada nas raízes da cultura da nossa gente que através dos seus saberes contribuiu para a formação do Brasil.

Como não perder de vista essa memória e como contrapor essa situação de iniquidade para com um povo que tanto fez para a grandeza dessa Nação?

Apesar da Lei 10.639, criada em 2013que determina o ensino da cultura afro-brasileira, Sabemos muito pouco da história da África, dos nossos afrodescendentes. Não aprendemos ainda, como na cultura branca, com raríssimas exceções, reverenciar as personalidades, e os grandes nomes que se engajaram, lutaram tenazmente por um povo livre e, fizeram e fazem a história desse País.

Reconhecer a desigualdade, o quanto o negro é discriminado e ter consciência da diferença que separa o branco do negro no Brasil, é um bom começo para o resgate da sua dignidade, dos seus valores, da sua cultura, da sua existência como cidadão/ã e da sua plena liberdade.

VALEU ZUMBI!!!

 
Prof° Edilson Lobo
Do Departamento de Economia da Universidade Federal de Rondônia - UNIR
 

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