Segunda-feira, 10 de agosto de 2015 - 06h08
A última pesquisa Datafolha, do jornal Folha de S. Paulo, é trágica para o atual governo. De acordo com o levantamento, a desaprovação de Dilma Rousseff chega a 71%, indicador maior que o de Fernando Collor no período pré-impeachment, em 1992. Tendo em vista a baixa popularidade, e a fim de estancar o avanço da oposição, a presidente decidiu repensar suas estratégias. Ao lado da base aliada, a petista busca alternativas para salvar sua gestão do colapso.
Na última semana, jornais do centro do país noticiaram que a presidente movimentou a tropa de ministros para evitar o conchavo dos partidos opositores pelo seu impeachment. O objetivo é disciplinar as bancadas para que não haja votos suficientes pela queda, caso o processo seja instaurado. Procedendo assim, o Planalto reage às declarações do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que se mostrou disposto a avaliar pedidos dessa natureza.
Em reunião com governadores no Palácio da Alvorada (e dias depois, na televisão), a presidente tratou de reforçar seu posicionamento. Ela não nega a crise, mas afirma que o país está estruturado para a retomada do caminho do crescimento. Sobre os críticos que pedem sua queda, Dilma enfatizou o compromisso dos eleitos em governar até 2018 e afirmou que todos os representantes têm um patrimônio em comum: o fato de terem sido ungidos ao poder pelo voto democrático e popular.
O argumento recupera algo que a petista já havia mencionado anteriormente: ela está na presidência por vontade do povo. Tudo contrário a isso é golpe. Entretanto, a oposição tem uma carta na manga. Caso se comprove o envolvimento de Dilma no uso de dinheiro de bancos públicos para reduzir o déficit do governo em 2013 e 2014 – as fatídicas ‘pedaladas fiscais’ – vão chover pedidos de impeachment. Nesse momento, o governo torce por um julgamento “técnico” do Tribunal de Contas da União.
Honestamente, é difícil prever o que seria melhor para o futuro do Brasil. Dilma permanecendo, porém incapaz de agir diante de um Congresso opositor? O poder nas mãos do PMDB? Algum golpe jurídico para a chamada de novas eleições? No momento, o país parece não andar. Fica a mercê das discussões partidárias, enquanto o povo sofre com lentidão e inação. Pelo bem de todos nós, que os impasses se resolvam o mais rápido possível. Aguardemos os próximos episódios.
Fonte: Gabriel Bocorny Guidotti
Bacharel em Direito e estudante de Jornalismo.
Porto Alegre – RS
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