Porto Velho (RO) quinta-feira, 18 de junho de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Opinião

Encontro do Direito com a Poesia


João Baptista Herkenhoff

Acabo de lançar um novo livro, que saiu sob a chancela de GZ Editora, do Rio de Janeiro. Dei à obra este título: Encontro do Direito com a Poesia – crônicas e escritos leves. O leitor questionador pode logo perguntar. É possível o Direito encontrar-se com a Poesia? Isto não é uma contradição?

As leis estabelecem penas que devem ser aplicadas aos que praticam atos proibidos: sanções criminais ou sanções civis. O jurista, servidor da lei, procura estabelecer a ordem e impõe as penas previstas, quando necessárias. Já o poeta avista horizontes, luta por um mundo ideal, bem diferente do mundo real. Na busca do sonho, o poeta afronta a lei, sempre que a lei é empecilho aos avanços sociais.

Em muitos casos só se alcança o Direito pelo caminho da transgressão. É o que sempre se viu através da História. Os inconfidentes mineiros opuseram-se à Lei do Quinto. Graças à sua rebeldia, o Brasil conquistou a Independência.

É preciso distinguir transgressão violenta e transgressão pacífica. No Brasil de hoje, regido por uma Constituição cidadã, conforme epíteto criado por Ulisses Guimarães, não se pode aprovar a transgressão violenta. A transgressão pacífica, entretanto, deve ser exaltada e aplaudida de pé, como símbolo democrático.

Que são os movimentos de desobediência civil senão a transgressão pacífica e coletiva das leis? Foi este o caminho escolhido por Nelson Mandela, que nos legou esta lição: “O bravo não é quem não sente medo, mas quem vence esse medo.” Mandela sentiu medo em alguns momentos e situações. Mas superou o medo, afrontou o apartheid e transmitiu à posteridade um legado, que não pertence apenas aos seus concidadãos sul-africanos, mas à Humanidade inteira.

O conselho de Eduardo Couture é oportuno quando refletimos sobre o tema da transgressão pacífica das leis. Disse ele que o dever do jurista é lutar pelo Direito. Mas no dia em que encontrasse o Direito em conflito com a Justiça, lutasse pela Justiça.

A recomendação do professor quase octogenário que escreve este artigo, endereçada aos jovens rebeldes de hoje, que participam de passeatas ou atos em Vitória, no Espírito Santo e no Brasil, é a de que sejam transgressores pacíficos. Tenham sensibilidade para separar alhos de bugalhos. Não se deixem envolver por pessoas que ontem, hoje e amanhã souberam, sabem e saberão utilizar-se, hipocritamente, de bandeiras nobres para alcançar objetivos escusos.

João Baptista Herkenhoff é magistrado aposentado, Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo, palestrante pelo Brasil afora e escritor.
E-mail: [email protected]
Homepage: www.jbherkenhoff.com.br
CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2197242784380520
 

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 18 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

O silêncio oficial sobre a violência doméstica em Rondônia

O silêncio oficial sobre a violência doméstica em Rondônia

É comum, no dia 8 de março, autoridades, políticos e dirigentes públicos destacarem a trajetória individual de uma ou outra figura do gênero feminin

O empate de Cabo Verde/Espanha que abalou Atlanta

O empate de Cabo Verde/Espanha que abalou Atlanta

A Alma feminina no Coração do Futebol masculino e o Aviso a Portugal a reflectir a LusofoniaO cronómetro do Mundial de Atlanta parecia ter engolido

Um dia de cão na ferrovia!

Um dia de cão na ferrovia!

A temperatura aqui em Porto Velho durante o meio do ano sempre foi alta e dizíamos até, no caso, que o mês de agosto era o mês do desgosto, coincide

Portugal e o nevoeiro europeu

Portugal e o nevoeiro europeu

Não pergunteis quando deixarão as elites de atraiçoar a alma portuguesa: os avisos de Camões, Garrett e Vieira perderam-se no tempo e o mar ainda

Gente de Opinião Quinta-feira, 18 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)