Quinta-feira, 18 de dezembro de 2014 - 10h59
.jpg)
Professor Nazareno*
Óbvio que forasteiro é o sujeito que veio de fora. Isto muita gente sabe. E beiradeiros não são só aqueles habitantes humildes que nasceram e moram na beira de um rio qualquer. É sinônimo de gente simplória, indivíduo com pouca ou nenhuma instrução, matuto mesmo, ou seja, pessoa que se deixa roubar e não reage. Essa dicotomia está evidenciada na prática e de forma bastante clara em Rondônia. Eu, o odiado Professor Nazareno, não sou beiradeiro. Embora não me orgulhe muito disto, sou forasteiro. Nasci longe daqui e moro há mais de três décadas em Porto Velho. Residi também em Calama. Estado relativamente novo na federação nacional, Rondônia sempre foi vista pelo resto do Brasil como uma espécie de mapa da mina, um “Eldorado”, um lugar para se encher de grana e cair fora o mais rapidamente possível.
Para muitos forasteiros, enriquecer e melhorar de situação sempre foi o objetivo maior. Lugar atrasado, distante dos grandes centros e inóspito, Rondônia e sua imunda e mal cuidada capital sempre despontaram como oportunidades únicas para a ascensão de muitos profissionais, às vezes, rejeitados em seus Estados de origem. E o atrativo maior para estas infames empreitadas sempre foi a política. Dizem que Rondônia nunca teve um governador nascido nestas terras, embora se atribua a um único sujeito esta rara característica. Porto Velho, com mais de um século de existência, também nunca teve um prefeito eleito nascido no município. Sem “beiradeiros legítimos”, os destinos deste Estado e de seus 52 municípios sempre foram guiados pelos interesses dos forasteiros.
Claro que quem nasce em Rondônia não tem que ser necessariamente honesto e que quem vem de fora tem que ser ladrão ou corrupto. Em todos os cantos deste imenso Brasil há pessoas honestas e pessoas corruptas. Porém, observando-se as sacanagens e as roubalheiras que têm sido feitas em Porto Velho e em Rondônia nos últimos anos, chega-se a imaginar: será que um filho legítimo desta terra teria a coragem de roubar e fazer o que os forasteiros fazem? Você, filho natural desta capital, rondoniense nato, teria feito uma decoração natalina como esta que foi feita em Porto Velho em 2014 ou mesmo aquela ridícula de 2013? Teria coragem de roubar o dinheiro destinado à construção de obras públicas vitais ou de se envolver em maracutaias para desviar 57 milhões de reais do seu Estado? Beiradeiro só perde e empobrece, forasteiro só ganha!
Acho que um autêntico beiradeiro, mesmo que odiasse tanto este lugar, jamais faria tamanha pilantragem contra ele. Tem que ser de fora mesmo, com todo respeito a nós, forasteiros, para saquear dessa forma. Você roubaria seu pai? Roubaria sua mãe? Roubaria você mesmo? Gostaria de ver a sua capital desta maneira? Uma cidade destroçada e administrada da forma mais incompetente possível. Um Estado saqueado, explorado ao extremo. Dói muito ver a roubalheira e a impunidade campearem desse jeito. A maioria dos que roubam Rondônia e a envergonham, saqueiam-na, não é filho desta terra. Muitos são forasteiros que não a amam, mancham o seu nome, denigrem a sua imagem e corrompem as suas futuras gerações. Filhos legítimos de Rondônia! Tomem vergonha na cara! Ergam-se contra essa gente imunda e miserável. Defendam seu torrão. Se não fizerem isso, abaixem suas calças e esperem pelo pior que ele virá!
*É Professor em Porto Velho.
Sexta-feira, 19 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
O silêncio oficial sobre a violência doméstica em Rondônia
É comum, no dia 8 de março, autoridades, políticos e dirigentes públicos destacarem a trajetória individual de uma ou outra figura do gênero feminin

O empate de Cabo Verde/Espanha que abalou Atlanta
A Alma feminina no Coração do Futebol masculino e o Aviso a Portugal a reflectir a LusofoniaO cronómetro do Mundial de Atlanta parecia ter engolido

A temperatura aqui em Porto Velho durante o meio do ano sempre foi alta e dizíamos até, no caso, que o mês de agosto era o mês do desgosto, coincide

Não pergunteis quando deixarão as elites de atraiçoar a alma portuguesa: os avisos de Camões, Garrett e Vieira perderam-se no tempo e o mar ainda
Sexta-feira, 19 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)