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Imprensa é contra manifestações populares


Durante toda nossa história, nós, brasileiros, sempre fomos criticados pela apatia política e mais recentemente por não agirmos de fato. E olha que grandes exemplos de luta não faltam desde o princípio. Vem do processo do descobrimento, quando não era claro quem efetivamente era brasileiro, pois os autênticos, os indígenas, dizimados antes e até hoje não são reconhecidos nem amados como deveriam.

De três décadas para cá, as ruas foram tomadas pelas diretas-já, pelo impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello e pelos protestos de junho de 2013. Estive em todas elas.

Conhecida como o quarto poder, a imprensa se perde e se coloca contrária a todas as manifestações. Pelas diretas-já, no grande comício no Vale do Anhangabaú foi quando apareceu a rede Globo e a população não perdoou pelo atraso e gritou “o povo não é bobo, fora rede Globo”.

Houve consenso e unanimidade na campanha pelo fora Collor. Depois, alguns alegam até uma certa injustiça, já que ele foi absolvido de todas as acusações criminais e não há contestação sobre isso.

Naquela época, quase todos que defendiam o afastamento, diziam ser suficiente a falta de condições políticas, e não jurídicas. Hoje, essa defesa desapareceu.

O atual governo está com índice de aprovação igual ao de Collor nos oito dias que antecederam seu afastamento. Isso, com apenas três meses da posse. 

Faltava a gota d’água para uma insatisfação reprimida e engasgada. Ela foi especialmente a contradição imediata entre as promessas de campanha e as ações do governo, consequentemente a explosão foi parar nas ruas, pois já havia começado com o famoso panelaço.  

Aí, surgiram os defensores oficiais do governo e alguns da mídia, como em 2013, a desclassificar as manifestações de repúdio. Primeiro disseram que eram os ricos – como têm ricos neste país – depois tacharam de brancos, formados.  Como essas condições ou características fossem incompatíveis ao direito de se indignar, de opinar, de se mostrar cidadão em defesa dos seus direitos ou dos seus pares. 

Quando não são escolarizadas, são acusadas de teleguiadas. Se pobres, são acusadas de ingratidão por receberem alguma bolsa. Indignação depende da pessoa, de nenhuma forma se vincula ao que ela adquiriu ou ao seu conhecimento.

Muita gente extremamente qualificada viajou nessa maionese. O jornalista Elio Gaspari que, vez ou outra, dá suas escorregadas, no texto “O dia 12 e a memória das calçadas”, associou como fracasso o objetivo dos manifestantes e os líderes dos movimentos e, entre outros, citou Lindberg Farias, que atualmente consta na lista do procurador-geral Rodrigo Janot dentre os investigados na operação Lava-Jato.

Esqueceu-se ou foi desidioso ao deixar subentendido que os manifestantes estão em defesa de algum líder. Toda manifestação popular precisa ser organizada por alguém. Mas quem dá destaque aos líderes é a imprensa, e a mídia em geral. Isso, nem ele nem ninguém diz. Ficam num simplismo juvenil de tentar desqualificar e rotular quem se indigna a ponto de ir às ruas se manifestar.

Mesmo que fosse verdade, que não é, “um alienado na rua vale mais do que milhões de politizados no Facebook”. Esse é o meu cartaz. 
 

Pedro Cardoso da Costa

   Bacharel em direito

"Não exISTE DEMOCRACIA ONDE O VOTO É OBRIGATÓRIO"

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