Sexta-feira, 14 de setembro de 2018 - 21h15

É inacreditável! O vice de Bolsonaro propôs rasgar a constituição atual, promulgada pela Assembleia Nacional Constituinte, em 1988, depois de 20 anos de ditadura militar, por ser "muito extensa". A nova, "mais enxuta", seria escrita não por representantes eleitos pelo povo - os deputados – como sempre aconteceu quando o país saiu de ditaduras, mas por um conselho de notáveis nomeado pelo presidente. Não declinou quem seriam eles. Alexandre Frota, talvez? Roger do Ultraje a Rigor? Ou Olavo de Carvalho?
"Não precisa de Constituinte" disse Mourão em palestra no Instituto de Engenharia do Paraná. "Fazemos um conselho de notáveis e depois submetemos a plebiscito. Uma constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo".
Que horror ouvir isso de um postulante ao cargo máximo da nação. (Porque um vice pode assumir a qualquer momento). Não sei se o general não sabe o que é uma constituição democrática ou finge não saber. Ou acha que os brasileiros não sabem. O presidente da República não pode jogar uma constituição no lixo e mandar fazer outra. Numa democracia, é claro. Somente ditaduras e ditadores se comportam dessa maneira.
E submeter a plebiscito sem direito a mudanças é apenas legitimar o que já não pode ser modificado.
Ele defende sem nenhum escrúpulo, desse modo, o modelo consagrado por Getúlio em 1937.
Na madrugada de 10 de novembro daquele ano o então presidente cercou o Congresso Nacional, fechou os partidos políticos, suprimiu a constituição em vigor – redigida pela constituinte de 1934 – e a trocou por outra, escrita sob encomenda por Francisco Campos, instituindo uma ditadura. E se autonomeando ditador. Porque do jeito que estava "não conseguia governar".
Mourão não quer mudar a constituição por ser "muito extensa", como declarou, mas por ser democrática. Ele quer outra, mais parecida com a de Francisco Campos. Para fazer isso teria de fechar o Congresso, como fez Getúlio.
É a confissão mais escandalosa do propósito golpista dessa chapa composta por um ex-capitão e um ex-general. Mourão propõe o fim da Nova República. Conspira a céu aberto contra a democracia, a política, os partidos e os políticos. Tal como Getúlio em 1937.
Se a campanha de Bolsonaro – já que ele está fora de combate – não criticar o discurso de Mourão ficará subentendido que não somente o vice, mas a chapa propõe a volta do Estado Novo.
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