Porto Velho (RO) sexta-feira, 19 de junho de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Opinião

O BARBANTE QUE NOS UNE A DEUS


Por  Humberto Pinho da Silva
 

Em pleno Inverno, em serena manhã, de cerrado nevoeiro, guri, de tez bronzeada, boca larga, olhos negros como azeviche, caminhava, descalço ao longo do extenso areal. Preso à mão direita havia fino e sólido barbante de nylon, quase transparente.

Corria, vindo do Sul, leve e fresca brisa, tão suave, tão delicada, que mal lhe acariciava o jovem rosto moreno.

A espaços, o garotinho, puxava o fio, sacudindo, energicamente, a mão, imprimindo rápidos e fortes puxões, ao barbante, que vibrava, distendendo-se.

Pacatamente, sentado em banquinho de madeira, coberto a esmalte azul celeste, homem, esquelético, seco, entrado em anos, passeava a vista: ora para a cano de pesca, ora para o gurizinho.

Indiferente ao incisivo olhar do pescador, o petiz soltava sonoras risadas, que sumiam-se na densa serração, diluindo-se no sussurrante som embalador do oceano.

Atónito, surpreso com o que observava, interroga-o, intrigado:

-O que está você a fazer?! Puxando o que não se vê?!

O rapazinho, volta-se para o pescador. Fica, por momentos, pensativo. Depois, entortando ligeiramente a cabeça, diz:

- É certo que não se vê, mas eu sei que escondido no nevoeiro, está a estrela, que responde, com leve puxão, ao meu comando. - Respondeu espevitadamente a criança.

Esta curiosa história, contada por Billy Grahm, ilustra, perfeitamente a relação que o cristão deve ter para com Deus.

Como a pipa (papagaio) do caboclo, também não descortinamos o Senhor…mas sentimo-Lo, do mesmo jeito, como o gury sentia a estrela.

Ao longo das vicissitudes da vida, quem for crente - os agnósticos só têm acasos, - sente-se, muitas vezes, a Mão protetora de Deus.

Quantos problemas insolúveis, não se resolveram, a contento, por intervenção do Poderoso?

Deus conhece as nossas necessidades, antes de Lhe pedirem auxilio.

Ele sempre entrega o fio de Ariadna, para conseguirmos sair do tenebroso labirinto em que insensatamente nos metem.

O “fio” que nos une a Deus, chama-se: oração.

Como o rapazinho, que se divertia brincando com o papagaio, numa manhã de intenso nevoeiro, também nós, sabemos, mesmo sem O ver, que lá longe, em parte incerta, no Céu sem fim, está Aquele que tudo pode e tudo sabe, pronto a dar-nos o “fio” que une a nossa consciência a Ele.

Gente de OpiniãoSexta-feira, 19 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

O silêncio oficial sobre a violência doméstica em Rondônia

O silêncio oficial sobre a violência doméstica em Rondônia

É comum, no dia 8 de março, autoridades, políticos e dirigentes públicos destacarem a trajetória individual de uma ou outra figura do gênero feminin

O empate de Cabo Verde/Espanha que abalou Atlanta

O empate de Cabo Verde/Espanha que abalou Atlanta

A Alma feminina no Coração do Futebol masculino e o Aviso a Portugal a reflectir a LusofoniaO cronómetro do Mundial de Atlanta parecia ter engolido

Um dia de cão na ferrovia!

Um dia de cão na ferrovia!

A temperatura aqui em Porto Velho durante o meio do ano sempre foi alta e dizíamos até, no caso, que o mês de agosto era o mês do desgosto, coincide

Portugal e o nevoeiro europeu

Portugal e o nevoeiro europeu

Não pergunteis quando deixarão as elites de atraiçoar a alma portuguesa: os avisos de Camões, Garrett e Vieira perderam-se no tempo e o mar ainda

Gente de Opinião Sexta-feira, 19 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)