Quarta-feira, 11 de março de 2015 - 14h30

*Bandeira Filho
O Brasil vive uma crise aguda de valores, de ética, de princípios, de ideologia. Crises que se espalham pela economia, pela política, pela cultura pela religião. Esses colapsos de valores são denominados “crises da modernidade”. Num tempo não muito distante, tínhamos instituições privadas comprometidas com o desenvolvimento dos ideais republicanos.
A Ordem dos Advogados do Brasil, que ao longo da sua existência vinha confirmando sua vocação pela vigilância guardiã do Estado democrático de direito, se perdeu no tempo. A advocacia era vista pela sociedade brasileira como atividade jurídica exercida pelos guardiões das liberdades humanitárias, políticas e filosóficas, visando à manutenção e aplicação da ordem jurídica aos casos concretos em sociedade, pugnando pelo Estado Democrático de Direito.
Tivemos um retrocesso com os novos dirigentes que, alinhados aos interesses partidários e pessoais, abandonam as justas aspirações da nação brasileira e fecham os olhos a corrupção, a indignidade, a arbitrariedade, a hipocrisia. A história nos deu grandes nomes na advocacia, com participação efetiva dos advogados nas lutas pelo restabelecimento do regime democrático, pelo respeito às garantias individuais e aos direitos humanos; a luta pelas diretas já, a participação na Constituição Cidadã, o impeachment de Fernando Collor e, mais recentemente, o Movimento pela Ética na Política e pela aprovação da Ficha Limpa.
O que nos restou?
Uma OAB atrelada aos interesses palacianos, que arrasta consigo todas as Seccionais Estaduais que hoje seguem as diretrizes emanadas do Conselho Federal. O Brasil inteiro se indigna, ante os maiores escândalos de corrupção do mundo, mas não se vê uma mísera nota de repúdio da nossa outrora aguerrida Ordem. O silêncio do Conselho Federal é extremamente conveniente a quem tenta fazer do cargo trampolim para uma vaga de ministro no Supremo Tribunal Federal. Será esse o óbolo da viúva? Por que lutar? Por quem lutar?
Tudo isso nos remete ao filósofo Max Weber, que pondera: “pode se viver para a política ou pode viver-se da política”. Sem querer ser maniqueísta, penso que esta dualidade demonstra que quem vive para a política, transforma, se completa, se realiza, dá significação a sua vida. Já quem vive da política tem seu nome no mensalão, no ‘petrolão’, tem dinheiro na cueca e nenhuma vergonha na cara.
A quem apelar?
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