Domingo, 3 de junho de 2012 - 19h03
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Diogo Tobias Filho*
A ação do governo de Rondônia nas políticas públicas para a educação em resposta aos desafios exigidos pela sociedade, vem se caracterizando pela enrolação, lentidão e ineficácia. É a “pedagogia da pobreza”, sobretudo pela desfaçatez da politicalha local em lograr inutilmente buscar resultados significativos no ensino-aprendizagem a baixo custo. Isto porque, o dinheiro despejado pelo contribuinte à espera de investimentos não circula efetivamente na sala de aula.
Rondônia perdeu nas últimas décadas um naco considerável de bons docentes que migraram para outras esferas onde o salário é substancialmente maior. Aliás, qualquer emprego em poderes como Legislativo e Judiciário é sempre mais atrativo do que ser professor da rede publica estadual ou municipal. Se as condições de trabalho passam distante da qualidade desejada, para a educação básica, além da infraestrutura deficitária, a pedagogia da pobreza não oferece suportes tecnológicos para a produção de conhecimento e formação científica aos alunos.
Esta ausência de perspectiva profissional afasta do magistério a juventude que, desde as universidades, poderia incorporar-se às novas gerações de professores. A Seduc, por seu turno, é pífia ao manter durante vários governos, uma gambiarra docente funcionando aos trancos e barrancos, seja lá com quem se dispuser a fazer bico na sala de aula. E nada aponta para mudanças auspiciosas, posto que, o atual governo não quer abrir os cofres pra regar um pouco mais de dinheiro para o bolso dos trabalhadores.
Mas quando começou a ser implantada a “pedagogia da pobreza” em Rondônia? Diria eu, recordando os sucessivos governos passados, melancólicos e desastrosos, que tudo se iniciou, para o meu dissabor, com a democracia. Isso mesmo. Pasmem, mas quando assumiu o primeiro governador eleito pelo voto direto, o já esquecido Jerônimo Santana, a coisa degringolou de vez. O atraso nos salários foi o carro-chefe para que em pouco tempo recrudescesse a saudade do Coronel Jorge Teixeira.
Em seguida, a educação pegou outro fracote: Oswaldo Pianna, governo tão ruim que sequer conseguiu cumprir o aumento concedido aos professores ao apagar das luzes do seu moribundo governo, isto porque, vivíamos até então, assolados pela inflação que corroía o poder de compra dos salários, que à época, começava trilhar o caminho irreversível da pobreza.
Valdir Raupp encenou alguma melhoria financeira para os trabalhadores, entretanto, o atraso na folha de pagamento, o abandono das escolas que nada avançaram em sua infraestrutura, e os escândalos de corrupção, nunca devidamente esclarecidos, macularam o governo do PMDB. José Bianco em nada diminuiu a pedagogia da pobreza, ao contrário, protagonizou o ato infame das demissões sumárias. Para finalizar o calvário da educação faltava apenas uma carrasco e ele surgiu dos cafundós de Rolim de Moura. Ivo Cassol transformou a festa da democracia em oito anos de pesadelos para o funcionalismo. Encarnou com sua arrogância injustificada, pois sequer possuía know how pra discutir educação com uma professora primária o gerenciamento de um Estado infestado por áulicos devidamente recompensados com generosas nomeações para cargos comissionados. A política educacional ficou relegada ao saco de maldades dos seus auxiliares.
Por falta de opção, apareceu o médico Confúcio Moura, conversa maneira, propondo mudanças significativas para educação, enfim, estava na cara que tudo não passava de enrolação. Em Ariquemes, nada de excepcional tinha implantado na educação municipal que lhe valesse sequer alguma menção honrosa. Do início pífio ao atual quadro de desânimo, o governador ainda colocou para reger sua desafinada orquestra da SEDUC, um colunista social de Vilhena. Fala sério!
A “pedagogia da pobreza” na educação rondoniana é um problema estrutural, crônico e ad eternum. Produzido historicamente pela retirada da responsabilidade do Estado na manutenção da educação pública de qualidade e na formação de seus educadores da era pós-Teixeirão, tornou-se condição sine qua non para que tudo mude desde que continue da forma em que está.
*O autor é ex-professor de filosofia
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