Segunda-feira, 10 de dezembro de 2018 - 20h14

Uma coisa que sempre me intriga é o
grau de sapiência dos gestores do Poder Judiciário, dos órgãos fiscalizadores e
dos auxiliares.
Você já viu em algum lugar que o juiz
diretor do fórum tal, de tal comarca, ou presidente do tribunal de justiça de
tal estado, ou o presidente do STJ, STM, TSE, TST, STF ou advogado geral da
União, procuradores geral de justiça, também da União ou dos estados, tivessem
as contas de suas gestões reprovadas?
Ouviu falar que alguém nesse meio foi
afastado de suas funções, tivessem direitos suspensos, reparassem o dano,
fossem presos?
Se for caçar mesmo, talvez ache um
caso ou outro, escondidinho. E olhe lá!
Somente nos tribunais de contas e
assembleias legislativas pipocam, aqui e acolá, um caso ou outro, como ocorre
atualmente no Rio de Janeiro e como já aconteceu aqui, em Rondônia, com
autoridades presas.
Na maioria absoluta dos casos Brasil
a fora, estas castas de gestores especiais têm suas contas aprovadas apesar da
inexperiência por nunca terem administrado nada. E nem terem formação para tal
habilidade.
Os gestores judiciários e dos
tribunais de contas são, na absoluta maioria, advogados que não tiveram na
grade curricular de suas formações, uma aula sequer sobre gestão pública ou
privada. Entretanto, não se ver suas contas reprovadas nem censuradas pelos
órgãos de controle. Eles acertam todas.
Não têm uma diária fora do lugar, uma compra acima do preço, uma licitação
duvidosa, uma nomeação inadequada ou cruzada, um mínimo desvio fora da curva do
rio. Tudo certo, reto. Entretanto, eles compram, contratam, nomeiam, constroem,
licitam, pagam, respondem por orçamentos milionários, bilionários.
Por que não revelam esse 'saber', essa 'sapiência' toda para os pobres mortais
que administram contas de prefeituras, secretarias, órgãos e entidades
públicas? Pessoas que, na grande maioria, acabam responsabilizadas, 'enroladas'
em armadilhas processuais que desconhecem e que lhes tira direitos e até a
liberdade?
Conheço ex-prefeito ‘tirado’ da vida
pública por 8 anos pelo crime de imprimir, nos papeis da prefeitura, uma imagem
usada em sua campanha. Ele não sabia que era um crime, não foi alertado e nem
recebeu a ‘sapiente’ instrução dos deuses. Cidadão simples, perdeu o pouco que
tinha e encerrou, precocemente, uma carreira política que poderia continuar
gerando frutos para a sociedade. Não é uma judiação?
Que tal então ensinar o 'pulo do
gato', dividir o pão, para que os gestores mais ignorantes não caiam nas
armadilhas que às vezes são preparadas por servidores adversos e
mal-intencionados?
A exceção da cadeia, claro, ficará
para os que ingressam na vida pública, em qualquer dos poderes, com o objetivo
de levar para casa além do valor do contracheque. Esses, infelizmente, são
muitos. Para eles, a lei com todo o seu rigor.
Talvez, com essa solidariedade dos
que sabem mais, comecemos a construir um Brasil melhor, mais justo.
OsmarSilva – Jornalista – Presidente
da Associação da Imprensa de Rondônia-AIRON – [email protected]
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