Porto Velho (RO) sexta-feira, 19 de junho de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Opinião

Paz no cemitério?


Gente de Opinião

"Parece que a economia brasileira está voltando à normalidade. Aos poucos o país está encontrando seu ritmo. O que não era normal era ver o país com inflação elevada, com o país em recessão, e o desemprego aumentando.”

Assim reagiu o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, quando soube, em Washington, na sexta-feira 7, que a inflação brasileira em setembro, medida pelo IPCA, havia ficado em 0,08% – abaixo das estimativas de mercado e abrindo espaço para reduções na taxa de juros.

No entanto, de tudo aquilo que “não era normal”, segundo Meirelles, apenas um objetivo foi alcançado, uma vez que o Brasil continua em recessão – que se aprofunda – e o desemprego não para de crescer, em todas as regiões do País. Aliás, é justamente essa pasmaceira econômica que explica a inflação baixa. Como já não há mais demanda na economia brasileira, os preços pararam de subir, num contexto de “paz no cemitério”.

O problema é que, até agora, nada se fez de concreto para enfrentar os problemas mais graves da economia brasileira, que são a retração da indústria e o desemprego. Em agosto, quando Meirelles já bradava a “volta da confiança”, a produção industrial caiu 3,8% no Brasil. Foi a queda mais intensa desde janeiro de 2012, que atingiu 21 dos 24 setores pesquisados e foi a 30.ª retração seguida na comparação com os dados do mesmo mês do ano anterior.

Diante desse cenário, o único remédio proposto pelo governo brasileiro é o congelamento de gastos públicos por 20 anos – uma medida polêmica que amarra as iniciativas não apenas deste governo, mas das quatro próximas gestões presidenciais e também não contribui para estimular a demanda interna.

Nesse ambiente de destruição completa, não é de estranhar que 20 estados da federação, o que inclui praticamente todos das regiões Norte e Nordeste, já estejam atrasando salários. No governo Temer, houve socorros federais apenas para Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro – e este, segundo consta, já estaria pedindo novos recursos, cerca de R$ 14 bilhões, antes de uma intervenção federal que parece ser inevitável.

Aos poucos, o Brasil caminha para uma situação de falência total, em que vários estados decretarão calamidade pública. Foi esse o resultado de uma crise política iniciada no dia em que a presidente Dilma Rousseff foi reeleita e passou a ser sabotada por todas as forças interessadas no seu impeachment. Aos vencedores, o caos.

(artigo originalmente publicado na revista Nordeste)

Gente de OpiniãoSexta-feira, 19 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

A qualidade da assistência médica do Ipam continua deixando a desejar

A qualidade da assistência médica do Ipam continua deixando a desejar

A carência de médicos ginecologistas, entre outras especialidades, credenciados ao Ipam (Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Públi

O silêncio oficial sobre a violência doméstica em Rondônia

O silêncio oficial sobre a violência doméstica em Rondônia

É comum, no dia 8 de março, autoridades, políticos e dirigentes públicos destacarem a trajetória individual de uma ou outra figura do gênero feminin

O empate de Cabo Verde/Espanha que abalou Atlanta

O empate de Cabo Verde/Espanha que abalou Atlanta

A Alma feminina no Coração do Futebol masculino e o Aviso a Portugal a reflectir a LusofoniaO cronómetro do Mundial de Atlanta parecia ter engolido

Um dia de cão na ferrovia!

Um dia de cão na ferrovia!

A temperatura aqui em Porto Velho durante o meio do ano sempre foi alta e dizíamos até, no caso, que o mês de agosto era o mês do desgosto, coincide

Gente de Opinião Sexta-feira, 19 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)