Terça-feira, 31 de outubro de 2017 - 07h25

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço
Reparem o que aconteceu nos últimos dias, depois que passaram a apresentar a pesquisa Ibope como “Lula e Jair Bolsonaro vão disputar 2° turno”.
Os demais candidatos praticamente desapareceram do noticiário.
Lula, ao contrário, precisa ser “desaparecido”, como fazem com as imagens de sua caravana, como esta, ontem à noite, em Belo Horizonte.
A estratégia da “marquetagem jornalística” para não dizer, simplesmente, que Lula é o favorito na disputa presidencial acaba antecipando um “2° turno” na cabeça do eleitor, inclusive e principalmente naqueles que, mesmo com restrições a Lula, passam a admitir votar nele diante da brutalidade bolsonarista.
Ajudam, assim, a atenuar a rejeição que eles próprios construíram com seus três anos de bombardeio pesado.
Pode, sim, produzir o mesmo efeito na cabeça dos que desenvolveram ódio ao petista, levando alguma água ao quase indeglutível Bolsonaro, candidato do partido…qual mesmo?
O resultado é um estreitamento do espaço de outras candidaturas. E, portanto, reduzindo o “bolo” que vai se somar ao segundo colocado para – com os números de hoje, tentar somar mais votos que Lula e levar a uma segunda rodada eleitoral.
Ou alguém tem dúvida de que Bolsonaro constituiu-se numa barreira à expansão de João Doria? Ou que funciona também como uma rolha a bloquear a intenção da invenção Luciano Huck? Ou que mesmo para o desanimado Alckmin tira votos – sobretudo em São Paulo – que sempre pertenceram aos tucanos sempre que eles conseguiram abarcar a direita sob suas asas?
Aí está a razão pela qual Lula não radicalizará sua campanha.Radicalizam por ele, construindo contra ele uma “solução” que, ou será judicial ou será com um candidato policialesco.
Repulsiva, portanto, aos sentimentos democráticos que sobrevivem na maioria da população.
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