Segunda-feira, 11 de agosto de 2014 - 08h01
Professor Nazareno*
Já ouvi dizer muitas vezes que o brasileiro de um modo geral não sabe se vestir. No entanto, não se tem a certeza de que isto seja verdade ou é apenas fofoca espalhada pelas redes de lojas e grifes tentando conquistar novos clientes para seus produtos. O fato é que basta dar uma olhada nas ruas do país para se observar a veracidade desta triste realidade. Em Porto Velho, por exemplo, constata-se um verdadeiro festival brega, cafona e de péssimo gosto quando o assunto é seguir as tendências de estilo e se vestir bem. Diferente de Milão, a capital mundial da moda, ou de outra cidade qualquer do mundo civilizado, muita gente desta capital se esmera em se vestir como “Jeca”, ou seja, de forma totalmente desajeitada. E isto infelizmente não está restrito apenas a nós, os homens, mas principalmente às mulheres, que parece não conhecerem o bom gosto.
Uma pena, pois algumas das senhoras daqui são até bonitas e charmosas e se tivessem a oportunidade e o bom senso de se vestirem e se trajarem bem aumentariam consideravelmente sua beleza. Mas mesmo que quisessem, não poderiam fazer isso, já que em Porto Velho não existe uma única loja de reconhecimento internacional que acompanhe as tendências do que acontece nos principais salões do Brasil e do mundo. Inegável reconhecer que grandes marcas de grifes mundiais como Louis Vuitton, Dolce & Gabbana, Yves Saint-Laurent, Christian Dior, Chanel, Gucci dentre inúmeras outras conseguem fazer o incrível milagre de transformar reconhecidos “dragões” em pessoas minimamente produzidas para serem vistas e admiradas. Por isso, a Rua 25 de Março em São Paulo e Guayaramerin na Bolívia são os destinos certos das nossas madames.
Outro dia fui a uma recepção noturna aqui mesmo em Porto Velho e fiquei horrorizado com tanta mediocridade e tanta falta de bom gosto da mulherada ali presente. Parecia uma festa à fantasia. Vi muitas damas até bonitas, mas que estavam impecavelmente feias e desajeitadas. Bolsas, sapatos e colares “fakes” davam o tom àquele desfile patético. Tudo produto “Ching Ling” feito na China e em Hong Kong. Até os perfumes usados eram de mau gosto. Uma fragrância insossa de cobra choca empestava o ar daquele ambiente brega e cafona. E com certeza não se via ali uma única peça original. Até as jovens portovelhenses geralmente também se vestem mal e muitas delas dão graças a Deus por terem que usar as surradas e feias fardas escolares, pois se parecendo com aqueles horríveis vasos chineses todas elas ficam pobres e iguais.
O descompasso com a moda por aqui é tanto que muitas cidades do sul do país estão a dois ou três anos de distância de nós. Se a comparação for com uma cidade da Europa ou dos Estados Unidos, aí essa distância será de anos-luz. Até marcas nacionais do Centro-Sul do país costumam mandar para cá suas “pontas de estoques” para serem aproveitadas. E quando raramente faz um friozinho por estas bandas, algo como 27 ou 28 graus Celsius, o desfile de horrores pelas ruas se intensifica. Cheiro de mofo, barata e naftalina dá o tom aos transeuntes. E como eu sempre tive bom gosto e costumo me vestir bem, entendo que esta arte é para poucos. É estranho Porto Velho não ser o paraíso dos brechós. Com tanta cafonice, vulgaridade e gosto “démodé” para se vestir e tudo isto aliado à falta de grandes marcas mundiais da moda e do lazer, essas lojas se dariam muito bem por aqui. Aliás, maninha! Com que roupa você vai à festa hoje?
*É Professor em Porto Velho.
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