Terça-feira, 25 de maio de 2021 - 21h58

Vivêssemos sob a égide
do autoritarismo, o nepotismo, o clientelismo, o afilhadismo, a criação de
cargos inúteis, que só servem para inchar as folhas de pagamento de poderes,
órgãos e instituições da administração pública, nas mais diferentes esferas de
governo, em flagrante desrespeito à Constituição Federal e aos princípios
morais que deveriam nortear os negócios do Estado, jamais chegariam ao
conhecimento da população. No máximo,
seriam ouvidos rumores, atribuídos logo a seguir a maledicência humana ou, como
é hábito dos beneficiários de ilegalidades apontar, ao despeito e à inveja dos
que não têm padrinhos.
De tempos a este, porém,
o contribuinte brasileiro, principalmente o de Rondônia, passou a conhecer os
absurdos e abusos que alguns administradores da coisa pública fazem dos
impostos, desviando-os dos fins a que legítima e constitucionalmente se destinam.
Por isso, não me canso de destacar o esforço do Ministério Público de Rondônia
e do Tribunal de Contas do Estado no combate a essas e outras condutas
delituosas, enquanto servidores efetivos veem seus direitos, conquistados a
duras penas, sendo postergados.
Não se tem dúvida de que
um dos males que corrói as estranhas do paciente chamado serviço público reside
no inchaço quase teratológico das folhas de pagamento. Autoridades e dirigentes
públicos preferem premiar a incompetência com dinheiro do contribuinte, desviando-o
de suas funções, quando nomeiam para postos de mando pessoas completamente
despreparadas. São cada vez mais visíveis os exemplos de gente que entrou pela
porta de trás da administração pública, acobertado pelo manto do apadrinhamento,
mas também há muita gente que, apesar de não pertencer aos quadros efetivos,
muito tem contribuindo para o bom funcionamento da máquina oficial, com
competência, profissionalismo e retidão. Eis aí uma das vantagens da
democracia.
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