Quinta-feira, 7 de dezembro de 2017 - 15h23
Reuters - As chances de votação da reforma da Previdência na próxima semana estão menores, disse à Reuters uma liderança governista, devido a resistências de partidos aliados como o PRB, o PR e o PSD.
"A data enfraqueceu", admitiu a liderança, que pediu para não ser identificada, citando dificuldades em reverter votos contrários à reforma nas três siglas.
A declaração se contrapõe ao clima de otimismo adotado por representantes da base após um café da manhã no Palácio da Alvorada com o presidente Michel Temer na véspera.
Em novo encontro na quarta-feira à noite, Temer fez um apelo às lideranças partidárias para garantir o apoio para a reforma, segundo relatos de participantes.
Nesta manhã, as avaliações da situação da reforma divergiam. Se a primeira liderança usou a expressão "enfraqueceu" para as chances de se votar na próxima semana, outro parlamentar da base aliada ouvido pela Reuters fez uma avaliação mais pessimista, dizendo ter certeza que a proposta não deve ser votada neste ano.
Em uma posição mais moderada, outra liderança reconheceu que a proposta ainda não tem os votos necessários, mas não descartou uma votação ainda neste ano.
Mais cedo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a reforma não conta, no momento, com os votos necessários para ser aprovada. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), a medida precisa dos votos favoráveis de ao menos 308 dos 513 deputados em dois turnos de votação.
Mas o presidente da Câmara afirmou que vai seguir trabalhando pela reforma, considerando um prazo de até 10 dias para se "criar as condições" para colocá-la em votação. Ele tem dito que só pautará a proposta quando houver votos suficientes para aprová-la.
"Eu tenho certeza que se nós tivéssemos mais quatro semanas, eu não tenho dúvida que a reforma da Previdência estaria com certeza aprovada. Mas nós não temos. Nós temos no máximo uma semana, dez dias e nós vamos trabalhar com esse prazo para criar as condições", disse Maia a jornalistas. "Agora, sempre de forma realista."
Em outro momento, o presidente da Câmara disse não ter informação de que não há condições para votar a reforma semana que vem.
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