Segunda-feira, 10 de novembro de 2025 - 13h50

A
atuação do Ministério Público Federal (MPF) em Rondônia impediu que dezenas de
famílias fossem removidas de uma área de 39,6 mil hectares, no município de
Ariquemes (RO), em razão de uma ação de reintegração de posse proposta por
particulares. A partir das diligências conduzidas pela Procuradoria Regional
dos Direitos do Cidadão, o estado de Rondônia reconheceu que o imóvel,
conhecido como Terra Devoluta (TD) Ubirajara, é de domínio público, revertendo
entendimento anterior de que se tratava de propriedade privada.
Com o reconhecimento da
titularidade pública, o estado requereu à Justiça Federal o seu ingresso como
parte interessada no processo e solicitou a suspensão de qualquer medida de
reintegração de posse, o que protegeu cerca de 65 famílias — mais de 200
pessoas — que vivem há mais de 15 anos na área. O estado de Rondônia também
assumiu o compromisso de adotar todas as medidas administrativas e judiciais
necessárias para assegurar o domínio público e promover a regularização
fundiária da região.
As apurações conduzidas pelo
MPF demonstraram que as matrículas fundiárias que originaram o registro do TD
Ubirajara foram criadas a partir de títulos provisórios expedidos
irregularmente pelo estado de Mato Grosso, sem correspondência com as
coordenadas originais e sem qualquer processo de destaque válido do patrimônio
público.
Após as diligências, a
Secretaria de Estado do Patrimônio e Regularização Fundiária (Sepat) instaurou
processo administrativo para promover a arrecadação e a discriminação da área,
com a possibilidade de cancelamento das matrículas imobiliárias irregulares.
De acordo com estimativas
baseadas em valores de referência do Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária (Incra), o valor da terra nua na área é de aproximadamente R$
112 milhões, podendo chegar a R$ 300 milhões conforme parâmetros de mercado. A
atuação do MPF, além de resguardar o patrimônio público estadual, impediu a
retirada forçada de dezenas de famílias e garantiu a permanência pacífica de
comunidades tradicionais que sobrevivem da agricultura de subsistência na
região.
O MPF continuará acompanhando o
caso junto ao estado de Rondônia e ao Incra, com o objetivo de assegurar a
conclusão dos procedimentos de regularização fundiária e a destinação social
das terras públicas, garantindo segurança jurídica às famílias e a defesa
efetiva do patrimônio coletivo.
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