Terça-feira, 28 de abril de 2026 - 11h27

O Ministério Público
de Rondônia (MPRO) ajuizou, na quarta-feira (22/4), em Cacoal, uma Ação Civil
Pública contra o Estado de Rondônia para ampliar leitos clínicos nos hospitais
da rede estadual, após identificar a permanência de pacientes clinicamente
estáveis em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) por falta de vagas em
enfermarias. A medida busca liberar as UTIs para casos graves, reduzir riscos à
saúde e garantir melhor uso da estrutura hospitalar.
A iniciativa partiu da 3ª Promotoria de Justiça de Cacoal, por meio do
promotor de Justiça Marcos Ranulfo Ferreira, após acompanhamento contínuo da
política pública de saúde na região. O MPRO constatou que a escassez de leitos
clínicos impede a transferência de pacientes que já receberam alta médica da
UTI, o que mantém vagas ocupadas de forma indevida.
Falta de leitos clínicos
O MPRO apurou que hospitais sob gestão estadual enfrentam carência de
leitos clínicos. Com isso, pacientes que não precisam mais de cuidados
intensivos permanecem em UTIs. Esse cenário restringe o acesso de pessoas em
estado grave, que dependem desse tipo de atendimento.
Impacto na rede de saúde
Segundo os dados reunidos, a permanência indevida em UTI ocorre por
dias. Em alguns casos, pacientes aguardaram mais de 24 horas por uma vaga em
enfermaria. Esse fluxo irregular aumenta a pressão sobre a rede hospitalar e
pode atrasar atendimentos urgentes. Além do risco assistencial, a situação eleva
os custos do sistema de saúde, uma vez que a UTI exige mais recursos humanos e
equipamentos do que os leitos clínicos.
Providências solicitadas
Na ação, o MPRO pede que o Estado adote medidas imediatas para ampliar a
oferta de leitos clínicos, especialmente no Hospital Regional de Cacoal (HRC) e
no Hospital de Urgência e Emergência Regional (Heuro). O objetivo é permitir a
transferência rápida de pacientes estáveis e restabelecer a função correta das
UTIs.
O Ministério Público também solicita que o Estado informe, de forma
periódica, dados sobre ocupação de leitos e tempo de espera, para acompanhar a
efetividade das medidas. A atuação busca assegurar o acesso adequado ao
atendimento hospitalar e a organização do serviço público de saúde.
Em caso de descumprimento das obrigações impostas, poderá ser cobrada
multa diária como meio coercitivo necessário à efetividade da tutela
jurisdicional.
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