Terça-feira, 12 de maio de 2026 - 09h40

Instituições públicas se reuniram nesta semana em um encontro dedicado à
reflexão sobre os mais de 30 anos de dois dos episódios mais emblemáticos da
violência no campo no Brasil: os massacres de Corumbiara (RO) e Eldorado dos
Carajás (PA). O debate busca avaliar avanços, desafios e permanências na luta
pela terra e na garantia de direitos no meio rural, com forte participação do
Ministério Público Federal (MPF).
Durante o evento, o procurador Raphael Bevilaqua destacou a importância
da memória histórica como eixo fundamental para o enfrentamento das
desigualdades no campo. “É importante e fundamental o direito à memória e à
verdade, e o direito à verdade reforça a luta pela reforma agrária. Há 30 anos
dois massacres muito cruéis e perversos mostraram que essa luta estava muito
longe de estar vencida. Sempre que relembramos esse fato descobrimos o que
precisa ser feito mas também que houve avanço. Em Rondônia temos um grande
número de terras públicas, então queremos fixar o homem no campo e garantir o
direito ao trabalho, moradia e alimentação adequada. Com a união de todos,
especialmente com os movimentos sociais chegando próximo ao Ministério Público
Federal, nós temos como ter uma vitória final”, afirmou.
A reunião pública foi realizada no auditório do Ministério Público do
Trabalho (MPT) e reuniu representantes da Defensoria Pública da União (DPU),
Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Estado de Rondônia
(MPRO), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e
Defensoria Pública do Estado de Rondônia (DPE-RO), entre outras instituições.
O procurador-chefe do MPT, Lucas Brum, também reforçou a necessidade de
articulação institucional na defesa de direitos no campo. “Nós do Ministério
Público do Trabalho, junto ao MPF, estamos neste evento que busca trazer não só
a recordação de uma tragédia, mas reafirmar que precisamos trabalhar com temas
de afirmação de direitos humanos, entender a reforma agrária e perceber a
redistribuição de terras e, claro, reafirmar que a valorização do trabalhador
deve vir em primeiro lugar”, disse.
O encontro tem como objetivo revisitar os marcos históricos dos conflitos
agrários no país, refletir sobre a persistência de violações de direitos no
meio rural e promover um espaço de diálogo entre poder público e sociedade
civil. A pauta inclui reforma agrária, violência no campo, direitos de povos
indígenas e comunidades tradicionais, além de estratégias institucionais de
prevenção a novos conflitos.
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