Quinta-feira, 4 de junho de 2026 - 08h31

O Ministério Público de Rondônia (MPRO) apresentou denúncia contra um homem
acusado de matar a enfermeira indígena Gleicia Arikapu, na Aldeia Arikapu, zona
rural de São Miguel do Guaporé. A denúncia também inclui outras duas pessoas,
apontadas como responsáveis por auxiliar o acusado após o crime. O documento
foi assinado pelo promotor de Justiça Rodrigo Nicoletti.
Segundo a denúncia, Gleicia foi morta com um disparo de arma de fogo na
tarde do dia 2 de maio de 2026. O acusado, também indígena, D. T. M, teria
atingido a vítima no rosto com um tiro efetuado a curta distância dentro da
residência do casal.
Histórico de violência
De acordo com a investigação, conduzida pela Polícia Civil, ambos
mantinham união estável havia cerca de um ano. A apuração aponta que a vítima
já demonstrava intenção de encerrar o relacionamento, situação que não era
aceita pelo denunciado.
O Ministério Público relata ainda que, entre janeiro e maio deste ano, o
acusado teria ameaçado Gleicia de morte utilizando uma faca, em contexto de
violência doméstica e familiar contra a mulher.
Qualificadoras do crime
Na denúncia, o MPRO sustenta feminicídio, com as qualificadoras de que o
homicídio foi praticado por motivo torpe, relacionado ao inconformismo do
acusado com o fim da relação. Também aponta que a vítima foi surpreendida pelo
disparo, sem possibilidade de defesa. Além disso, o crime teria ocorrido em
contexto de violência doméstica e familiar.
A denúncia destaca que Gleicia deixou um filho adolescente de 16 anos,
que foi a primeira pessoa a encontrá-la após o crime.
Acusação
O MPRO denunciou ainda outros dois indígenas. Conforme a investigação,
após o crime, o acusado teria procurado os dois na base da Fundação Nacional
dos Povos Indígenas (Funai). A acusação aponta que eles receberam a arma
utilizada no homicídio e ajudaram a ocultá-la em uma área de floresta, com o
objetivo de dificultar a ação da Justiça.
Crimes denunciados
O MPRO denunciou o acusado ainda por posse irregular de arma de fogo e
ameaça praticada contra a vítima. Já os outros dois envolvidos foram
denunciados por prestar auxílio ao autor do crime após os fatos.
O Ministério Público também requereu a fixação de indenização mínima em
favor dos familiares da vítima.
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