Quarta-feira, 8 de abril de 2026 - 14h50

O Ministério Público
de Rondônia (MPRO) realizou nesta quarta-feira (8/4) uma reunião
interinstitucional para discutir a recomposição do efetivo no sistema prisional
estadual. O encontro ocorreu na sede da instituição em Porto Velho e apontou a
realização de concurso público como uma das medidas para enfrentar o déficit de
servidores.
A iniciativa integra
um Procedimento Administrativo de Acompanhamento de Instituições, que visa acompanhar
e estimular a adoção de providências pelo Estado para reforçar o quadro de
policiais penais e de equipes multidisciplinares.
Participaram da
iniciativa representantes da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), Tribunal
de Contas do Estado (TCE), Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão
(Sepog), Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e do Grupo de Monitoramento e
Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF).
A reunião foi
conduzida pelo Subprocurador-Geral de Justiça Administrativo, procurador de Justiça
Marcelo Lima de Oliveira, com apoio do coordenador do Grupo de Atuação Especial
da Segurança Pública (Gaesp), promotor de Justiça Pablo Hernandez Viscardi.
Durante o encontro,
foram apresentados dados que indicam defasagem significativa no quadro de policiais
penais. Levantamentos apontam déficit de 3.961 profissionais, diante de um
efetivo em exercício de 2.156 servidores.
Também foi destacada
a baixa ocupação de cargos em áreas técnicas, como Psicologia e Assistência
Social, essenciais para a realização de exames criminológicos e acompanhamento
dos apenados. Segundo o MPRO, a ausência dessas equipes impacta diretamente a
execução penal, incluindo a análise para progressão de regime.
Impactos
Representantes das instituições relataram efeitos do déficit na rotina das
unidades prisionais, como sobrecarga de servidores, aumento de horas extras e
dificuldades operacionais.
Dados apresentados
indicam crescimento expressivo nos gastos com horas extras, que passaram de
cerca de R$ 10 milhões em 2019 para aproximadamente R$ 47 milhões em 2025.
Também foram
mencionados riscos à segurança e à prestação de serviços no sistema, diante da
ampliação da população carcerária e da falta de reposição de pessoal ao longo
dos anos.
Concurso
Durante o alinhamento, a realização de concurso público foi apontada como
medida necessária para recompor o efetivo. A Secretaria de Planejamento
informou que há estudos para viabilizar o certame, inclusive com possibilidade
de uso de recursos atualmente destinados a horas extras.
A proposta é
estruturar uma solução de médio e longo prazo, com planejamento que permita
reduzir despesas extraordinárias e ampliar a capacidade operacional do sistema.
Atuação integrada
O encontro foi definido como o primeiro de uma série de reuniões voltadas à
construção de soluções conjuntas. As instituições destacaram a necessidade de
atuação coordenada para enfrentar o problema, considerado estrutural. O MPRO
informou que seguirá acompanhando o tema, com o objetivo de fomentar medidas
que garantam o funcionamento adequado do sistema prisional.
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