Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026 - 12h10

A Receita Federal do Brasil admitiu nesta
terça-feira (17) que houve desvios no acesso a dados fiscais de ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF) e de seus familiares. A manifestação ocorreu
após operação da Polícia Federal (PF) que investiga o vazamento de informações sigilosas de
integrantes da Corte e seus parentes.
A ação foi autorizada pelo ministro
Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, a pedido da Procuradoria-Geral da
República (PGR). Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão nos estados
de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Não houve prisões, mas a Justiça
determinou medidas cautelares como afastamento de função pública, uso de
tornozeleira eletrônica, proibição de deixar o país e cancelamento de
passaportes.
Auditoria
Em nota, a Receita afirmou que “não tolera desvios,
especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema
tributário”. O órgão informou que, em 12 de janeiro, o STF pediu auditoria em
seus sistemas para identificar acessos indevidos a dados de ministros, parentes
e outras autoridades nos últimos três anos.
Segundo o Fisco, a Corregedoria já havia instaurado
procedimento investigatório próprio no dia anterior, com base em notícias
divulgadas pela imprensa. A auditoria, que envolve dezenas de sistemas
e contribuintes, segue em andamento, e desvios já identificados foram
comunicados ao relator do caso no Supremo.
“A Receita Federal dispõe de sistemas totalmente
rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível,
inclusive na esfera criminal”, informou o órgão.
As investigações apontam que o sigilo
fiscal da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes,
teria sido quebrado indevidamente. Também foi identificado acesso
não autorizado à declaração de Imposto de Renda do filho de outro ministro da
Corte.
O caso tramita no Inquérito 4.781, conhecido como
inquérito das fake news, sob relatoria de Moraes.
Controles reforçados
A Receita destacou ainda que, desde 2023, ampliou
os mecanismos de controle de acesso a dados fiscais, com restrição de perfis e
reforço em sistemas de alerta. No período, foram concluídos sete
processos disciplinares, que resultaram em três demissões e sanções
administrativas aos demais envolvidos.
O órgão afirmou que manterá o mesmo rigor na
apuração do episódio e que novas informações poderão ser divulgadas conforme o
avanço das investigações.
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