Sexta-feira, 15 de maio de 2026 - 14h40

A Assembleia Legislativa de Rondônia
(Alero) deu início à criação de um fórum permanente voltado ao debate
econômico, tributário e produtivo do estado. O encontro reuniu
deputados, representantes do setor empresarial, Tribunal de Contas de
Rondônia (TCERO), Secretaria de Finanças (Sefin) e especialistas em
economia nacional e internacional.
A proposta surgiu após discussões entre empresários de Ji-Paraná e
parlamentares durante encontros promovidos na Rondônia Rural Show
Internacional no ano de 2025. O objetivo é criar um espaço técnico para
analisar projetos do Executivo, que impactam as empresas rondonienses,
discutir impactos tributários e construir soluções para gargalos
históricos que atingem a economia estadual.
Inteligência artificial transforma o agro, o comércio e a indústria (Fotos: Rafael Oliveira | Secom ALE/RO)
“Esse fórum nasceu para proteger a população e permitir que os projetos
sejam discutidos antes de chegar ao plenário. No passado, projetos
polêmicos causaram problemas justamente pela falta desse diálogo e
tiveram de ser revogados. Agora o que se espera é uma atuação ainda mais
forte das representações empresariais nos debates”, afirmou o
presidente da Assembleia Legislativa, Alex Redano (Republicanos).
Redano destacou que a Assembleia e a Secretaria de Finanças passaram a
construir propostas em conjunto antes da tramitação legislativa. Segundo
ele, a criação do fórum também abre espaço para participação direta do
setor produtivo.
Fórum técnico reúne deputados, Sefin e empresários (Fotos: Rafael Oliveira | Secom ALE/RO)
“O Estado está ganhando um corpo técnico a custo zero. Empresários,
entidades e especialistas passam a contribuir diretamente na construção
de soluções para Rondônia”, declarou o parlamentar.
Durante o encontro, o deputado estadual Cirone Deiró (União
Brasil) afirmou que o setor produtivo passou anos sem representatividade
dentro do parlamento estadual e defendeu a aproximação entre
empresários e poder público.
“Emprego pleno nasce dessa relação entre quem produz, quem paga imposto e
a máquina pública. Quem veio do setor empresarial como eu, conhece as
dores de quem gera emprego”, disse.
Cirone também classificou o fórum como uma ferramenta de proteção para o empresariado rondoniense.
“A criação desse espaço traz segurança para quem investe e ajuda o
Estado a tomar decisões alinhadas com a realidade da sociedade”,
afirmou.
O secretário adjunto de Finanças de Rondônia, Márcio Alves Passos,
defendeu os projetos tributários encaminhados pelo Executivo e afirmou
que as mudanças nacionais na política de arrecadação exigem atualização
constante dos estados.
“A Sefin não atua de forma punitiva. Nosso trabalho é informativo e
colaborativo. Os projetos aprovados ajudam Rondônia a manter equilíbrio
fiscal diante da nova realidade tributária do país”, afirmou.
O conselheiro Substituto do Tribunal de Contas do Estado, Francisco
Júnior Ferreira da Silva, apontou crescimento econômico de Rondônia nos
últimos anos e colocou o órgão à disposição para contribuir com o debate
técnico.
“Rondônia saiu de um orçamento de R$ 8 bilhões para R$ 18 bilhões em
oito anos. O estado cresce e o Tribunal de Contas está disponível para
colaborar na melhoria dos serviços públicos”, declarou.
Palestra
O economista Pablo Spyer apresentou um panorama internacional sobre
inflação, conflitos geopolíticos e transformação tecnológica. Segundo
ele, guerras no Oriente Médio, disputa comercial entre potências e
mudanças energéticas já impactam diretamente os preços globais.
“A guerra no Oriente Médio afeta petróleo, tecnologia e alimentos. Isso
chega ao prato do brasileiro e aumenta a pressão inflacionária no mundo
inteiro”, afirmou.
Spyer também apontou a inteligência artificial como eixo central da nova disputa econômica global.
“A
IA já mudou o agro, os serviços, o comércio e a indústria. Hoje existe
uma corrida mundial por tecnologia, energia e minerais críticos”,
declarou Spyer (Fotos: Rafael Oliveira | Secom ALE/RO)
O economista citou ainda o potencial brasileiro nas reservas de terras
raras, consideradas estratégicas para produção tecnológica.
“Um quinto das terras raras do mundo está no Brasil. Isso pode mudar a
economia nacional, mas exige investimento pesado e planejamento do
Estado brasileiro”, disse.
Ao abordar o cenário internacional, Pablo Spyer afirmou que o dólar
segue como peça central da economia mundial e que crises geopolíticas
tornam o mercado mais instável.
“O dólar continua indispensável como moeda global. Qualquer conflito ou
decisão política no mundo interfere diretamente no comportamento da
moeda”, explicou.
Entre os fatores de risco apontados pelo economista estão as eleições
americanas de meio mandato, tensões entre China e Taiwan, conflitos no
Oriente Médio e disputas diplomáticas envolvendo Rússia, Estados Unidos e
Venezuela.
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