Sexta-feira, 2 de outubro de 2015 - 00h01
Os bancários de Rondônia acabam de decidir por unanimidade, em
assembleia geral realizada na sede do sindicato da categoria, em Porto
Velho, aderir à greve nacional por tempo indeterminado, a partir da
próxima terça-feira, dia 6.
A decisão confirma a insatisfação e a revolta dos trabalhadores com a
proposta considerada indecente e provocativa da Federação Nacional dos
Bancos (Fenaban), que no dia 25 de setembro, em São Paulo, na quarta
rodada de negociação com o Comando Nacional dos Bancários (formado
pela Contraf-CUT, Federações e Sindicatos), ofereceu 5,5% de reajuste
salarial (e demais verbas), bem abaixo dos 16% reivindicações pela
categoria e que sequer se aproxima da inflação do período (9,88%
INPC), além de PLR no mesmo formato do ano passado e um abono no valor
de R$ 2.500,00, não incorporado aos salários.
As negociações entre os representantes dos empregados e os
representantes dos bancos tiveram início na primeira quinzena de
agosto, quando a pauta foi entregue, mas de lá para cá os bancários
ouviram uma sucessão de ‘nãos’ dos patrões. Nada de concreto foi
apresentado em relação às reivindicações sobre garantia de emprego,
contratação de mais empregados, fim do assédio moral e das metas
abusivas, mais saúde e melhores condições de trabalho e mais
segurança. Pelo contrário: mais de um mês depois de iniciada a
Campanha Nacional, o que os representantes dos bancos ofereceram
representa uma perda de 4% não somente nos salários.
Somente os cinco maiores bancos (Banco do Brasil, Caixa Econômica
Federal, Bradesco, Itaú e Santander) tiveram mais de R$ 36 bilhões de
lucro nos seis primeiros meses de 2015, um crescimento de 27,3% em
relação ao mesmo período do ano passado. Setores que estão em crise,
com retração de produção e vendas, fizeram propostas melhores aos seus
empregados.
“Essa é a resposta que vamos dar aos bancos, que novamente visam
apenas os lucros em detrimento às pessoas. Os bancos, mesmo
conseguindo lucros gigantescos e sucessivos, não valorizam seus
empregados e, com essa postura de intransigência de negar tudo que
reivindicamos, acabam empurrando a categoria para mais uma greve e,
consequentemente, geram transtornos para toda a população, que sofre
com os bancos fechados e sem atendimento. Ou seja, a culpa dos
trabalhadores irem à greve é toda dos bancos”, disse José Pinheiro,
presidente do Sindicato dos Bancários e Trabalhadores do Ramo
Financeiro de Rondônia (SEEB-RO).
Principais reivindicações da categoria
* Reajuste salarial de 16%. (incluindo reposição da inflação mais 5,7%
de aumento real).
* PLR: 3 salários mais R$7.246,82.
* Piso: R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores
de junho último).
* Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá:
R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
* Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do
assédio moral que adoecem os bancários.
* Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e
combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15
no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que
coíbe dispensas imotivadas.
* Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.
* Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois
vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários,
conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de
metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas.
Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves
por funcionários.
* Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na
ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais
e pessoas com deficiência (PCDs).
FONTE: RONDINELI GONZALEZ
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