Segunda-feira, 14 de maio de 2012 - 06h50
Depois de demitir o engenheiro agrônomo Flávio Mendes de Rangel após 75 dias de estágio probatório, em março, sobre a falsa alegação de lentidão e má vontade de executar suas funções, o Banco da Amazônia volta a manifestar seu total desrespeito com os pais e mães de famílias que vem de outros estados para concretizar em Rondônia o sonho de uma carreira promissora no banco.
Dessa vez a ‘vítima’ foi Adailton Dias de Matos, 38, que veio de Brasília após passar no concurso promovido pelo banco em 2009. Ele foi convocado e chegou a Porto Velho, com sua esposa e filho, para trabalhar no Banco da Amazônia na função de Técnico Bancário. Adailton, antes de vir a Rondônia, trabalhava como gesseiro (construção civil) e ganhava um salário médio de R$ 2.500, e veio para trabalhar no banco com a promessa de um salário de R$ 1.520, mais os benefícios.
“A intenção de me sujeitar a ganhar este salário era da promessa de estabilidade, Plano de Saúde e a ascensão de carreira dentro do banco. Largamos tudo em Brasília com este sonho, de termos uma vida melhor neste Estado, mas não foi o que aconteceu”, comentou Adailton, que começou a trabalhar no Banco da Amazônia no dia 22 de fevereiro e foi demitido no dia 2 de maio, contemplando assim, 71 dias de trabalho.
Ele conta ainda que - a exemplo de Flávio, demitido em março - ele também sofreu com as falsas alegações do banco, imputando a ele as acusações de lentidão, despreparo e extrema dificuldade em assimilação do aprendizado para exercício da função.
“Ora, eles (o banco) exigiam agilidade, mas não nos dão condições de trabalho e as ferramentas necessárias para que estes serviços sejam feitos em tempo hábil. Um bom exemplo são os computadores que usamos, totalmente ultrapassados e que vivem travando, o que atrapalha nosso serviço. Além disso, os gestores não dão nenhum treinamento ou orientação para que possamos realmente aprender as coisas e, somente assim, podermos desempenhar nosso serviço de maneira satisfatória e digna. Em vez disso, os gestores preferiam nos coagir e ameaçar, constantemente, todos os dias”, acrescenta.
Apesar de todos estes obstáculos, Adailton ainda assim buscou executar todas as suas funções, dia a dia, mas foi ‘vencido’ pela má fé e desrespeito com a dignidade humana por parte do banco. Agora, desempregado, o trabalhador está com pendências financeiras na cidade, a exemplo de aluguel, energia elétrica, compras de eletrodomésticos a quitar e, sobretudo, se vê em uma condição comprometida de garantir o sustento alimentar da própria família.
O SEEB/RO, além de se preocupar com a forma injustificada da demissão do trabalhador, alerta que tal prática tem se tornado comum neste Banco da Amazônia em especial na Superintendência de Rondônia.
“O sindicato repudia este ato desumano e ilegal com estes pais e mães de família. Não podemos admitir que o banco tenha esta atitude que destrói não apenas os sonhos de pessoas que se dedicaram para estes cargos e renunciaram de muitas coisas para conseguir uma vida melhor em outros estados mas, sobretudo, fere o princípio da dignidade humana”, comentou o presidente em exercício do SEEB/RO, Euryale Brasil.
O SEEB/RO informa que fiscalizará as rescisões contratuais laborais do banco e vai pedir a revogação da demissão, reintegrando Adailton ao emprego
“Vamos continuar vigilantes para que o Banco da Amazônia não permita que essas práticas ilegais continuem a ocorrer na Superintendência de Rondônia”, comentou Maria do Socorro, Secretária de Finanças do SEEB/RO e funcionária do banco.
Fonte: Rondineli Gonzalez
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