Terça-feira, 23 de junho de 2026 - 12h30

Celebrado mundialmente em junho, o Dia Internacional do Leite chama
atenção para a importância de uma das principais atividades da
agropecuária e da agricultura familiar. Além de contribuir para a
segurança alimentar e nutricional da população, a cadeia leiteira
movimenta economias locais, gera empregos e garante renda para milhões
de famílias em todo o mundo.
Segundo dados da Federação Internacional de Laticínios (FIL-IDF),
publicados em 2025, cerca de 6,5 bilhões de pessoas consomem leite ou
derivados regularmente em todo o mundo. A entidade destaca a importância
nutricional, social e econômica do setor lácteo.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a
Agricultura (FAO), aproximadamente 150 milhões de famílias em todo o
mundo estão envolvidas na produção de leite, atividade que contribui
para a geração de renda e a segurança alimentar de milhões de pessoas.
No Brasil, o leite continua entre os alimentos mais presentes na mesa da
população. O país, que produziu 35,7 bilhões de litros em 2024,
alcançando recorde histórico segundo o Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE).
Estudos da Embrapa Gado de Leite
e levantamentos recentes do setor, apontam que o consumo de leite e
derivados no Brasil permanece próximo de 170 litros equivalentes por
habitante ao ano.
Em Rondônia, a pecuária leiteira ocupa posição estratégica no
desenvolvimento econômico e social. Presente em praticamente todos os
municípios, a atividade é uma das principais fontes de renda da
agricultura familiar e movimenta uma cadeia formada por produtores
rurais, cooperativas, laticínios, transportadores, comerciantes,
agroindústrias e fornecedores de insumos.
Segundo dados da Embrapa e da Agência de Defesa Sanitária
Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron), Rondônia lidera a
produção de leite na Região Norte e está entre os dez maiores produtores
do país. A atividade possui destaque em municípios como Machadinho do
Oeste, Jaru, Porto Velho, Nova Mamoré e Ouro Preto do Oeste.
Apesar da relevância econômica, o setor enfrenta desafios que
comprometem a sustentabilidade da atividade, como os elevados custos de
produção, a oscilação dos preços pagos ao produtor, a concorrência com
produtos importados, além das dificuldades de acesso ao crédito,
tecnologia e assistência técnica.
Dados apresentados durante debates realizados pela Assembleia
Legislativa apontam que, embora a produção leiteira tenha registrado
crescimento nos últimos anos, muitos produtores ainda convivem com baixa
rentabilidade devido ao aumento dos custos e à dificuldade de
valorização do produto.
Audiência
pública realizada pela Assembleia Legislativa reuniu produtores e
representantes de entidades para discutir a cadeia produtiva do leite em
RO (Foto: Thyago Lorentz / Secom ALE/RO)
Alero amplia diálogo e articula ações para fortalecer a cadeia produtiva do leite
Diante dos desafios enfrentados pelos produtores, a Assembleia
Legislativa de Rondônia (Alero) tem ampliado o debate com representantes
da cadeia produtiva, buscando construir alternativas para fortalecer o
setor e garantir melhores condições de produção e comercialização.
Em dezembro de 2025, a Casa de Leis realizou audiência pública em
Ariquemes para discutir a crise enfrentada pela atividade leiteira. O
encontro reuniu produtores rurais, representantes de entidades do setor,
técnicos, parlamentares estaduais e federais, além de integrantes do
Governo do Estado.
Durante a audiência, foram apresentados problemas relacionados ao
aumento dos custos de produção, redução da rentabilidade, dificuldades
na comercialização, falta de previsibilidade nos pagamentos e impactos
da concorrência com produtos importados.
No dia seguinte a audiência, a Alero aprovou o Projeto de Lei 1197/25,
que estabelece a proibição, em todo o território estadual, da
reconstituição de leite em pó e de outros derivados lácteos de origem
importada destinados ao consumo alimentar humano.
Como resultado dos debates, foram apresentados encaminhamentos como a
criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Cadeia Produtiva
do Leite, além da discussão sobre medidas legislativas e políticas
públicas voltadas ao fortalecimento da atividade.
CPI
do Leite realizou audiências itinerantes em municípios estratégicos
para ouvir produtores e identificar os desafios do setor (Foto: Luís
Castilho | Secom ALE/RO)
CPI aprofunda diagnóstico da cadeia produtiva do leite
Instalada em março de 2026, por meio do Ato 029/2026-LEG/ALE, a Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) da Cadeia Produtiva do Leite tem como
objetivo investigar os fatores que contribuem para as dificuldades
enfrentadas pelos produtores e propor medidas para recuperação e
fortalecimento do setor.
Presidida pela deputada estadual Cláudia de Jesus (PT), a comissão conta
ainda com o deputado Delegado Camargo (Podemos), como vice-presidente;
deputado Eyder Brasil (PSD), relator; e os deputados Dra. Taíssa (PL) e
Pedro Fernandes (PRD), como membros.
A CPI realizou audiências itinerantes em municípios estratégicos da
produção leiteira, como Alvorada do Oeste, Machadinho do Oeste, Jaru,
Ji-Paraná e Nova Mamoré, ouvindo produtores, sindicatos, cooperativas,
representantes da Emater e demais integrantes da cadeia produtiva.
Entre os principais pontos levantados estão a baixa remuneração pelo
litro do leite, aumento dos custos de produção, ausência de contratos
formais entre produtores e indústrias, dificuldades de comercialização e
necessidade de ampliar a assistência técnica.
Rondônia lidera a produção de leite na Região Norte e está entre os dez maiores produtores do país (Foto: Weyne Sharp)
A comissão também analisa questões relacionadas à formação dos preços,
incentivos fiscais, entrada de leite de outros estados e possíveis
desequilíbrios na relação comercial entre produtores e indústrias.
Concluída a primeira etapa de escutas com produtores rurais, a CPI está
iniciando oitivas que prevê ouvir representantes das entidades ligadas à
cadeia produtiva do leite, marcada para 24 de junho de 2026. Na
sequência, serão ouvidos representantes da indústria de laticínios e de
órgãos governamentais, ampliando a coleta de informações que subsidiarão
o relatório final da comissão.
A presidente da comissão, deputada Cláudia de Jesus (PT), entende que a
crise da cadeia produtiva do leite está relacionada a três fatores
centrais: o baixo preço pago aos produtores, os indícios de concentração
de mercado apontados durante as oitivas e a ausência de políticas
públicas permanentes para o setor.
Segundo a parlamentar, os encaminhamentos da CPI serão consolidados no
relatório final, que deverá apresentar recomendações, propostas
legislativas e medidas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva do
leite e da atividade leiteira em Rondônia.

Presidente
da Faperon destaca que investimentos em tecnologia, melhoramento
genético e assistência técnica são fundamentais para ampliar a produção
leiteira em Rondônia (Foto: Arquivo | Faperon)
Faperon destaca importância econômica e defende investimentos
Para o presidente do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária do
Estado de Rondônia (Faperon) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
(Senar-RO), Hélio Dias de Souza, a cadeia do leite é uma das atividades
que mais distribuem renda no estado.
Segundo ele, a produção leiteira funciona como uma “cadeia do
contracheque”, por garantir renda periódica aos produtores e movimentar
diversos setores da economia. Rondônia possui um parque industrial com
capacidade para processar cerca de 4 milhões de litros de leite por dia,
enquanto a produção atual está estimada em aproximadamente 1,5 milhão
de litros diários.
Para ampliar a produção, Hélio Dias defende investimentos em tecnologia,
melhoramento genético, assistência técnica e políticas públicas que
garantam segurança aos produtores.
Segundo ele, a melhoria genética do rebanho é um dos principais
desafios, já que grande parte dos animais apresenta baixa produtividade.
O dirigente destaca ainda a necessidade de ampliar práticas como manejo
adequado das pastagens, produção de silagem, pastejo rotacionado e
acompanhamento técnico especializado.
Hélio Dias também defende a construção de um plano de desenvolvimento
para a cadeia leiteira de Rondônia, com ações de longo prazo que
permitam aumentar a produtividade, reduzir custos e garantir maior
competitividade aos produtores.
“É preciso construir uma política de Estado para a cadeia do leite, com
participação de todos os segmentos envolvidos. Com planejamento,
assistência técnica e investimento em tecnologia, é possível superar os
desafios e fortalecer uma atividade que tem grande importância econômica
e social para Rondônia”, destacou o presidente da Faperon.
Atualmente, mais de 6 bilhões de pessoas consomem leite e derivados (Foto: Frank Nery I Secom - Governo de Rondônia)
Fetagro defende políticas permanentes e alerta para o aumento dos custos de produção
O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia
(Fetagro), Manoel Carlos Dantas, o Carlinhos Dantas, destaca que a
produção leiteira representa uma importante fonte de renda para a
agricultura familiar.
Segundo ele, mesmo quando não é a principal atividade econômica da
propriedade, o leite garante previsibilidade financeira às famílias
rurais por proporcionar renda mensal.
Apesar da relevância econômica e social da atividade, Carlinhos Dantas
avalia que a cadeia produtiva enfrenta um momento delicado. De acordo
com o dirigente, os custos de produção aumentaram significativamente nos
últimos anos, enquanto os preços pagos aos produtores não acompanham
essa elevação.
“Em muitos casos, o produtor consegue apenas cobrir os custos
operacionais e a própria mão de obra. Quando se leva em consideração
toda a estrutura da propriedade e os investimentos realizados,
percebe-se que muitos estão trabalhando com prejuízo”, afirmou o
presidente.
Entre os desafios apontados pelo dirigente da Fetagro, estão o aumento
dos custos de produção, a falta de políticas públicas específicas,
dificuldades de negociação com laticínios e necessidade de ampliar o
acesso à assistência técnica.

Mais 60% dos agricultores familiares atuam na atividade leiteira (Foto: Antonia Lima I Secom - Governo de Rondônia)
Ele defende ainda a criação de mecanismos de apoio ao setor, como linhas
de crédito específicas, fundo garantidor, fortalecimento da assistência
técnica e incentivo à instalação de pequenas agroindústrias familiares
para agregação de valor à produção.
Ao projetar o futuro da atividade, Carlinhos Dantas faz um alerta.
Segundo ele, sem ações estruturantes e políticas públicas voltadas ao
fortalecimento da cadeia produtiva, a tendência é de continuidade da
redução do número de produtores e da concentração da produção em um
grupo cada vez menor de propriedades.
“Temos produtores que investiram em tecnologia e conseguiram aumentar
sua produtividade, mas, se os problemas estruturais não forem
enfrentados, a tendência é que cada vez menos famílias permaneçam na
atividade leiteira em Rondônia”, concluiu.

Rondônia possui mais de 100 mil propriedades rurais (Foto: Divulgação)
Mais 60% dos agricultores familiares atuam na atividade leiteira, afirma dirigente da Emater
O presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de
Rondônia (Emater-RO), Hermes José Dias Filho, destaca que a atividade
leiteira acompanha o desenvolvimento econômico do estado desde a década
de 1980 e atualmente representa um dos principais segmentos do
agronegócio rondoniense.
Segundo a Emater, Rondônia possui mais de 100 mil propriedades rurais,
sendo que mais de 60% dos agricultores familiares desenvolvem a
atividade leiteira como fonte significativa de renda.
Hermes José ressalta que a tecnologia tem papel fundamental para
aumentar a produtividade e garantir sustentabilidade econômica às
propriedades. Entre as ferramentas estão o melhoramento genético, manejo
adequado das pastagens, irrigação, pastejo rotacionado, estrutura de
ordenha e controle sanitário.
O presidente da Emater também destaca ações do Governo de Rondônia
voltadas ao setor, como o Programa de Desenvolvimento da Pecuária
Leiteira do Estado de Rondônia (Pró-Leite), que tem como objetivo
fortalecer a cadeia produtiva por meio do incentivo à modernização das
propriedades, ampliação da produção, melhoria da qualidade do leite e
aumento da competitividade do setor, e o Programa de Consultoria Técnica
e Gerencial para Produtor Rural da Pecuária Leiteira (Consultec),
executado pela Emater em todos os municípios.
“Quando a tecnologia é aplicada de acordo com a realidade de cada
propriedade, ela torna a atividade mais produtiva, sustentável e
economicamente viável. Por isso, o apoio do Estado e o acesso à
assistência técnica são fundamentais para o desenvolvimento da pecuária
leiteira em Rondônia”, afirmou Hermes José Dias Filho.
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