Sexta-feira, 15 de maio de 2026 - 16h25

O
ex-prefeito de Porto Velho e pré-candidato ao Governo do Estado, Hildon Chaves
(Federação União Progressista), e o deputado estadual Cirone Deiró, de Cacoal,
pré-candidato a vice na chapa, participaram na quarta-feira (13maio2026) de uma
entrevista à rádio Antena FM, de Porto Velho. Os pré-candidatos abordaram a
questão da segurança pública, tema que está no topo das maiores preocupações do
eleitorado rondoniense.
“Temos
hoje um apagão de soldados na Polícia Militar de Rondônia, a verdade é que a
corporação tem uma grande maioria de oficiais, de cabos para cima, enquanto os
praças estão abandonados”, denunciou Hildon. “Existe um grande déficit nos
salários da corporação e é urgente que seja feita uma forte correção, para que
haja uma equidade nos vencimentos da categoria em relação aos demais estados da
nossa região”.
Hildon
Chaves confirmou que fará “um grande concurso público” para suprir a
deficiência de soldados na PM, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil do Estado. “Faz
muitos anos que não se contratam novos soldados e será importante fazer um
concurso público. Necessitamos ter capacidade operacional e atuar fortemente no
combate à corrupção, em toda a esfera pública”, ressaltou Hildon. “Já prendi
muito vagabundo quando fui promotor, serei um governador voltado para o
fortalecimento dos nossos policiais”, afirmou Hildon, que atuou por mais de
vinte anos como promotor do Ministério Público de Rondônia.
REGULARIZAÇÃO
FUNDIÁRIA
Hildon
também abordou a questão fundiária, que tem sido responsável por um grande
aumento da violência no campo. “Houve um erro enorme na criação do Estado, um
volume extraordinário de terras da União e que deveriam ter sido arrecadadas
pelo Estado, quando deixou de ser Território Federal. Isso foi resolvido no
Paraná, em São Paulo, no Mato Grosso, mas a distribuição de terras na formação
de Rondônia permanece sendo um problema sem solução, isso parece até ser
intencional”, avisou.
“Quando
estava na Prefeitura de Porto Velho, perguntei ao presidente do Ibama se ele
sabia detalhar o perfil do invasor de terras em Porto Velho, mas ele não soube,
ou melhor, não quis responder. São milhares de pequenos agricultores e o
resultado foi que o Governo Federal destruiu as moradias, as plantações de
café, milho, de famílias que tinham documentos do Incra, e isso não se faz”,
declarou Hildon.
TECNOLOGIA
Segundo o
pré-candidato, a situação financeira do Estado não é boa. “Teremos pouca margem
de sobra para investimentos no primeiro ano, mas a tecnologia poderá nos
auxiliar nessa questão. Quando fui eleito prefeito de Porto Velho, a cidade
tinha apenas 20 mil lâmpadas antigas. Substituímos por 100 mil lâmpadas de Led,
gerando uma economia de R$ 3 milhões por mês na fatura do município e tornando
nossas ruas mais seguras para os moradores”.
Hildon
lembrou ainda que existe uma vasta gama de aparelhos destinados ao
monitoramento, leitura de placas, iluminação pública e outros sistemas
tecnológicos. “Tudo isso já funciona em outros estados, como por exemplo em São
Paulo, e em países como o México, e pode ser rapidamente implantado”.
XADREZ
Já o
pré-candidato a vice-governador, deputado estadual Cirone Deiró, comparou a
situação atual da Polícia Militar a um “jogador de xadrez que está sem peões e
só tem as peças maiores para jogar”, se referindo à falta de soldados e
excessiva presença de oficiais na corporação. “Hoje tem produtor dormindo na
roça pra vigiar o café, tal é o estado de insegurança pública que vivemos não
só nas cidades, mas até no campo”, denunciou Cirone.
“Vamos
trabalhar pela integração dos diversos órgãos públicos do Estado, como a PM,
Polícia Civil, Polícia Penal, Ministério Público e Tribunal de Justiça”, disse
Cirone. “Fazer concurso é para ontem, para enfrentar o crime organizado é
preciso atuar de forma organizada, a Polícia não ter acesso a qualquer
localidade que seja é simplesmente inconcebível”.
FEMINICÍDIO
Cirone
também abordou a questão do feminicídio. “É um crime hediondo, praticado contra
as mulheres e contra a família, porque o assassino de uma mulher deixa órfãos e
destrói um lar”, sentenciou. “Na imensa maioria dos casos, a mulher não tem
como se defender, é um ato de extrema violência e de grande covardia contra as
mulheres, praticado de forma torpe e brutal, muitas vezes na frente dos
próprios filhos, provocando sequelas que podem se estender pelo resto de suas
vidas”.
Cirone
lembrou que Rondônia ocupa hoje proporcionalmente o segundo lugar no país em
número de assassinatos e violência doméstica praticados contra mulheres. “Essa
é uma estatística que não pode continuar em Rondônia, precisamos trabalhar não
apenas no sentido de punir os responsáveis, mas também criar novos canais de
denúncia, atuando para proteger as mulheres ameaçadas, com novas delegacias e
espaços próprios de acolhimento, além de favorecer a educação nas escolas e
tomar todas as medidas possíveis para resolver esse que é um dos mais graves
problemas hoje em nossa sociedade”, completou.
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