Segunda-feira, 7 de janeiro de 2019 - 14h25

O prefeito de
Porto Velho Dr. Hildon Chaves e o recém-eleito governador do Estado coronel
Marcos Rocha tomaram recentemente uma heroica decisão: não vão colocar dinheiro
público para patrocinar o Carnaval de Porto Velho em 2019. Decidiram também que
qualquer verba disponível será (?) investida nas áreas da saúde e da educação do
município e do Estado. Para se ter uma ideia, as escolas de samba daqui pediram
à prefeitura “somente” meio milhão de
reais para sair às ruas. Um acinte, uma piada de mau gosto, um desrespeito aos contribuintes.
Um Estado cuja capital tem um “açougue”
como o João Paulo Segundo não pode mesmo investir um só centavo público numa
festa que só serve para sujar as já emporcalhadas ruas. Uma cidade como Porto
Velho, a pior dentre as capitais do Brasil em IDH, não pode gastar dinheiro com
orgia.
Porto Velho e
Rondônia não têm cultura. Aliás, nunca tiveram. E não adianta citar a
Sociologia, a Filosofia ou a Antropologia para dizer o contrário. Tudo aqui é
cópia, e muito mal feita, do que acontece lá fora. O Carnaval daqui é uma
porcaria que não chega nem aos pés do que acontece no Rio de Janeiro. O mês de
junho é uma desgraça só, que sequer imita Parintins ou mesmo Manaus. Festas
juninas iguais a Campina Grande na Paraíba nem em sonho. Futebol, se esta bobagem
for cultura, também não existe por aqui. Só um tal de Genus faz a alegria de
cinco ou seis torcedores. Aqui só se torce pelos times de fora. Então, para que
se gastarem milhões em reais com estádios ou estrutura desportiva? Até o “ginásio de esportes” da cidade, o
Cláudio Coutinho, tem servido para tudo menos para a verdadeira prática de
esportes.
Não tenho nada
contra o Carnaval, o São João, a quadrilha, o boi, o futebol ou outra “manifestação cultural” qualquer. Elas
têm que existir e em alguns casos até divertem as pessoas. Mas tudo tem que ser
bancado com o seu próprio dinheiro. Agora, se não têm recursos para existir,
que desapareçam e deixem o Erário em paz. Não sei se a famosa banda consegue
sobreviver sem verbas oficiais. Se conseguir, ótimo. Desfile com os seus
brincantes e dê estrutura para todos eles. Nada de sujar e emporcalhar as já
imundas ruas com lixo, imundície, sujeira e depois não mandar limpar nada. O
Poder Público, na maioria dos casos, oferece a rua, a polícia para fazer segurança
e ainda tem seus horrorosos hospitais entupidos de gente baleada, esfaqueada e
ferida por acidentes de trânsito, tudo consequência da folia. Verbas para
educação e saúde é o mais correto.
Porém, tomara que
essa verba seja mesmo investida nessas áreas tão carentes do nosso Estado e de
nossa cidade. É preciso que haja fiscalização. Chega de “açougue” e de UPAS sem remédios e médicos. Não votei em nenhum dos
dois, mas sou obrigado a admitir que eles estão certíssimos nesta decisão.
Agiram como estadistas de Primeiro Mundo: primeiro as necessidades, depois as
festas e o supérfluo. A tal “Marcha para
Jesus” se recebe ajuda oficial, essa prática tem que ser abolida também. Da
mesma forma, nada contra a religião de ninguém. Mas é preciso se levar em conta
que não há nada mais rico e cheio de dinheiro do que essas Igrejas. Claude Lévi-Strauss,
antropólogo franco-belga, disse que se quiser acabar com um povo, basta acabar
com a sua cultura. Em Porto Velho e em Rondônia acontece o contrário: se acabar
essas tolices, salvará esse povo do desperdício e da miséria. E lhe dará uma melhor
existência.
*É Professor em Porto Velho.
* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.
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