Quarta-feira, 21 de maio de 2014 - 20h52

Ato promovido hoje (21) por representantes de religiões de matriz africana com apoio da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) teve a participação do deputado federal Padre Ton (PT-RO), que da mesma forma que os demais parlamentares presentes no Plenário 2 considerou conservadora a posição do juiz Eugênio Rosa, do Rio de Janeiro, que em recente sentença negou a existência dessas religiões.
“Com uma velha visão discriminadora, o juiz qualifica as religiões de seitas. Eu penso que o grande problema para essa intolerância religiosa é a formação do nosso país”, declarou Padre Ton, lamentando o fato da Igreja Católica ter se fechado para outras expressões de religiosidade.
O juiz, para o deputado, desrespeitou a Constituição, que expressa claramente a laicidade do Estado brasileiro. “Todos têm direito de expressar a sua fé, a sua religiosidade e seu Deus”, disse Padre Ton.
Devido à repercussão causada pela sentença, o juiz Eugênio Rosa fez declaração pública ontem (20) reconhecendo os cultos afro-brasileiros como religiões, mas não reformulou a decisão, mantendo no Youtube vídeos postados pela Igreja Universal considerados ofensivos pelos representantes das religiões de matriz africana.
Padre Ton disse também que os povos indígenas também são discriminados em suas opções religiosas, e que a tendência conservadora se acentua no Parlamento brasileiro. “Precisamos diversificar cada vez mais a representatividade no Parlamento, que está ficando muito mais concentrado num só grupo”.
O parlamentar considerou válida a manifestação feita na Câmara, declarando: “A posição do juiz acaba incentivando outras pessoas, nas ruas, nas escolas, a agir de forma ofensiva como mostram os vídeos. Como parlamentares, precisamos levar essa preocupação ao CNJ para que isso não volte a se repetir em outras comarcas da nossa nação brasileira. O Estado é laico, viva a liberdade e que a gente possa respeitar uns aos outros na nossa forma de ser e do jeito que nós cultuamos ao nosso Deus”.
Estiveram no ato os deputados Assis do Couto (PT-PR), presidente da CDHM; Luiz Alberto (PT-BA); Jean Willys (PSOL-RJ); Janete Capiberibe (PSB-AP) e Janete Pietá (PT-SP) entre outros.
Fonte: Mara Paraguassu
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