Terça-feira, 21 de julho de 2009 - 21h21
Educação não aceita enrolação do governo
Após mais de um ano sem dialogar com os representantes dos servidores públicos estaduais, o governador Ivo Cassol deu uma demonstração de que nada mudou no governo quando o assunto é a falta de valorização do funcionalismo público.
Na tarde desta terça-feira (21/07) Cassol recebeu no Palácio Getúlio Vargas os presidentes de sindicatos de praticamente todas as categorias de servidores públicos estaduais para tratar do aumento do desconto do Iperon.
A reunião começou com uma exposição da situação do Iperon pelo presidente do instituto, César Licório. Segundo ele, o Iperon precisa aumentar a receita de 22% para 26% da folha de pagamento. Caso contrário, o Iperon não recebe o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP), uma das condições exigidas para que o Estado possa receber recursos de convênios com o governo federal.
Cassol anunciou que pretende dar aumento de 2% para os servidores, e transformar esse aumento em desconto para o Iperon. Assim os servidores públicos não ficariam com nada desse aumento.
A presidente do Sintero, Claudir Mata, fez um relato da situação dos servidores. Disse ao governador que o funcionalismo público já acumula perdas salariais de 18% só no atual governo, que a arrecadação aumentou quase 150%, e que a folha de pagamento possui margem para reajuste salarial sem atingir o limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Quando os números e os fatos foram apresentados, Cassol desconversou. Antes falava em crise econômica mundial. Convencido de que a crise não atingiu Rondônia, o governador mudou o discurso. Agora diz que não pode dar aumento porque estaria comprometendo o futuro do Estado.
Embora não tenha explicitado, o governador não fez questão de esconder os reais motivos pelos quais não atende às reivindicações dos sindicatos. As causas seriam as ações judiciais movidas pelos sindicatos e as críticas públicas ao governo.
Na reunião a presidente do Sintero Claudir Mata deixou claro que os trabalhadores em educação não agüentam mais o arrocho salarial, e que já decidiram não aceitar 2% para pagar mais 2% ao Iperon.
“O governo vem massacrando os servidores públicos desde o início do primeiro mandato. O salário da educação era o terceiro melhor do país no início desse governo. Agora já somos o vigésimo pior salário. Um professor ganhava sete salários mínimos e hoje recebe três mínimos. E esse governo ainda tem a coragem de dar 2% com uma mão e tirar com a outra”, desabafou Claudir ao sair da reunião.
Nos próximos dias o Sintero vai convocar os trabalhadores em educação para assembléias em todo o Estado, quando o assunto será discutido. A direção do Sintero disse que a categoria está disposta a lutar contra essa indecência, mesmo que seja preciso fazer manifestações no Palácio e ocupar a Assembléia Legislativa.
Fonte: Adércio Dias
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