Terça-feira, 16 de dezembro de 2025 - 09h38

PESQUISAS
As pesquisas —
algumas ainda em campo, outras já devidamente tabuladas — começam a desenhar o
mapa eleitoral de Rondônia para 2026, seja na disputa pelo governo, seja pelo
Senado. No front do Executivo estadual, Marcos Rogério (PL) e Adailton Fúria
(PSD) despontam como polos naturais da contenda. A polarização vai se
consolidando e, por ora, sufoca qualquer tentativa séria de uma terceira via
com musculatura política suficiente para incomodar a dupla.
ERRO
Hildon Chaves (PSDB),
que tentava romper essa dicotomia, cometeu o erro clássico dos políticos
inseguros: piscou. Sinalizou uma candidatura a deputado federal — e o eleitor,
que não é bobo, percebeu a hesitação. Resultado: patina abaixo dos dois dígitos
e esvazia sua pretensão ao governo. Ao admitir publicamente um plano B, Hildon
revelou fragilidade. Na política, isso é pecado mortal. Tentou recuar e
reassumir o figurino de candidato a governador, mas o estrago estava feito.
Apoio não se negocia com quem vacila. E eleição não se ganha com dúvida.
SENADO
Para o Senado, o
cenário é mais caótico — e, por isso mesmo, mais interessante. Muitos
pretendentes, nenhum favoritíssimo. Pelas pesquisas divulgadas e pelas
sondagens internas dos partidos (às quais esta coluna tem acesso), ao menos
cinco pré-candidatos aparecem tecnicamente empatados. Traduzindo: as duas vagas
estão escancaradas. Tudo pode acontecer, inclusive o imponderável — que, em
política, costuma ser regra.
PERFIL
O maior erro de
Hildon Chaves, na modesta opinião deste cabeça-chata, foi não ter se
apresentado como alternativa ao Senado. Isolou-se numa candidatura solitária ao
governo, deu com os burros n’água e, desnorteado, flertou com a Câmara Federal.
As vagas senatoriais tendem a ganhar centralidade nesta eleição, sobretudo pela
polarização nacional e pelo uso eleitoral do STF como espantalho. Hildon
poderia correr por fora, com discurso moderado e perfil testado. Não lhe
faltariam densidade eleitoral nem apelo, se tivesse apostado numa campanha
profissional e bem digitalizada. Preferiu o isolamento. Agora, está perdido
como cego em tiroteio.
CILADA
O deputado estadual
Delegado Camargo caiu numa armadilha política digna de marinheiro de primeira
viagem durante audiência pública na Assembleia Legislativa sobre orçamento e
aumento dos soldos da tropa militar. Ao bater boca com o casal Boabaid, expôs
que ainda está verde para driblar as emboscadas que a política reserva aos que
ascendem rápido demais.
MEMÓRIA
Camargo, que sonha
com voos mais altos, precisa conter os arroubos de delegado e exercitar com
mais frequência a astúcia política. A memória que ficou daquela sessão ruidosa
não ajuda quem mira uma cadeira no Senado. Política é memória — e memória não
perdoa destemperos.
AMEAÇAS
O pós-audiência foi
um espetáculo lamentável: ameaças, bravatas e desafios para vias de fato. Um
festival de mediocridade. O deputado precisa entender que responder provocações
no mesmo tom é descer ao nível dos que nada têm a perder. Ele tem. Os
adversários, em sua maioria, já desperdiçaram as próprias oportunidades. O
Parlamento está cheio de ex-representantes das forças de segurança de quem o
eleitor não sente a menor saudade.
DESTEMPERO
Embora Camargo tenha
razão em várias críticas ao comandante-geral da Polícia Militar — sobretudo no
que diz respeito ao avanço das facções —, a forma importa. Sem calibragem, a
crítica vira caricatura. Dá para ser oposição com firmeza, sem histeria. Com a
formação intelectual que possui, o deputado deveria saber disso. O eleitor
reprova pirotecnia. E costuma punir quem confunde firmeza com descontrole.
ESCÁRNIO
É louvável que
autoridades concedam benefícios financeiros para um Natal mais digno aos
servidores. O problema começa quando a Assembleia Legislativa e o Tribunal de
Contas anunciam gratificações natalinas polpudas, bancadas pelo erário,
enquanto a base do funcionalismo amarga salários aviltantes. O que seria gesto
nobre vira tapa na cara. Servidores da saúde e da educação, submetidos a
jornadas exaustivas, receberão em um mês menos do que os “mimos” pagos a castas
privilegiadas. Um escárnio monumental. Se o dinheiro vem da mesma fonte, o
benefício deveria ser universal. Do contrário, é indecência institucionalizada.
ALVO
O governador Marcos
Rocha segue indeciso sobre renunciar ao cargo para disputar o Senado. O
rompimento precoce com o vice criou uma armadilha perfeita. Se renuncia, fica à
mercê do sucessor e perde o peso da máquina. Se fica, enterra o projeto
senatorial e compromete as ambições eleitorais da esposa e do irmão, deputada
federal e deputado estadual. Fique ou saia, será alvo. Aliás, já é.
DEBANDADA
Nos bastidores,
coronéis do primeiro escalão ensaiam a transição para a política eleitoral,
expondo ainda mais a fragilidade do governo. Esperar lealdade absoluta de quem
sonha com carreira própria no apagar das luzes é ingenuidade — ou autoengano.
Ou Marcos Rocha impõe ordem, ou terminará o mandato sozinho, sem um único
coronel para lhe fazer companhia. A debandada é questão de tempo.
PACOTE
Enquanto finge
refletir sobre o futuro político — esse álibi clássico dos que já decidiram,
mas preferem manter o suspense — o PSD trabalha nos bastidores para fisgar o
governador Marcos Rocha, oferecendo-lhe abrigo partidário e, de quebra, a
candidatura ao Senado. Nada modesto: querem o pacote completo, Marcos Rocha e a
máquina governamental.
CETICISMO
No União Brasil,
legenda à qual Rocha ainda está formalmente filiado, a relação é tudo, menos
sólida. É um casamento sem confiança mútua, sustentado por sorrisos
protocolares e comunicados oficiais. Antônio Rueda, presidente do UB, chegou a
fazer juras públicas de lealdade ao governador — dessas que soam mais como
cláusulas de contrato mal redigido. Rocha, cético, mas educado, respondeu à
altura: palavras gentis, crença nenhuma.
DESEJADO
No PSD, o cenário é
outro. O governador circula em terreno mais confortável, embalado por um namoro
político explícito com Gilberto Kassab, presidente nacional da sigla e
especialista em transformar conveniências em projetos duradouros. Ali, Rocha
não é apenas tolerado: é desejado.
DESCONFIANÇAS
A permanência no
União Brasil, contudo, não garante absolutamente nada. Muito menos a vaga
automática ao Senado, sobretudo se houver renúncia ao cargo de governador. No
UB, promessa não vira direito adquirido; vira desconfianças. E, na política,
quem dorme confiando em juras costuma acordar sem legenda — e sem candidatura.
ENTREVISTA
Lamentavelmente, o
governador desmarcou em cima da hora a entrevista com o podcast Resenha
Política. Uma pena. Teríamos a chance de confrontar promessas e realizações
de sete anos de governo. Registramos, contudo, o empenho do chefe da Casa
Civil, que se dispôs a intermediar o encontro. O convite permanece aberto. Quem
sabe, no início do ano, o governador aceite fazer um balanço honesto da própria
gestão. A agenda de fim de ano já está fechada.
ENTREVISTA II
Em compensação,
brindaremos nossos seguidores com a excelente entrevista gravada com o prefeito
de Porto Velho, Léo Moraes. Sem filtros, sem puxa-sacos e sem roteiro
combinado. Por uma hora e dez minutos — divididos em dois programas —, o
prefeito falou de tudo: lixo, alagações, política e gestão. Não fugiu das
perguntas espinhosas. Em 360 dias, não cumpriu tudo o que prometeu, mas
entregou mais do que muitos esperavam, especialmente na saúde. Entrevista leve,
franca e bem-humorada. Vale conferir.
NATAL
A coluna e o podcast
não entrarão oficialmente em férias. Apenas um breve recesso na semana do Ano
Novo. Na seguinte, voltamos com força total. Quem se ausenta é este
cabeça-chata, que passará quinze dias com o papo pro ar nas praias paraibanas.
Feliz Natal e um Ano Novo com emoções — porque tédio, definitivamente, não
combina com política. Faço o registro de gratidão a Milton Junior,
proprietário da CesBrasil, que dá as excelentes condições tecnológicas e
de conforto para as gravações do podcast. Não há, em Porto Velho, outro estúdio
com a mesma expertise e equipamentos iguais ao da CesBrasil, gratidão.
Inté, voltaremos mais apimentados.
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