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Robson Oliveira

A debanda dos coronéis para a política, irá deixar Marcos Rocha sozinho


A debanda dos coronéis para a política, irá deixar Marcos Rocha sozinho - Gente de Opinião

PESQUISAS

As pesquisas — algumas ainda em campo, outras já devidamente tabuladas — começam a desenhar o mapa eleitoral de Rondônia para 2026, seja na disputa pelo governo, seja pelo Senado. No front do Executivo estadual, Marcos Rogério (PL) e Adailton Fúria (PSD) despontam como polos naturais da contenda. A polarização vai se consolidando e, por ora, sufoca qualquer tentativa séria de uma terceira via com musculatura política suficiente para incomodar a dupla.

ERRO

Hildon Chaves (PSDB), que tentava romper essa dicotomia, cometeu o erro clássico dos políticos inseguros: piscou. Sinalizou uma candidatura a deputado federal — e o eleitor, que não é bobo, percebeu a hesitação. Resultado: patina abaixo dos dois dígitos e esvazia sua pretensão ao governo. Ao admitir publicamente um plano B, Hildon revelou fragilidade. Na política, isso é pecado mortal. Tentou recuar e reassumir o figurino de candidato a governador, mas o estrago estava feito. Apoio não se negocia com quem vacila. E eleição não se ganha com dúvida.

SENADO

Para o Senado, o cenário é mais caótico — e, por isso mesmo, mais interessante. Muitos pretendentes, nenhum favoritíssimo. Pelas pesquisas divulgadas e pelas sondagens internas dos partidos (às quais esta coluna tem acesso), ao menos cinco pré-candidatos aparecem tecnicamente empatados. Traduzindo: as duas vagas estão escancaradas. Tudo pode acontecer, inclusive o imponderável — que, em política, costuma ser regra.

PERFIL

O maior erro de Hildon Chaves, na modesta opinião deste cabeça-chata, foi não ter se apresentado como alternativa ao Senado. Isolou-se numa candidatura solitária ao governo, deu com os burros n’água e, desnorteado, flertou com a Câmara Federal. As vagas senatoriais tendem a ganhar centralidade nesta eleição, sobretudo pela polarização nacional e pelo uso eleitoral do STF como espantalho. Hildon poderia correr por fora, com discurso moderado e perfil testado. Não lhe faltariam densidade eleitoral nem apelo, se tivesse apostado numa campanha profissional e bem digitalizada. Preferiu o isolamento. Agora, está perdido como cego em tiroteio.

CILADA

O deputado estadual Delegado Camargo caiu numa armadilha política digna de marinheiro de primeira viagem durante audiência pública na Assembleia Legislativa sobre orçamento e aumento dos soldos da tropa militar. Ao bater boca com o casal Boabaid, expôs que ainda está verde para driblar as emboscadas que a política reserva aos que ascendem rápido demais.

MEMÓRIA

Camargo, que sonha com voos mais altos, precisa conter os arroubos de delegado e exercitar com mais frequência a astúcia política. A memória que ficou daquela sessão ruidosa não ajuda quem mira uma cadeira no Senado. Política é memória — e memória não perdoa destemperos.

AMEAÇAS

O pós-audiência foi um espetáculo lamentável: ameaças, bravatas e desafios para vias de fato. Um festival de mediocridade. O deputado precisa entender que responder provocações no mesmo tom é descer ao nível dos que nada têm a perder. Ele tem. Os adversários, em sua maioria, já desperdiçaram as próprias oportunidades. O Parlamento está cheio de ex-representantes das forças de segurança de quem o eleitor não sente a menor saudade.

DESTEMPERO

Embora Camargo tenha razão em várias críticas ao comandante-geral da Polícia Militar — sobretudo no que diz respeito ao avanço das facções —, a forma importa. Sem calibragem, a crítica vira caricatura. Dá para ser oposição com firmeza, sem histeria. Com a formação intelectual que possui, o deputado deveria saber disso. O eleitor reprova pirotecnia. E costuma punir quem confunde firmeza com descontrole.

ESCÁRNIO

É louvável que autoridades concedam benefícios financeiros para um Natal mais digno aos servidores. O problema começa quando a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Contas anunciam gratificações natalinas polpudas, bancadas pelo erário, enquanto a base do funcionalismo amarga salários aviltantes. O que seria gesto nobre vira tapa na cara. Servidores da saúde e da educação, submetidos a jornadas exaustivas, receberão em um mês menos do que os “mimos” pagos a castas privilegiadas. Um escárnio monumental. Se o dinheiro vem da mesma fonte, o benefício deveria ser universal. Do contrário, é indecência institucionalizada.

ALVO

O governador Marcos Rocha segue indeciso sobre renunciar ao cargo para disputar o Senado. O rompimento precoce com o vice criou uma armadilha perfeita. Se renuncia, fica à mercê do sucessor e perde o peso da máquina. Se fica, enterra o projeto senatorial e compromete as ambições eleitorais da esposa e do irmão, deputada federal e deputado estadual. Fique ou saia, será alvo. Aliás, já é.

DEBANDADA

Nos bastidores, coronéis do primeiro escalão ensaiam a transição para a política eleitoral, expondo ainda mais a fragilidade do governo. Esperar lealdade absoluta de quem sonha com carreira própria no apagar das luzes é ingenuidade — ou autoengano. Ou Marcos Rocha impõe ordem, ou terminará o mandato sozinho, sem um único coronel para lhe fazer companhia. A debandada é questão de tempo.

PACOTE

Enquanto finge refletir sobre o futuro político — esse álibi clássico dos que já decidiram, mas preferem manter o suspense — o PSD trabalha nos bastidores para fisgar o governador Marcos Rocha, oferecendo-lhe abrigo partidário e, de quebra, a candidatura ao Senado. Nada modesto: querem o pacote completo, Marcos Rocha e a máquina governamental.

CETICISMO

No União Brasil, legenda à qual Rocha ainda está formalmente filiado, a relação é tudo, menos sólida. É um casamento sem confiança mútua, sustentado por sorrisos protocolares e comunicados oficiais. Antônio Rueda, presidente do UB, chegou a fazer juras públicas de lealdade ao governador — dessas que soam mais como cláusulas de contrato mal redigido. Rocha, cético, mas educado, respondeu à altura: palavras gentis, crença nenhuma.

DESEJADO

No PSD, o cenário é outro. O governador circula em terreno mais confortável, embalado por um namoro político explícito com Gilberto Kassab, presidente nacional da sigla e especialista em transformar conveniências em projetos duradouros. Ali, Rocha não é apenas tolerado: é desejado.

DESCONFIANÇAS

A permanência no União Brasil, contudo, não garante absolutamente nada. Muito menos a vaga automática ao Senado, sobretudo se houver renúncia ao cargo de governador. No UB, promessa não vira direito adquirido; vira desconfianças. E, na política, quem dorme confiando em juras costuma acordar sem legenda — e sem candidatura.

ENTREVISTA

Lamentavelmente, o governador desmarcou em cima da hora a entrevista com o podcast Resenha Política. Uma pena. Teríamos a chance de confrontar promessas e realizações de sete anos de governo. Registramos, contudo, o empenho do chefe da Casa Civil, que se dispôs a intermediar o encontro. O convite permanece aberto. Quem sabe, no início do ano, o governador aceite fazer um balanço honesto da própria gestão. A agenda de fim de ano já está fechada.

ENTREVISTA II

Em compensação, brindaremos nossos seguidores com a excelente entrevista gravada com o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes. Sem filtros, sem puxa-sacos e sem roteiro combinado. Por uma hora e dez minutos — divididos em dois programas —, o prefeito falou de tudo: lixo, alagações, política e gestão. Não fugiu das perguntas espinhosas. Em 360 dias, não cumpriu tudo o que prometeu, mas entregou mais do que muitos esperavam, especialmente na saúde. Entrevista leve, franca e bem-humorada. Vale conferir.

NATAL

A coluna e o podcast não entrarão oficialmente em férias. Apenas um breve recesso na semana do Ano Novo. Na seguinte, voltamos com força total. Quem se ausenta é este cabeça-chata, que passará quinze dias com o papo pro ar nas praias paraibanas. Feliz Natal e um Ano Novo com emoções — porque tédio, definitivamente, não combina com política.  Faço o registro de gratidão a Milton Junior, proprietário da CesBrasil,  que dá as excelentes condições tecnológicas e de conforto para as gravações do podcast. Não há, em Porto Velho, outro estúdio com a mesma expertise e equipamentos iguais ao da CesBrasil, gratidão.  Inté, voltaremos mais apimentados.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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