Terça-feira, 26 de maio de 2026 - 11h05

OBSTRUÇÃO
A concessionária Nova
364 comete mais um abuso flagrante ao instalar um guard-rail fechando o acesso
de uma estrada vicinal à rodovia 364. De forma ardilosa, tenta impedir que os
colonos da linha no Candeias que utilizem um ramal essencial, violando o
direito constitucional de ir e vir. Essa imposição absurda força os moradores a
dar enormes voltas para acessar a rodovia, visando exclusivamente pagar o
pedágio injustamente para escoar sua produção.
ABUSO
Tal prática não é
apenas uma afronta à dignidade dos trabalhadores rurais, mas um claro abuso de
poder e ganância desmedida da concessionária. Enquanto os casos de abuso se
multiplicam, as autoridades permanecem omissas, permitindo que a ganância pela
arrecadação siga voltando as costas para os direitos e o bem-estar da população
local. É urgente que se ponha um limite a essa exploração descarada e se
restabeleça o direito básico dos cidadãos de acessarem suas terras sem
obstáculos abusivos. Nova 364 dar de ombros a uma bancada federal
leniente com os abusos.
FARRA
O número de
comissionados nos gabinetes na Assembleia Legislativa de Rondônia já não cabe
mais nem no discurso moralista de ocasião, muito menos dentro do prédio.
Segundo reportagem do ICL Notícias, cada deputado estadual rondoniense
dispõe de impressionantes 93 assessores. Multiplique pelos 24 parlamentares e o
resultado é um pequeno exército pendurado no erário, segundo a reportagem. Uma
infantaria burocrática bancada pelo contribuinte num estado em que falta
médico, remédio, leito e vergonha institucional.
LOTAÇÃO
Se um dia resolverem convocar simultaneamente todos os comissionados para
expediente presencial, o prédio da Assembleia provavelmente experimentará
aquilo que a Defesa Civil chama de colapso operacional. Não cabe. Simples
assim. Os corredores virariam uma procissão de crachás, celulares e cafezinhos.
Gente demais para espaço de menos. Assessores demais para explicação nenhuma.
PERDULÁRIO
A desproporção assusta porque Rondônia não é São Paulo, não é Minas Gerais, não
é Rio Grande do Sul. É um estado com pouco mais de 1,5 milhão de habitantes,
infraestrutura precária e uma saúde pública frequentemente de joelhos. Ainda
assim, de acordo com o site ICL, sustenta uma das estruturas parlamentares mais
inchadas do país. Um legislativo caro, capenga e perdulário.
INSTRUMENTALIZAÇÃO
O dado revela mais
que excesso administrativo. Revela um modelo político assentado no loteamento
silencioso da máquina pública. Os gabinetes deixaram há muito de funcionar
apenas como suporte técnico parlamentar. Tornaram-se moedas de acomodação
política, cabides multifuncionais e instrumentos eleitorais permanentes. Em
muitos casos, a folha de pagamento parece funcionar como extensão da campanha.
SILÊNCIO
O mais eloquente
talvez nem seja o número absurdo de assessores, mas o silêncio posterior.
Instada pelo portal a explicar a estrutura descomunal, a Assembleia Legislativa
respondeu com aquilo que a velha política domina como poucas instituições:
silêncio sepulcral. Não houve justificativa plausível, argumento técnico ou
demonstração objetiva de necessidade funcional. Apenas o vazio. E o vazio, em
política, costuma ser confissão sem ata.
PRIVILÉGIOS
Enquanto isso, o
cidadão peregrina entre corredores superlotados de UPAs, filas intermináveis e
hospitais incapazes de absorver a demanda crescente. Falta tudo na saúde:
profissionais, insumos, gestão, planejamento e dinheiro. Mas aparentemente
sobra orçamento para manter gabinetes hipertrofiados.
RUPTURA
O problema não é apenas
quantitativo. É moral. Porque em qualquer democracia minimamente saudável,
estruturas públicas precisam guardar coerência com a realidade econômica e
social da população que as sustenta. Quando o custo da política cresce numa
velocidade muito superior à capacidade do estado de entregar serviços básicos,
instala-se uma ruptura de legitimidade. O contribuinte deixa de enxergar
representação e passa a enxergar parasitismo institucional.
EXPLICAÇÃO
No entanto, a
pergunta permanece sem resposta: o que exatamente justifica 93 assessores por
deputado estadual em Rondônia? Até agora, ninguém teve coragem de explicar. Ou
talvez saibam que não existe explicação capaz de sobreviver. É verdade também
que as últimas gestões não se envolveram em escândalos que mancharam o Poder
Legislativo Estadual num passado recente, mas não pode ser pesado, perdulário e
inchado. Há que haver um equilíbrio.
SURDINA
Na calada das
distrações nacionais, a Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica,
mais uma minirreforma eleitoral. Dessas feitas sem barulho para não despertar o
eleitor contribuinte que financia a festa. O texto afrouxa mecanismos de
fiscalização, flexibiliza prestações de contas e amplia zonas cinzentas no uso
dos recursos públicos despejados nos partidos. Em nome da “desburocratização”,
cria-se um ambiente onde o dinheiro circula com menos rastreabilidade e mais
conveniência política.
BLINDAGEM
A lógica é simples:
campanhas cada vez mais caras, fundos bilionários e partidos interessados em
reduzir o alcance da lupa da Justiça Eleitoral. Não por acaso, a aprovação
ocorreu de forma simbólica, expediente perfeito para diluir responsabilidades e
esconder digitais. A bancada federal de Rondônia, como quase todo o plenário,
não ergueu barricadas contra a frouxidão. O discurso oficial fala em
modernização; nos bastidores, o objetivo é blindagem.
DECRATIVA
O projeto agora segue
para o Senado, onde o teste será saber se ainda existe algum resquício de
compromisso com transparência ou se Brasília já decidiu transformar fiscalização
eleitoral em mera peça decorativa.
MASTER
O bolsonarismo
rondoniense talvez esteja vivendo, pela primeira vez desde 2018, algo próximo
de um constrangimento político. Não chega a ser ainda uma debandada. Muito
menos um colapso eleitoral. Mas já não se percebe nas trincheiras digitais da
direita local o mesmo fervor messiânico de semanas atrás. O caso Master lançou
sobre o PL uma névoa incômoda, dessas que não derrubam imediatamente um projeto
de poder, mas tiram dele a pose de invencibilidade.
MENTIRA
A pré-candidatura
presidencial de Flávio Bolsonaro entrou num terreno pantanoso após os diálogos
envolvendo suas relações ainda nebulosas com Varcaro, apontado como um dos
maiores operadores do submundo financeiro do país. O problema político não foi
apenas o conteúdo das revelações. Foi a sequência de versões. Negou-se o
recebimento de recursos do grupo Master para, depois, a realidade ir
desmanchando o discurso aos poucos, como reboco velho em parede úmida.
ACUADOS
Em política, o
eleitor até tolera escândalos; o que costuma corroer reputações é a sensação de
mentira mal contada. A bolha bolsonarista de Rondônia, acostumada há anos a
operar no ataque - sobretudo apontando os dedos para os pecados do lulismo -
foi surpreendida na defensiva. E militância acuada perde agressividade.
BARRICADAS
Ainda há urros,
claro. Ainda existem os grupos de WhatsApp funcionando como pequenas barricadas
emocionais do conservadorismo amazônico. Mas já não se vê a mesma artilharia
cerrada. O discurso perdeu espontaneidade. Tornou-se burocrático, repetitivo,
protocolar.
SATISFAÇÃO
Nesse ambiente
aparece o senador Marcos Rogério, talvez o rosto mais identificável do
bolsonarismo em Rondônia. Nacionalmente, atua quase como um intérprete oficial
da direita radicalizada. Defendeu Flávio Bolsonaro, mas sua defesa soou mais
como obrigação partidária do que convicção combativa. Uma nota fiscal
ideológica emitida para satisfazer a bolha.
RISCO
O problema de Marcos
Rogério, contudo, não está dentro do eleitorado conservador. Este continua
majoritário em Rondônia e segue inclinado a votar em candidatos alinhados à
direita. O risco mora fora da bolha. Para vencer uma eleição estadual, não
basta incendiar os convertidos. É preciso seduzir parcelas do centro político,
setores pragmáticos, eleitores menos ideológicos e mais sensíveis à percepção de
estabilidade, equilíbrio e credibilidade.
BOLHA
E é justamente nesse
território que a fumaça do caso Master pode produzir estragos. Porque desta vez
Marcos Rogério não atravessará a eleição sozinho no campo conservador. Adailton
Fúria e Hildon Chaves surgem como adversários robustos. Ambos carregam um ativo
raro na política brasileira contemporânea: boa avaliação administrativa em suas
bases municipais. São gestores que conseguiram construir imagem de eficiência
prática, algo que frequentemente vale mais que fidelidade ideológica pura.
CENÁRIO
Hildon representa uma
direita mais técnica, menos estridente, capaz de dialogar com setores
empresariais e urbanos sem recorrer permanentemente ao radicalismo emocional
das redes sociais. Já Fúria encarna o gestor popular do interior, com forte
apelo regional e discurso de ação administrativa. Nenhum dos dois depende
exclusivamente do bolsonarismo raiz para sobreviver politicamente. É aí que o
cenário complica para Marcos Rogério.
MIGRAÇÃO
Se o bolsonarismo nacional entra em desgaste moral ou narrativo, ainda que
parcial, abre-se espaço para uma migração silenciosa de eleitores conservadores
em direção a candidaturas de direita menos contaminadas pelos escândalos
nacionais. O eleitor de direita pode continuar sendo de direita sem
necessariamente desejar carregar junto todo o desgaste da família Bolsonaro.
DEFENSIVA
E campanhas estaduais
possuem dinâmica própria. Quando começarem os debates, o caso Master
dificilmente ficará restrito aos telejornais nacionais. Debate eleitoral é
palco cruel para quem entra obrigado a explicar, justificar ou negar. Quem
passa tempo demais se defendendo perde a oportunidade de propor. E o eleitor
percebe fragilidades com rapidez quase instintiva.
CRÍTICA
Há ainda um
componente comportamental que pesa sobre a trajetória eleitoral de Marcos
Rogério e que volta lentamente ao centro das conversas políticas. Na eleição
passada, foi muito criticado pela postura de autossuficiência política, como se
não precisasse dialogar amplamente com outras forças. A impressão deixada em
muitos setores foi a de arrogância. E foi.
ESCORREGO
Nos últimos meses, o
senador pareceu compreender parcialmente esse desgaste. Fez movimentos de
autocrítica, suavizou o tom, tentou reduzir a imagem professoral de quem
frequentemente fala olhando o interlocutor de cima para baixo, como um
examinador oral diante de alunos obrigados ao silêncio reverencial. Houve um
esforço visível de humanização política. E por algum tempo isso funcionou. Mas
a pré-campanha voltou a escorregar justamente nos mesmos erros de 2022.
BELIGERÂNCIA
O entorno político de
Marcos Rogério retomou uma postura beligerante, marcada por uma arrogância
militante que repele aliados potenciais e estimula confrontos desnecessários. A
sensação transmitida para quem observa de longe é a de um grupo que prefere
guerrear a agregar. E campanhas majoritárias raramente vencem apenas com
trincheiras digitais e fiéis inflamados.
CONVERTIDOS
O problema da
arrogância em política é que ela produz isolamento. O eleitor comum tolera
firmeza; o que costuma incomodar é a soberba travestida de convicção moral.
Quando uma campanha passa a tratar divergência como heresia e crítica como
inimigo interno, ela acaba falando apenas para os próprios convertidos.
PERFIL
E Rondônia de 2026
não parece ser um terreno de passeio para ninguém. Há adversários competitivos,
gestores bem avaliados e um eleitorado conservador que, embora majoritário,
pode perfeitamente optar por candidaturas de direita menos tensionadas
ideologicamente e mais abertas ao diálogo político.
CONVENCIMENTO
No fim, campanhas não
desmoronam apenas por escândalos nacionais. Muitas vezes começam a perder
densidade quando deixam escapar a capacidade elementar da política: ouvir sem
hostilidade, dialogar sem arrogância e compreender que voto não é ato de
submissão, mas de convencimento. Marcos Rogério sabe disso tudo e ainda tem um
recall interessante para garantir-lhe hoje uma vaga ao segundo turno. O
problema é que a eleição é em outubro e até lá cada erro é gol contra. Os dois
principais adversários ( Hildon e Fúria) também não terão vida fácil e são
obrigados e antagonizar com o senador para que ele não fuja do radar. Quem
errar menos e agregar mais terá mais chance do êxito.
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