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Robson Oliveira

Léo Moraes é o prefeito mais popular da história recente de Porto Velho


Léo Moraes é o prefeito mais popular da história recente de Porto Velho - Gente de Opinião

DEBILIDADE
Ao admitir que o Podemos, isoladamente, não possui musculatura eleitoral para sustentar um projeto competitivo ao Governo de Rondônia, o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, acaba reconhecendo — ainda que de forma involuntária — que seu nome não empolgou o eleitorado como alternativa real à polarização entre Marcos Rogério (PL) e Adailton Fúria (PSD). A história recente das eleições rondonienses demonstra que vitórias ocorreram mais pela força pessoal dos candidatos do que pela densidade partidária, como nos casos de Léo Moraes e Marcos Rocha. Essa ausência de capilaridade estadual revela menos sobre o partido e mais sobre a debilidade eleitoral de Flori fora do Cone Sul.

ALTERNATIVA
É possível, em tese, que Flori reúna forças para se apresentar como alternativa viável ao governo. Contudo, até aqui, suas movimentações não demonstraram a mesma robustez política que construiu como gestor municipal. Trata-se, sem dúvida, de um nome emergente, porém ainda restrito a uma influência territorial limitada. Daí a necessidade de ancorar sua pretensão no apoio “incondicional” do prefeito da capital, Léo Moraes. Apoio que, por si só, não faz milagre.

TRANSFERÊNCIA
Léo Moraes é, indiscutivelmente, o prefeito mais popular da história recente de Porto Velho, superando, ao menos por ora, a figura carismática de Chiquilito Erse. O eleitor da capital aprova, elogia e vibra com sua gestão. Isso, entretanto, não significa que o candidato por ele indicado ao governo será automaticamente sufragado nas urnas. O eleitor porto-velhense ainda conserva o hábito — cada vez mais raro no país — de pensar antes de votar.

COMPLEXIDADE
Tradicionalmente, Porto Velho abriga o eleitorado mais complexo e imprevisível do estado, aquele que costuma decidir o voto nos estertores da campanha. A transferência de votos nesse colégio eleitoral é tarefa árdua, mesmo para um cabo eleitoral de luxo como Léo Moraes. Seu apoio é valioso, mas não ilimitado. Dados aos quais a coluna teve acesso indicam que essa transferência tem teto. Flori precisará, além do endosso do prefeito da capital, conquistar o eleitor por méritos próprios, sob pena de permanecer como liderança regional bem avaliada, porém confinada ao Cone Sul.

XERIFE
A postura de ex-delegado da Polícia Federal de Flori Cordeiro, notadamente quando comandava operações de combate à corrupção em prefeituras acusadas de mau uso de recursos federais, ainda ecoa com desconforto entre atores políticos de Rondônia. Em conversas reservadas com este cabeça-chata, diversos detentores de mandato demonstraram receio do estilo “xerifão” que, segundo eles, permeia a relação do prefeito de Vilhena com aliados e correligionários. Na política, excesso de rigidez costuma gerar mais resistência do que respeito.

JURISDIÇÃO
Na entrevista ao site Rondônia dinâmica , Flori também afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro seria vítima de perseguição política por estar sendo julgado em instância que, segundo sua interpretação, não seria a competente. Para o prefeito, os atos denunciados pelo Ministério Público Federal deveriam tramitar na primeira instância, e não sob a jurisdição do Supremo Tribunal Federal.

LAWFARE
Flori classifica o caso como típico exemplo de lawfare, termo utilizado para caracterizar o uso do aparato jurídico como instrumento de perseguição política e destruição de reputações. Curiosamente, é o mesmo conceito aplicado à atuação do ex-juiz Sérgio Moro, quando este utilizava métodos heterodoxos para aniquilar réus sob sua jurisdição. Embora defenda um julgamento justo para Bolsonaro, Flori silencia sobre o mérito das acusações que resultaram em condenações. Como delegado, interpretava a lei de forma restritiva; como político, passou a enxergá-la com elástica conveniência.

PODCAST
Neste sábado, no podcast Resenha Política, este cabeça-chata entrevista, pela primeira vez, o prefeito Flori Cordeiro na condição de pré-candidato ao governo do estado. Será a oportunidade de conhecer suas propostas para os problemas de Rondônia e entender como ele pretende estruturar uma candidatura estadual. A entrevista promete — inclusive contradições.

JUCER
A coluna recebeu inúmeras denúncias contra a Junta Comercial de Rondônia (Jucer) pela inoperância nos serviços básicos. Apesar da propaganda oficial que exalta uma suposta excelência no atendimento em 2025, o início de 2026 tem sido um suplício para quem empreende. Alterações de pessoa jurídica e novos registros enfrentam lentidão extrema, impedindo a emissão de notas fiscais e travando negócios. O discurso institucional é exatamente o oposto da prática. Trata-se de um órgão vital para a economia estadual, hoje administrado com ineficiência. As plataformas digitais existem, mas não funcionam. O Estado adora arrecadar, mas continua péssimo em reduzir a burocracia que ele próprio cria.

MEDICINA
Os cursos de Medicina que obtiveram notas medíocres no exame nacional que avalia a formação dos futuros médicos escancaram uma tragédia anunciada: a proliferação irresponsável dessas graduações sem condições mínimas de funcionamento. Em Rondônia, à exceção da Universidade Federal, as demais instituições apresentaram resultados constrangedores e devem sofrer sanções severas. É inexplicável a existência de um curso de Medicina sem hospital universitário adequado para a prática clínica. Com mensalidades exorbitantes, tais cursos funcionam menos como centros de ensino e mais como máquinas de encher os bolsos de seus proprietários com gordos caraminguás. O Conselho Medicina ameaça não conceder os registros, mas precisa na prática se antecipar a calamidade antes que a população seja a vítima.

 CONSUMADO
Quando a BR-364 ainda era promessa de concessão, a bancada federal de Rondônia praticou seu esporte preferido: o silêncio cúmplice. Não houve audiência barulhenta, denúncia formal nem bravata em Brasília. Agora, com o pedágio instalado, caro e operando como relógio suíço, só que cobrando em real amazônico, os mesmos parlamentares descobriram a indignação tardia. Gritam para as redes sociais, não para os autos. A crítica virou performance, porque denunciar antes exigia trabalho; reclamar depois rende curtida nas redes sociais e enrolação eleitoral. 

OMISSÃO
O pedágio virou fato consumado e, com ele, nasceu uma oposição de conveniência. A bancada que deveria ter fiscalizado, pressionado o edital e enfrentado a concessão quando ainda era reversível, agora posa de defensora do povo, como se tivesse sido pega de surpresa no acostamento. É o velho truque: deixam a porteira fechar para, em seguida, berrar contra o cadeado. O contribuinte paga a tarifa; os parlamentares pagam apenas o preço da própria omissão, ainda assim parcelado em discursos vazios.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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