Terça-feira, 3 de fevereiro de 2026 - 08h30

FILIAÇÃO
A filiação do
governador Marcos Rocha ao PSD já era esperada, sobretudo após o convite formal
feito por Expedito Júnior e sacramentado em reunião em São Paulo. A
movimentação sinaliza não apenas uma troca partidária, mas um reposicionamento
estratégico: Rocha leva consigo prefeitos e quadros do União Brasil, esvaziando
a legenda que o abrigou e fortalecendo o PSD como novo polo de poder no estado.
ESPECULAÇÃO
Com a filiação
consumada, ressurgiram especulações sobre um eventual retorno de Rocha ao
tabuleiro como pré-candidato ao Senado. Embora abril seja o prazo fatal para
desincompatibilização e decisões definitivas, a tendência mais realista é que
ele permaneça no cargo até o final do ano, alimentando o jogo duplo que costuma
manter aliados mobilizados e adversários em alerta.
AÇODADOS
A relação entre
Marcos Rocha e o vice Sérgio Gonçalves deteriorou-se de forma acelerada, fruto
de decisões precipitadas, vaidades mal administradas e o combustível
inesgotável das fofocas palacianas. Faltou a ambos o básico instinto de
autopreservação política: quando não se controla o entorno, o entorno controla
o governo.
NOMINATA
Ainda que uma
candidatura ao Senado pareça improvável ou arriscada neste momento, a ida ao
PSD tem outro objetivo: robustecer a nominata estadual e federal. Com mais
nomes competitivos, o partido amplia o acesso ao fundo eleitoral e ao tempo de
propaganda, transformando estrutura em musculatura — e musculatura, em poder.
CÁLCULO
A aliança com o PSD
pode render ao grupo pelo menos três das oito vagas da bancada federal de
Rondônia, número que pode crescer dependendo das migrações partidárias nas
próximas semanas. Trata-se de cálculo frio: bancada significa emendas,
influência e sobrevivência política em Brasília.
FADIGA
Enquanto não vier a público uma pesquisa séria e metodologicamente confiável, é
temerário arriscar prognósticos sobre o eventual desgaste que a filiação do
governador Marcos Rocha ao PSD poderá impor ao projeto eleitoral de Adailton
Fúria, pré-candidato lançado pela legenda. Qualquer leitura, por ora, não passa
de especulação — ainda que o governo já dê sinais visíveis de fadiga
administrativa e política.
MICO
A história eleitoral ensina que nem sempre a engrenagem da máquina estatal é
suficiente para fabricar um sucessor, sobretudo quando a rejeição supera a
aprovação. A próxima rodada de pesquisas, feita por instituto respeitável,
deverá indicar se a adesão de Rocha ao PSD foi um movimento estratégico bem
calculado ou apenas um mico eleitoral que pode comprometer, antes mesmo da largada,
as pretensões de Fúria.
PESO
O União Brasil, que
surfou bem na última eleição, agora enfrenta anemia interna. Fora Maurício
Carvalho, nenhum outro parlamentar federal parece disposto a assinar ficha na
legenda. E quem está quer sair. Os Carvalho contam apenas com a aliança dos
Gonçalves, que, sem capital político ou estrutura própria, pouco somam.
TÔNICO
A eventual filiação de Hildon Chaves ao UB funcionaria como tônico eleitoral:
tonifica o partido e anaboliza a pré-candidatura do ex-prefeito. Como dizia o
velho senador mineiro Magalhães Pinto, política é como nuvem…
FRACASSO
Hildon Chaves, por
outro lado, enfrenta dificuldades caso insista em permanecer no PSDB.
Pendências financeiras e a fragilidade do elenco partidário podem inviabilizar
o projeto eleitoral. Sem nominata forte, candidatura majoritária vira barco sem
remo.
CONDOMÍNIO
O PL tem nomes fortes
demais — e isso, paradoxalmente, espanta novas filiações. O partido virou
condomínio de candidatos competitivos, onde poucos querem entrar sem garantia
de vaga. Lúcio Mosquini, até agora, é o único cogitando filiação com mais
determinação. No PL o tom extremado das falas soa bem ao eleitor.
CONVITE
A deputada Cristiane
Lopes pode seguir o mesmo caminho de Mosquini e filiar-se ao PL, seduzida pela
promessa de uma vice. Mas há também quem deseje que Hildon aceite ser vice de
Marcos Rogério. Nesse desenho, Lopes perderia a primazia e o PL avançaria na
capital com o ex-prefeito. Já que Léo Moraes sinaliza com projeto próprio.
LIDERANÇA
O Podemos, sob a
presidência de Léo Moraes, conta com o deputado federal Fera e aposta na
filiação de ex-prefeitos do interior e policiais com apelo popular. Ainda
assim, terá de ralar para ampliar a bancada. Na configuração atual, Fera segue
como o nome mais sólido para manter a vaga. O peso eleitoral do prefeito da
capital é um ativo decisivo para o crescimento do partido.
PRAZOS
Nos próximos 40 dias,
a janela partidária abrirá espaço para trocas sem perda de mandato. Mas a
maioria dos políticos esperará até o último minuto — não por estratégia, mas
por medo: em Rondônia, traição é esporte e confiança é artigo em extinção.
DIFICULDADES
Fernando Máximo e
outros deputados enfrentam desafios consideráveis em suas nominatas. Máximo
parece o mais próximo de migrar para o PL uma vez que é encaixe perfeito na
chapa majoritária liderada pelo senador Marcos Rogério.
DONATÁRIOS
A família Carvalho
domina o União Brasil e o Republicanos como se fossem capitanias hereditárias.
Mas o risco é evidente: com a migração de nomes fortes, o eleitorado pode
migrar junto. Mariana Carvalho é a mais bem posicionada para uma vaga federal,
porém ainda carece de uma nominata competitiva que a carregue sem sobressaltos.
364
Por mais escandalosas
que sejam as tarifas do pedágio na BR-364, nada justifica o fechamento da única
via de acesso à capital. Anos atrás, a rodovia foi palco de protestos extremistas,
pedidos de golpe e delírios autoritários, sem que as autoridades agissem com o
rigor necessário. Agora, quando o bolso é atingido, surge a indignação
seletiva.
ORDEM
Ao que parece, um
magistrado decidiu impor limites à esculhambação e restaurar a ordem mínima.
Multas pecuniárias já não bastam: é preciso ação mais gravosa para conter
futuros bloqueios. Fechar a única via de acesso à capital é insano e criminoso.
Não tardará para aparecer político gravando vídeos para redes sociais
defendendo essa empulhação de bandoleiros. Pelo voto, vale tudo — até flertar
com o caos.
REFIS
Com o novo Refis,
grandes empresas poderão quitar débitos fiscais sem as multas escorchantes
adicionadas ao passivo. O refinanciamento ajuda também os municípios, que vivem
no vermelho: o projeto aprovado concede uma fatia da arrecadação às
prefeituras. Não é novidade no estado — Porto Velho lançou medida semelhante no
início do ano com relativo sucesso. Quem critica o faz por oportunismo porque o
refis é algo corriqueiro na vida fiscal do inadimplente seja empresarial, seja
pessoa física. Aliás, já fiz uso desta graça fiscal.
CAPTURA
O PDT de Rondônia, que já foi legenda vibrante nos tempos de Brizola, virou uma
espécie de extensão das propriedades políticas de Acir Gurgacz. O partido
encolheu ano após ano até se tornar quase invisível no cenário eleitoral. Não
tem mais prefeito, deputado estadual, senador ou deputado federal, e vereador
virou artigo de luxo. A sigla, que deveria ser instrumento coletivo, parece
reduzida a um patrimônio privado. O resultado é um PDT apequenado, sem
musculatura e sem renovação. Um partido que perdeu o rumo e a relevância na
política rondoniense.
CORONEL
Acir insiste em manter o PDT como legenda nanica, fechada, sem abrir espaço
para novos nomes que possam oxigenar a estrutura. O ex-candidato a prefeito da
capital, Célio Lopes, por exemplo, tem dito que está de malas pronta para
desembarcar do PDT exatamente por não concordar com o rumo que o partido tem
adotado.
DÉSPOTA
A presidência se
comporta como um regime de veto permanente, sufocando lideranças emergentes.
Assim, o partido vai perdendo filiados, preso ao passado e ao autoritarismo de
comando. A direção do PDT não aceita ser contrariada, é o que dizem
pedetistas a coluna sob promessa do anonimato. O PDT nacional está em crise.
PREGÃO
O alerta feito pelo
site TUDORONDONIA aos órgãos de controle, especialmente ao
Ministério Público do Trabalho, sobre o pregão eletrônico para contratação de
transporte inter-hospitalar expõe um cenário que, se confirmado, beira o
escândalo administrativo. O que está em jogo não é apenas uma licitação
rotineira, mas a possível institucionalização da supressão de direitos
trabalhistas mínimos, viabilizada por flexibilizações indevidas de normas
legais e editalícias.
EXPLORAÇÃO
A aceitação de
propostas baseadas na compressão artificial de custos levanta suspeitas graves:
como oferecer um serviço especializado, com mão de obra qualificada, sem que
alguém pague a conta — e quase sempre quem paga é o trabalhador. Não é admissível
cortar salários de uma atividade vital à saúde pública quando há pisos e
direitos estabelecidos em lei que não podem ser flexibilizados. Enquanto o
profissional é explorado, a empresa aufere em tese os lucros da exploração.
Alô, órgãos de controles.
PODCAST
No episódio de hoje
(terça-feira), do podcast Resenha Política, Hildon Chaves confirma
sua intenção de disputar o governo, evitando críticas ao sucessor. O silêncio,
nesse caso, não é elegância: é cálculo. Em ano eleitoral, evitar bola dividida
é a regra. A entrevista vai ao ar neste terça-feira, no canal ‘YouTube’ resenha
política, às nove horas. Ao que parece, Chaves começa a gostar do cenário
estadual e ensaiar de vez a pré-candidatura a governador. Quem tem acesso a
pesquisa interna sobre as eleições estaduais têm noção para onde o vento começa
a soprar.
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