Terça-feira, 14 de abril de 2026 - 09h45

CENÁRIO
A eventual
confirmação das pré-candidaturas ao Senado por Rondônia, nas convenções
partidárias, desenha um quadro fragmentado, competitivo e fortemente
influenciado pela polarização nacional - ainda que com dinâmicas próprias do
eleitorado rondoniense, historicamente avesso à soberba e sensível a discursos
de identificação direta. Senão vejamos:
ALEXANDRE MÁXIMO (PL)
Campeão de votos na
eleição passada e líder momentâneo nas sondagens, Alexandre Máximo entra na
pré-campanha sob o risco clássico do “já ganhou”. Trata-se de um comportamento
que, em outras disputas no estado, mostrou-se fatal. A antecipação da vitória costuma
produzir efeitos colaterais conhecidos: excesso de confiança, distanciamento do
eleitor e uma percepção de arrogância que o rondoniense tende a punir nas
urnas.
EXEMPLOS
O histórico político
rondoniense é pródigo em exemplos de líderes precoces que sucumbiram na reta
final exatamente por essa desconexão. Máximo, ao que tudo indica, flerta com
esse mesmo roteiro.
POSTURA
A vaidade inflada por
pesquisas ainda distantes do pleito (seis meses) pode cegá-lo estrategicamente.
Se não recalibrar discurso e postura, corre o risco de transformar vantagem
inicial em vulnerabilidade. Chagas Neto, Amir Lando, Odacir Soares, Valdir
Raupp, Expedito Junior, Moreira Mendes e, por último, Mariana Carvalho,
lideraram até as últimas pesquisas divulgadas, com as urnas abertas, levaram
sova. Se Máximo não cuidar repete a mesma sina e salva apenas o gorro que leva
na cabeça como indumentária eleitoral.
BRUNO SCHEID (PL)
Bruno Scheid aparece
como um nome em ascensão relativa, embora ainda pouco conhecido do grande
eleitorado. Sem experiência eleitoral e com presença ainda incipiente nas
mídias tradicionais e digitais, sua comunicação carece de maturidade política.
Suas peças nas mídias digitais, do ponto de vista eleitoral, não convence nem
quem as produziu.
MONOCÓRDIO
O discurso é
fortemente ancorado em pautas ideológicas nacionais, especialmente a defesa da
anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos envolvidos nos atos de 8 de
janeiro. Trata-se de uma narrativa monocórdica, com baixa conexão direta com
demandas regionais de Rondônia. Rondônia, que é a unidade federativa que se
propõe a representar no Senado, aparece de forma lateral. E quando lembram
colocar.
AJUSTE
Ainda assim, Scheid
não deve ser subestimado. Existe uma parcela consistente do eleitorado estadual
que responde positivamente a esse tipo de discurso, sobretudo em um ambiente
polarizado e majoritariamente conservador. Caso consiga ajustar minimamente sua
comunicação e incorporar temas locais, pode crescer. Se vier a ser moldado
diretamente por uma estratégia nacional bolsonarista, tende a ganhar
competitividade.
MARIANA CARVALHO
Carregando a
conhecida pecha de “cavalo paraguaio”, Mariana Carvalho entra na disputa
tentando reverter um histórico de desempenho irregular. Diferentemente de
eleições anteriores, desta vez enfrenta um ambiente mais hostil aos políticos
tradicionais, o que pode paradoxalmente favorecer uma reinvenção de sua imagem.
EQUILÍBRIO
Há sinais de
aprendizado após sucessivas derrotas. A tendência é de uma campanha mais leve,
menos baseada em estruturas de poder e mais focada em conexão com o eleitor.
Inserida em um grupo político experiente, pode se beneficiar de uma estratégia
mais equilibrada.
IMAGEM
O principal desafio
da filha de Aparício Carvalho está na comunicação: ajustar tom, postura e percepção
pública - inclusive aspectos como a forma de se expressar que é excessivamente
infantilizado - para evitar ruídos que comprometam sua imagem de liderança. Se
mantiver consistência e humildade, tem espaço real de crescimento.
LUÍS FERNANDO (PSD)
Ex-secretário de
Finanças do estado, Luís Fernando representa o perfil técnico em uma disputa
dominada por políticos profissionais. Sem experiência eleitoral, inicia a
corrida com baixa notoriedade junto ao eleitorado, o que é simultaneamente um
obstáculo e uma oportunidade. Por um lado, a ausência de histórico em urnas
pesa. Por outro, sua trajetória administrativa - marcada por um perfil técnico
que elevou Rondônia a um percentual sólido do pleno emprego e pagamento
em dia do funcionalismo - pode gerar identificação com eleitores preocupados
com gestão e resultados concretos.
COLA
Como seu discurso
tende a focar em economia, emprego e desenvolvimento, temas relevantes, mas que
nem sempre mobilizam emocionalmente o eleitor. A estratégia de colar sua imagem
a uma candidatura majoritária competitiva, como a de Adailton Fúria ao governo,
pode ser decisiva para ganhar impulso. É um cara carismático, didático nos
temas que aborda e de uma vida funcional impecável. É uma candidatura a ser
observada até porque surgiu por iniciativa do próprio ex-chefe, o governador
Marcos Rocha. Falta-lhe traquejo político e sobra-lhe uma boa lábia em política
é um bom começo.
Assis Gurgacz (PDT)
O ex-senador Acir
Gurgacz surge como o nome mais visível do campo progressista, embora sua candidatura
ainda deva ser escrutinada pela Justiça Eleitoral, é um nome forte entre os
apoiadores de Lula. Após período de inelegibilidade, retorna sob contestação, o
que deve marcar toda a fase pré-eleitoral. Mas tem apresentado uma certidão que
alega estar quites com as obrigações eleitorais e apto para as eleições.
PREFERÊNCIA
De perfil reservado e
personalidade firme, não é conhecido pela proximidade com o eleitor que gosta
de pegar a mão do candidato. Ainda assim, seu desempenho anterior no Senado não
é considerado irrelevante, o que lhe garante algum capital político. Em um
cenário de polarização, pode se beneficiar de um eventual voto útil da
esquerda, mesmo entre eleitores que não o têm como primeira opção.
RENÚNCIA
Caso o senador
Confúcio Moura (MDB) decida não disputar a reeleição, conforme revelou a
coluna, Gurgacz também poderá ser favorecido com parte do eleitorado de centro
e de direita não alinhados aos extremismos, que ficarão órfãos com a
desistência do senador emedebista.
LUCIANA OLIVEIRA (PT)
Esta representa o
segmento mais ideológico da disputa. Jornalista, com forte presença digital e
preparo intelectual reconhecido, construiu trajetória na militância social. Seu
posicionamento é claro e pouco flexível, especialmente em pautas progressistas
que confrontam o conservadorismo predominante no estado.
TERMÔMETRO
Essa coerência da
pré-candidata petista pode ser virtude ou limitação eleitoral. Não se apresenta
como candidata de conciliação, mas de enfrentamento - o que tende a mobilizar
nichos específicos. Sua candidatura também funciona como termômetro da capacidade
de expansão da esquerda em um ambiente historicamente adverso.
NEIDINHA SURUY (PSB)
Neidinha, por sua
vez, combina uma imagem serena com atuação firme em pautas socioambientais e
indígenas. Apesar da postura tranquila, é reconhecida também nos fóruns nacionais
e internacionais por posicionamentos contundentes quando necessário.
DESAFIO
Sua presença na
disputa adiciona diversidade ao debate, especialmente em temas ligados à
Amazônia e aos povos originários. O desafio será transformar reconhecimento em
votos, ampliando sua visibilidade para além de nichos específicos.
Especialmente num estado forte no Agronegócio e mais forte ainda na
intolerância contra tudo relativo ao Meio Ambiente e Populações Originárias.
Nilton Oliveira
(PSDB)
Vereador da capital e
policial penal, Nilton Oliveira se apresenta como uma candidatura de perfil
conciliador em um ambiente dominado pela polarização. Afirma não se alinhar nem
à esquerda nem à direita, posicionando-se como alternativa centrada no debate
dos interesses diretos de Rondônia.
DESCONFIANÇA
Há, contudo,
desconfianças no meio político quanto à consistência de sua pré-candidatura -
vista por alguns como estratégia para viabilizar espaço em nominatas
proporcionais. Ele rejeita essa leitura e sustenta que está na disputa para
vencer.
MODERAÇÃO
Sua aposta reside
justamente no discurso de moderação, algo que pode tanto atrair eleitores
cansados do embate ideológico quanto esbarrar na realidade de um eleitorado
que, em grande medida, ainda responde à lógica da polarização. Sua viabilidade
dependerá da capacidade de transformar o discurso conciliador em identificação
concreta com o eleitor.
SÍLVIA CRISTINA (UB)
A deputada federal
Sílvia Cristina foi uma das primeiras a se lançar na disputa, o que demonstra
planejamento e intenção clara de protagonismo. Com atuação destacada na área da
saúde, construiu uma base eleitoral transversal, sendo bem avaliada por
diferentes espectros ideológicos.
ALVO
É reconhecida como
uma parlamentar operosa, com presença efetiva nos municípios e entrega de
resultados - um ativo importante em campanhas majoritárias. Ao mesmo tempo, sua
atuação consistente a tornou alvo de ataques pessoais nas redes sociais,
prática recorrente contra figuras com maior visibilidade.
FRAGILIDADE
Embora se declare
conservadora, posiciona-se em um campo que, em Rondônia, por vezes confunde
conservadorismo com posturas mais liberais - o que pode gerar ruídos, inclusive
entre eleitores que, em tese, estariam no mesmo espectro ideológico. Ainda
assim, sua capacidade de trabalho e capital político acumulado a colocam como
uma das candidaturas mais estruturadas da disputa. Uma consistência frágil que
necessita confirmar a fidelização ao longo da campanha.
SÍNTESE
Com a inclusão desses
nomes, o quadro eleitoral ao Senado em Rondônia se torna ainda mais
multifacetado. Há candidaturas de perfil técnico, ideológico, tradicional,
emergente e conciliador - todas disputando espaço em um eleitorado exigente e
volátil. A eleição tende a ser decidida menos por favoritismos iniciais e mais
pela capacidade de persuasão do candidato de sustentar narrativa, evitar erros
estratégicos e, sobretudo, dialogar com as demandas concretas da população. Em
um ambiente de múltiplas candidaturas competitivas, a fragmentação pode abrir
espaço para surpresas - especialmente para aqueles que souberem crescer no
momento decisivo.
IMAGEM
A fotografia mais
recente do Datafolha, divulgada pelo grupo Grupo Globo, não traz
exatamente uma novidade - mas escancara um incômodo: a eleição segue menos
sobre nomes e mais sobre rejeições. O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva aparece com 48% de rejeição, numericamente à frente de Flávio
Bolsonaro, que registra 46%, ambos tecnicamente empatados dentro da margem de
erro.
VISCERAL
O dado bruto,
isolado, poderia sugerir equilíbrio. Mas o subtexto é mais áspero: há mais
resistência consolidada ao petismo do que propriamente adesão orgânica ao
bolsonarismo. A pesquisa indica que o eixo central da disputa não é
essencialmente ideológico no sentido clássico - é afetivo, quase visceral.
COADJUVANTES
Analistas apontam que
o pleito se organiza entre “petistas” e “antipetistas”, categoria esta que
independe do candidato que esteja do outro lado. Em termos práticos, isso
reduz o protagonismo de nomes como Romeu Zema ou Ronaldo Caiado:
eles orbitam, mas não estruturam o conflito.
LIMITES
O problema de Lula,
portanto, não é exatamente o adversário - é o teto. A rejeição elevada funciona
como uma cerca elétrica eleitoral: delimita o quanto pode crescer. Para
atravessá-la, será necessário reconquistar o eleitor de centro, aquele que não
milita, não veste camisa e, sobretudo, não tolera repetir escolhas sem uma
justificativa nova.
FADIGA
E é aí que surge o segundo ruído captado pela pesquisa: a fadiga. Há sinais de
desgaste na ideia de continuidade. Não se trata de colapso de governo - os
números não autorizam esse diagnóstico simplista -, mas de uma administração
que, neste momento, parece oferecer mais do mesmo a um eleitor que começa a
exigir muito mais.
INSTABILIDADE
Curiosamente, isso
não se traduz automaticamente em força adversária. Flávio
Bolsonaro aparece competitivo, mas ainda dependente de um capital político
herdado e de um eleitorado que não é, necessariamente, fiel - é reativo. Seus
votos, assim como os de outros nomes da direita, ainda carecem de consolidação
mais estável.
REAÇÃO
No fim, a equação é
menos convencional do que parece: Lula não enfrenta apenas um candidato,
enfrenta a indisposição do eleitor em votar nele novamente. Ainda assim, convém
lembrar o óbvio que a política insiste em desmentir: pesquisa é retrato, não
roteiro. E, mesmo cercado por rejeição robusta, Lula continua sendo um operador
experimentado, com eleitorado fiel e capacidade já testada de reorganizar o
jogo quando a campanha sai do laboratório e entra na rua. Mesmo o PT não
possuindo mais aquela verve vibrante nas ruas de eleições passadas.
GALHOFA
O deputado estadual
Alan Queiroz (PL), criticado por destinar ao município de Guajará-Mirim uma
emenda de R$ 450 mil para custear uma banda de forró, foi às mídias sociais,
acompanhado de seus asseclas, fazer galhofa dos críticos. Bobo.
LACRAÇÃO
Ninguém tentou
“lacrar” o parlamentar em razão do envio de recursos; ao contrário, é sua
obrigação ajudar municípios pobres e com problemas estruturais. A crítica, na
verdade, recai sobre a forma como o dinheiro público foi gasto: milhões
destinados a encher os cofres de uma banda, enquanto os munícipes sofrem com a
falta de apoio da municipalidade. Não se trata, tampouco, de oposição à festa,
que, segundo relatos, foi excelente.
CASULO
Depois de dias
incubado na expectativa quase solene de vestir a faixa governamental - ainda
que por alguns dias -, Sérgio Gonçalves finalmente rompeu o casulo. Não para
governar, claro, mas para exercitar a arte nacional de “chorar pitangas”. O
motivo? As exonerações promovidas pelo governador Marcos Rocha, que parecem ter
ferido mais o entorno do que qualquer senso de responsabilidade institucional.
IGNORANDO
O enredo ganha
contornos de tragicomédia quando se observa que o mesmo Sérgio, outrora ansioso
pela cadeira principal, recusou-se a ocupá-la por uma semana durante a ausência
do titular. A oportunidade bateu à porta - com direito a gabinete, caneta e
holofotes -, mas foi solenemente ignorada.
CÁLCULO
Enquanto isso, quem
efetivamente responde pelo governo de Rondônia é o desembargador Alexandre
Miguel, Presidente do Tribunal de Justiça. Sérgio, contudo, preferiu a
discrição estratégica: ausentou-se do estado. Nos bastidores, especula-se que o
movimento não seja mero capricho, mas cálculo político. Assumindo, ficaria
inabilitado para uma eventual candidatura a deputado federal ou estadual.
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