Porto Velho (RO) terça-feira, 16 de junho de 2026
opsfasdfas
×
Gente de Opinião

Robson Oliveira

O ataque do prefeito de Vilhena, Flori Junior, a Expedito Junior foi constrangedor


O ataque do prefeito de Vilhena, Flori Junior, a Expedito Junior foi constrangedor - Gente de Opinião

MORALISMO

O deputado federal Coronel Crisóstomo (PL), sempre pronto a destilar fúria moralista contra “os militantes da esquerda” — seu prato preferido —, foi surpreendido praticando exatamente o que mais condena: nomeou uma penca de parentes e contraparentes para cargos comissionados em seu gabinete. O arauto da moral e dos bons costumes não resistiu aos encantos dos contracheques familiares. O moralismo, como sempre, é o disfarce da hipocrisia.

CASCATA

Crisóstomo é um crítico contumaz do governo e costuma subir à tribuna em performances de opereta, bradando pela pátria, pela família e pelos bons costumes — o trinômio da extrema-direita que confunde fanatismo com virtude. No entanto, tudo indica que o que o coronel declama no plenário é pura cascata. Enquanto posa de paladino da ética, age nas sombras como um burocrata de quinta categoria, usando o mandato para empregar a parentada. A cruzada moral dele termina no próprio espelho.

IMPROBIDADE

O Tribunal de Contas da União, segundo revelou o site Metrópoles — o mesmo que desvendou as peripécias do coronel —, abriu investigação para examinar a legalidade das nomeações. O caso cheira a improbidade e ameaça varrer o mandato do parlamentar para o lixo da história, além de deixá-lo inelegível por oito anos. Pressionado pela repercussão, Crisóstomo exonerou a parentela — a contragosto, claro. Heróis morais raramente enfrentam o espelho com prazer.

EMBUSTE

A empresa responsável pela coleta de lixo em Porto Velho ganhou mais um fôlego no contrato e anunciou, triunfante, a contratação de novos trabalhadores. Apesar da promessa, dentro de poucos dias, o lixo voltará a dominar as ruas — como de costume. O problema nunca foi a falta de pessoal, e sim a incompetência técnica e operacional da empresa, incapaz de atender o município, os distritos e o Baixo Madeira. Quem entende do assunto sabe que é apenas mais um embuste administrativo. Engana-se a prefeitura, não o contribuinte que tem dois neurônios e sabe a diferença entre lixo orgânico e resíduo sólido.

ATAQUE

O ataque do prefeito de Vilhena, Flori Junior, ao ex-senador Expedito Junior (PSD) foi de uma gratuidade constrangedora. Primeiro, porque Expedito, como presidente de partido, tem o direito de reunir-se com quem quiser — e já anunciou pretensão a deputado federal. Segundo a tentativa de colar nele a imagem de “eminência parda” num eventual governo de Adailton Fúria é repetição de roteiro velho e falido. Quando Expedito apoiou Hildon Chaves em 2016, usaram a mesma narrativa, que morreu de inanição ao longo dos dois mandatos do prefeito. Hildon governou sem interferência. O ataque de Flori — bom gestor, por sinal — foi desnecessário, desproporcional e revela mais ansiedade política que estratégia.

BLEFE

Flori também ensaiou um blefe: caso o deputado Fernando Máximo desista da disputa ao governo de Rondônia, ele próprio se lançaria candidato. A repercussão foi tão morna quanto café requentado. Esta coluna aposta um real contra dez que nem Máximo será candidato a governador em 2026, nem Flori ousará deixar Vilhena para aventuras maiores. Suas cartas eleitorais não servem nem para blefar num truco de esquina.

DESINTRUSÃO

A presença, em Rondônia, de uma comissão parlamentar para avaliar “a forma humana” como as forças de segurança retiraram famílias assentadas em Terras Indígenas Uru-Eu-Wau-Wau é pura lorota eleitoral. O problema é antigo e não será resolvido no grito político. “Inês é morta, como diz o provérbio. O que se espera agora é que o governo anuncie como e quando indenizará as famílias atingidas, vítimas da omissão estatal que deixou a situação chegar a esse ponto. A desintrusão é juridicamente irreversível; o drama humano, porém, é responsabilidade dos governantes. Seria mais digno acolher os desalojados do que fazer proselitismo com a miséria alheia.

VULNERÁVEL

As explicações dos vereadores Santana e Marcos Combate, da capital, sobre os áudios vazados de um suposto crime contra vulnerável, são tão repugnantes quanto o fato em si.
A acusação — de assédio de um vereador contra a filha menor do outro — é grave e exige investigação formal. É o tipo de episódio que envergonha até os cínicos habituais da política local.

ASSÉDIO

Pouco importa se o caso ocorreu há três anos: a tipificação penal não prescreve com a conveniência política. Mais grave ainda é o silêncio do pai, que, ciente de um possível assédio contra a própria filha, preferiu abafar o caso. O agressor, figura pública de verbo fácil e moral duvidosa, enviou flores à menor mesmo após saber sua idade — galanteio de covarde travestido de cavalheirismo. A máscara da retidão cai sempre com o primeiro buquê.

PET

Os pets de Porto Velho estão melhor assistidos que boa parte dos humanos. O município inaugurou, em outubro, um Centro Médico Veterinário equipado com ultrassonografia, raio-X e dois centros cirúrgicos — e merece aplausos por isso.
Já nossas unidades de saúde, para gente de carne e osso, continuam padecendo de estrutura precária. O prefeito Léo Moraes parece disposto a mudar isso com o projeto do Hospital Universitário em parceria com a Unir.
Resta ao governo estadual seguir o exemplo. E, quem sabe, tratar seus cidadãos com o mesmo zelo que a capital dedica aos poodles e vira-latas.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

Gente de OpiniãoTerça-feira, 16 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

MPF quer ouvir jornalistas, PSD procura traidores e bancada segue devendo

MPF quer ouvir jornalistas, PSD procura traidores e bancada segue devendo

IMPRENSAA iniciativa do Ministério Público Federal de mapear possíveis casos de assédio judicial contra jornalistas em Rondônia merece reconheciment

Léo critica falta de apoio do Governo, fala sobre 2026 e diz ter herdado Prefeitura em "bancarrota"

Léo critica falta de apoio do Governo, fala sobre 2026 e diz ter herdado Prefeitura em "bancarrota"

O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), utilizou entrevista ao podcast Resenha Política para fazer críticas à relação institucional com o G

A melancolia de Confúcio Moura, a aposta de Bruno Scheid e o debate da escala 6x1

A melancolia de Confúcio Moura, a aposta de Bruno Scheid e o debate da escala 6x1

CPINinguém que conheça minimamente os bastidores da política acredita que a CPI proposta pelo deputado Jesuíno Boabaid tenha força jurídica ou poder

Sobrinho fala de eleições, elogia Acir e cita absolvições após 13 anos: "Eu quero olhar para frente"

Sobrinho fala de eleições, elogia Acir e cita absolvições após 13 anos: "Eu quero olhar para frente"

Após anos afastado dos holofotes da política, o ex-prefeito de Porto Velho Roberto Sobrinho voltou a falar publicamente sobre sua trajetória, os pro

Gente de Opinião Terça-feira, 16 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)