Quarta-feira, 12 de novembro de 2025 - 07h30

MORALISMO
O deputado federal
Coronel Crisóstomo (PL), sempre pronto a destilar fúria moralista contra “os
militantes da esquerda” — seu prato preferido —, foi surpreendido praticando
exatamente o que mais condena: nomeou uma penca de parentes e contraparentes
para cargos comissionados em seu gabinete. O arauto da moral e dos bons
costumes não resistiu aos encantos dos contracheques familiares. O moralismo,
como sempre, é o disfarce da hipocrisia.
CASCATA
Crisóstomo é um
crítico contumaz do governo e costuma subir à tribuna em performances de
opereta, bradando pela pátria, pela família e pelos bons costumes — o trinômio
da extrema-direita que confunde fanatismo com virtude. No entanto, tudo indica
que o que o coronel declama no plenário é pura cascata. Enquanto posa de
paladino da ética, age nas sombras como um burocrata de quinta categoria,
usando o mandato para empregar a parentada. A cruzada moral dele termina no
próprio espelho.
IMPROBIDADE
O Tribunal de Contas
da União, segundo revelou o site Metrópoles — o mesmo que
desvendou as peripécias do coronel —, abriu investigação para examinar a
legalidade das nomeações. O caso cheira a improbidade e ameaça varrer o mandato
do parlamentar para o lixo da história, além de deixá-lo inelegível por oito
anos. Pressionado pela repercussão, Crisóstomo exonerou a parentela — a
contragosto, claro. Heróis morais raramente enfrentam o espelho com prazer.
EMBUSTE
A empresa responsável
pela coleta de lixo em Porto Velho ganhou mais um fôlego no contrato e
anunciou, triunfante, a contratação de novos trabalhadores. Apesar da promessa,
dentro de poucos dias, o lixo voltará a dominar as ruas — como de costume. O
problema nunca foi a falta de pessoal, e sim a incompetência técnica e
operacional da empresa, incapaz de atender o município, os distritos e o Baixo
Madeira. Quem entende do assunto sabe que é apenas mais um embuste
administrativo. Engana-se a prefeitura, não o contribuinte que tem dois
neurônios e sabe a diferença entre lixo orgânico e resíduo sólido.
ATAQUE
O ataque do prefeito
de Vilhena, Flori Junior, ao ex-senador Expedito Junior (PSD) foi de uma
gratuidade constrangedora. Primeiro, porque Expedito, como presidente de
partido, tem o direito de reunir-se com quem quiser — e já anunciou pretensão a
deputado federal. Segundo a tentativa de colar nele a imagem de “eminência
parda” num eventual governo de Adailton Fúria é repetição de roteiro velho e
falido. Quando Expedito apoiou Hildon Chaves em 2016, usaram a mesma narrativa,
que morreu de inanição ao longo dos dois mandatos do prefeito. Hildon governou
sem interferência. O ataque de Flori — bom gestor, por sinal — foi
desnecessário, desproporcional e revela mais ansiedade política que estratégia.
BLEFE
Flori também ensaiou
um blefe: caso o deputado Fernando Máximo desista da disputa ao governo de
Rondônia, ele próprio se lançaria candidato. A repercussão foi tão morna quanto
café requentado. Esta coluna aposta um real contra dez que nem Máximo será
candidato a governador em 2026, nem Flori ousará deixar Vilhena para aventuras
maiores. Suas cartas eleitorais não servem nem para blefar num truco de
esquina.
DESINTRUSÃO
A presença, em
Rondônia, de uma comissão parlamentar para avaliar “a forma humana” como as
forças de segurança retiraram famílias assentadas em Terras Indígenas
Uru-Eu-Wau-Wau é pura lorota eleitoral. O problema é antigo e não será
resolvido no grito político. “Inês é morta”, como diz o provérbio. O que
se espera agora é que o governo anuncie como e quando indenizará as famílias
atingidas, vítimas da omissão estatal que deixou a situação chegar a esse
ponto. A desintrusão é juridicamente irreversível; o drama humano, porém, é
responsabilidade dos governantes. Seria mais digno acolher os desalojados do
que fazer proselitismo com a miséria alheia.
VULNERÁVEL
As explicações dos
vereadores Santana e Marcos Combate, da capital, sobre os áudios
vazados de um suposto crime contra vulnerável, são tão
repugnantes quanto o fato em si.
A acusação — de assédio de um vereador contra a filha menor do outro — é grave
e exige investigação formal. É o tipo de episódio que envergonha até os cínicos
habituais da política local.
ASSÉDIO
Pouco importa se o
caso ocorreu há três anos: a tipificação penal não prescreve com a conveniência
política. Mais grave ainda é o silêncio do pai, que, ciente de um possível
assédio contra a própria filha, preferiu abafar o caso. O agressor, figura
pública de verbo fácil e moral duvidosa, enviou flores à menor mesmo após saber
sua idade — galanteio de covarde travestido de cavalheirismo. A máscara da
retidão cai sempre com o primeiro buquê.
PET
Os pets de Porto
Velho estão melhor assistidos que boa parte dos humanos. O município inaugurou,
em outubro, um Centro Médico Veterinário equipado com ultrassonografia, raio-X
e dois centros cirúrgicos — e merece aplausos por isso.
Já nossas unidades de saúde, para gente de carne e osso, continuam padecendo de
estrutura precária. O prefeito Léo Moraes parece disposto a mudar isso com o
projeto do Hospital Universitário em parceria com a Unir.
Resta ao governo estadual seguir o exemplo. E, quem sabe, tratar seus cidadãos
com o mesmo zelo que a capital dedica aos poodles e vira-latas.
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