Quarta-feira, 10 de setembro de 2025 - 13h11

TROPA
Governador Marcos Rocha que
sobreviveu politicamente onde tantos caíram. Tem a caneta, a máquina e o selo
bolsonarista, o que em Rondônia ainda vale mais do que programa de governo. Sua
vantagem é óbvia: fala a língua da maioria conservadora, tem estrutura e pode
vender a imagem de “continuidade”. Embora seja um político sem o carisma de
tantos que passaram: tem um perfil discreto, sério e distante do populismo
fácil. Não é um líder nato, mas aprendeu a comandar uma boa tropa de seguidores
leais.
RISCOS
Já o senador Marcos Rogério,
provável candidato a reeleição, é o mais radical de todos, mas também o mais
articulado. Orador competente, domina o palco e sabe encarnar o personagem
bolsonarista sem parecer forçado. Não à toa, lidera todos os cenários até aqui.
O problema é manter o fôlego: ser favorito cedo demais é convite para virar
alvo de tiro ao alvo coletivo. Todos os concorrentes querem um pedaço do
eleitorado que ele monopoliza, sobretudo dentro da própria bolha bolsonarista —
e aí mora o risco de sangrar até a reta final.
PRECONCEITOS
Sílvia Cristina é uma deputada
municipalista, fez carreira ouvindo prefeitos e puxando verbas para a saúde,
sua marca registrada. Começou no PDT, com discurso mais progressista, mas a
onda bolsonarista em Rondônia a empurrou para uma inflexão conservadora —
cálculo político de sobrevivência. Apesar de ser uma parlamentar atuante, paga
caro pelo fato de ser mulher e negra: sofre racismo, sexismo e até agressões
absurdas sobre sua vida pessoal. Tem densidade política, mas enfrenta uma
muralha de preconceitos que tornam sua escalada ao Senado muito mais árdua do
que a de seus colegas homens.
MESTRE
Confúcio Moura foi prefeito de
Ariquemes, deputado federal por vários mandatos, governador duas vezes e hoje
senador. Um sobrevivente nato. Confúcio é a clássica raposa política: se faz de
morto, observa em silêncio, e quando escolhe a presa, vira águia certeira.
Embora Rondônia seja majoritariamente bolsonarista, ele tem um trunfo raro:
está na ala conservadora do MDB, mas integra a base lulista — equilíbrio
improvável que pode transformá-lo em segunda força senatorial em 2026.
Matreiro, sim. Mas também competente e correto no que fala e pensa. O tipo de
político que ninguém deve subestimar. Um mestre nato da política rondoniense.
NOVATO
O pecuarista Bruno Scheid é um
novato de tudo: nunca disputou eleição, não tem tradição partidária e até agora
não disse a que veio em termos de propostas para Rondônia. Seu trunfo é único e
explícito: é amigo pessoal de Jair Bolsonaro. Joga todas as fichas nessa
relação — e Bolsonaro, raivoso como sempre, já declarou que ele será “um dos
seus candidatos ao Senado”, parte de sua cruzada para eleger estafetas e se
vingar do STF. Scheid é a aposta do bolsonarismo raiz, mas depender só do
carimbo de amizade presidencial pode transformá-lo mais em mascote de campanha
do que em senador de verdade.
REPETIÇÃO
A filha de Aparício de
Carvalho, Marina, carrega no currículo três derrotas em disputas majoritárias,
embora tenha votação expressiva na capital. O problema é estrutural: no interior,
onde se decidem eleições para o Senado em Rondônia, os concorrentes têm raízes
mais profundas e falam a língua do eleitor interiorano. Se insistir em mais uma
corrida senatorial, Mariana corre o risco de ampliar a coleção de derrotas. Já
numa disputa para deputada federal, o cenário é bem mais favorável: aí sim, o
capital político construído em Porto Velho pode se converter em vitória segura.
A fama de “cavalo paraguaio” lhe persegue.
REINCIDENTE
Márcio Castro Rodrigues,
bolsonarista condenado pelos atos de 8 de janeiro, que cumpria pena
alternativa, tentou transformar o 7 de setembro em desafio ao STF e,
especificamente, ao ministro Alexandre de Moraes. Com postagens provocativas
nas redes sociais e convocação de um protesto em Porto Velho, a estratégia
parecia ousada. Mas o que se desenrolou foi o oposto do espetáculo planejado: o
ato fracassou e Rodrigues acabou atrás das grades — justamente por ordem de
Alexandre de Moraes. A cena reforça que a combinação de arrogância virtual e
desrespeito à lei tem consequências concretas, mesmo quando o palco é apenas
digital. No xilindró, e sem rede social,
terá tempo para meditar sobre a reincidência criminosa.
JULGAMENTO
O ministro Alexandre de
Moraes, relator do processo da tentativa de golpe de estado, foi incisivo em
seu voto, defendendo a condenação de Jair Bolsonaro e seus aliados pelos crimes
de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de
Direito. Moraes destacou que os atos praticados pelos réus atentaram contra os pilares
da democracia brasileira e a ordem constitucional, enfatizando a necessidade de
uma resposta firme do Judiciário para preservar a estabilidade institucional.
Sua postura reafirma o papel do STF como guardião da Constituição e da ordem
democrática.
CONDENAÇÃO
O ministro Flávio Dino
acompanhou o voto do relator, Alexandre de Moraes, alinhando-se à tese da
tentativa de golpe e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Dino
acrescentou, no entanto, uma nuance importante: sugeriu penas diferenciadas
para alguns réus, como Paulo Sérgio Nogueira e Augusto Heleno, reconhecendo a
menor participação de certos envolvidos nos atos golpistas. Essa abordagem
evidencia uma tentativa de balancear a necessidade de punição com a justiça
proporcional, refletindo uma visão mais moderada dentro da Corte.
DIVERGÊNCIA
O ministro Luiz Fux, único
integrante da Primeira Turma do STF que não sofreu retaliações do governo dos
Estados Unidos, tornou-se a última esperança dos defensores de Jair Bolsonaro.
Enquanto outros ministros enfrentaram sanções, como o cancelamento de vistos e
congelamento de bens, Fux permaneceu intocado, o que reforçou sua imagem como
um possível aliado do ex-presidente.
No julgamento, Fux divergiu
dos colegas ao votar pela incompetência absoluta do STF para julgar o caso,
argumentando que, à época dos fatos, a jurisprudência da Corte estabelecia que
a prerrogativa de foro cessava com o término do mandato. Essa posição foi vista
por muitos como uma tentativa de proteger Bolsonaro, alinhando-se à narrativa
de seus apoiadores de que o julgamento seria politicamente motivado.
Apesar de sua postura, Fux não
conseguiu evitar a condenação do ex-presidente. Sua tentativa de influenciar o
desfecho do julgamento, no entanto, reforçou a percepção de que o STF está
dividido e que pressões externas podem impactar as decisões internas da Corte.
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