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Robson Oliveira

O tabuleiro político de Rondônia ferve sob o calor da indecisão de Marcos Rocha


O tabuleiro político de Rondônia ferve sob o calor da indecisão de Marcos Rocha - Gente de Opinião

HESITAÇÃO

O tabuleiro político de Rondônia ferve sob o calor da indecisão, e o que parecia ser uma mera conjectura transformou-se no principal motor dos rearranjos eleitorais e administrativos: a hesitação do governador Marcos Rocha em trocar o Palácio Rio Madeira pelo Senado Federal.

GRILO

A indefinição de Rocha liberou a língua de seu vice, Sérgio Gonçalves, que adotou uma postura de "grilo falante". Livre, leve e solto nas entrevistas, ele se deu ao luxo de cutucar áreas nevrálgicas da própria gestão – Saúde e Segurança Pública – como se fosse um analista externo, alheio aos problemas atuais.

RENÚNCIA

Gonçalves revela, em seu périplo, que não é "do ramo" da política na acepção mais cínica do termo. Embora seja o reserva, ele assume uma postura de titular, mostrando as garras afiadas e sinalizando que, se for para o jogo, não haverá generosidade para quem lhe deu "asas". É uma falta de aceno político que beira a imprudência, pois para assumir o cargo, o titular precisa renunciar. Quem renunciaria em favor de alguém que, antes de assumir, já promete arrancar o couro?

CORINGA

Enquanto isso, Marcos Rocha, que parecia estar na defensiva e fragilizado pela ausência nas articulações, ressurgiu como um "Coringa" poderoso. Quem calculou fraqueza na sua indefinição errou duplamente.

TRUNFO

Este silêncio, além de afetar partidos aliados e impedir o fechamento de acordos cruciais, garante-lhe o trunfo final. Se Rocha decidir permanecer no cargo, ele vira o grande articulador e principal força eleitoral, utilizando a capilaridade da máquina administrativa. O mais afetado, sem dúvida, será o vice, que terá sua pré-candidatura estrangulada pelo próprio chefe.

REAÇÃO

Em Porto Velho, o cheiro nauseabundo do caos na coleta de resíduos sólidos, felizmente, gerou uma reação. A sugestão da Agência Reguladora pela rescisão do contrato surpreendeu, mas não pelo seu teor, e sim pela sua demora. É uma evolução tardia sair da aplicação de multas para a ruptura do vínculo.

RESPONSABILIDADE

A população já tem clareza de que a empresa contratada não possui a capacidade técnica para o serviço. O lixo é um problema sanitário que, antes de ser um mero incômodo, recai sobre o administrador municipal de plantão.

LENTIDÃO

O que assistimos é um impasse jurídico clássico, facilitado pela lentidão do Tribunal de Contas, que deixou o processo "dormitando nos escaninhos burocráticos" por um ano. Com a questão judicializada e decisões conflitantes, caberá à Justiça Estadual decidir a parada.

EMPULHAÇÃO

A esta altura, o brocardo é inevitável: "errar é humano, permanecer no erro é burrice". O anúncio de contratação de mão de obra sem equipamentos suficientes para as dimensões da capital é mera "empulhação". A situação só tende a piorar com as festas de fim de ano.

MORALIDADE

Em um contato direto, o deputado federal Coronel Crisóstomo ameaçou processar todos os veículos e jornalistas que noticiaram a nomeação de um número expressivo de familiares da esposa em seu gabinete.

AMEAÇA

Tomei o aviso como ameaça e, aqui, reafirmo tudo que escrevi. A questão não se resume à suposta legalidade dos atos, mas ao aspecto moral, especialmente vindo de um parlamentar que se coloca como crítico mordaz das condutas que julga incorretas nos adversários.

CASCO DURO

O político que pensa que pode intimidar um jornalista com mais de quarenta anos de batente, livre e consciente de fatos apurados, simplesmente porque a narrativa não lhe agrada, quebra a cara. Um processo é penoso, mas nunca intimida. Já enfrentei adversários mais dignos, e não tombei.

CONDUTA

O deputado assinala a importância de ser o autor da CPMI que investiga a gatunagem nas aposentadorias. Ele merece aplausos por isso, pois é uma atividade inerente às suas funções. No entanto, o desvio de conduta moral no uso do cargo e a nomeação de familiares são de interesse público e tão relevantes quanto.

PODCAST

Em dezembro vamos entrevistar mais uma vez o governador Marcos Rocha e o prefeito Léo Morares (PVH), para avaliarmos as gestões e as perspectivas políticas futuras. São duas lideranças que influem nas eleições 2026. Embora o prefeito da capital seja atualmente o mais paparicado.

ENSAIO

Enquanto as atenções e os recursos se polarizam entre os grupos de Marcos Rogério e Adailton Fúria na corrida pelo governo, o PODEMOS começa a ensaiar uma jogada lateral: a candidatura do deputado estadual Delegado Camargo.

ÓRFÃO

A estratégia é clara: correr por fora. Camargo se posicionaria com um discurso recheado de temas conservadores e críticas contundentes ao sistema político estabelecido. Trata-se de uma tentativa calculada de furar a bolha da polarização, pescando um eleitorado ideológico que se sente órfão ou descrente das opções majoritária.

CAPACIDADE

À primeira vista, a candidatura do Delegado Camargo pode soar como uma mera aventura. No entanto, seria um erro grosseiro subestimar seu potencial de capilaridade. O Delegado possui uma inegável capacidade de se comunicar com um eleitorado cada vez mais instantâneo e descrente da política tradicional.

CHUMBO

Mais importante, as pesquisas atuais indicam que a Segurança Pública será o tema dominante do debate eleitoral, e é justamente aí que Camargo se diferencia. Ele fala sobre o assunto com a autoridade de quem esteve na linha de frente, discursando como se ainda estivesse "trocando chumbo com o inimigo". Em um estado que clama por ordem e rigor, esta não é uma candidatura que pode ser descartada com facilidade. Embora centrada em um discurso conservador e demagogo.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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