Quarta-feira, 17 de setembro de 2025 - 09h39

AVALIAÇÃO
Ninguém no mundo da
política é obrigado a gostar do prefeito da capital, Léo Moraes — seja pela
forma como governa, seja pelo uso extravagante das plataformas digitais. Mas o
fato é que ele vem conseguindo se sobressair entre a nova safra de prefeitos
como o mais bem avaliado em Rondônia. Pelo menos é o que revela uma pesquisa
séria a que este cabeça-chata teve acesso.
POPULARIDADE
Léo Moraes se destaca
por sua habilidade em se conectar com a população. Sua comunicação direta e
presença constante em eventos e redes sociais consolidam a imagem de um
político acessível, atento às demandas da cidade. É fácil compreender por que
tantos eleitores confiam nele: sua popularidade não decorre apenas do
marketing, mas também de gestos concretos que fazem diferença no cotidiano das
pessoas.
RESULTADOS
A administração
apresenta sinais claros de acertos: investimentos em obras visíveis — embora
ainda modestas —, iniciativas sociais que alcançam a comunidade e a tentativa
de modernizar processos administrativos revelam um gestor comprometido com
resultados palpáveis. Esses movimentos reforçam a percepção de proximidade e
eficiência.
FALHAS
Ainda assim, como
toda gestão em construção, há desafios. Alguns projetos estratégicos avançam
mais lentamente do que o esperado, e decisões estruturais exigem maior
planejamento. Essas falhas, entretanto, não apagam o esforço em criar uma
administração que dialogue com o cidadão e busque melhorias contínuas.
CONEXÃO
O ponto forte de Léo
Moraes reside justamente nesse equilíbrio: unir popularidade a ações concretas,
transformando expectativas em resultados. Se mantiver o foco na eficiência sem
perder a conexão com o público, tem potencial para consolidar uma administração
sólida, reconhecida tanto pelo carisma quanto pela competência.
LONGEVIDADE
No fim, sua gestão é
reflexo de esperança e possibilidade: méritos a celebrar, desafios a superar e
uma base de confiança capaz de transformar promessas em conquistas duradouras.
PERSPECTIVAS
Com a antecipação do
processo eleitoral no país, em Rondônia as negociações e articulações estão em
pleno vapor nos bastidores. Os prováveis candidatos a governador começam a
mostrar o rosto e o esboço das propostas que levarão às urnas, num estado acostumado
a eleger azarões e conservadores convictos de suas crenças. Os três mais bem
posicionados nas pesquisas estão sendo entrevistados pelo podcast Resenha
Política, apresentado por este cabeça-chata, que tenta extrair de cada um o
que realmente prometem executar no governo.
FÚRIA
O jovem prefeito de
Cacoal, Adailton Fúria, tem como virtudes a juventude, a energia e a
autenticidade. Consegue falar ao povo sem burocracia e transmite proximidade. É
visto como novidade em um cenário saturado de velhos caciques. Mas, como
defeito, ainda é um fenômeno municipal: fora de Cacoal, falta-lhe musculatura
política e base organizada. Pode ser percebido mais como agitador do que como
estadista. Usa bem as mídias sociais — às vezes com exagero pirotécnico — e aí
deixa transparecer seu jeito de menino travesso, que empolga o público local,
mas suscita dúvidas sobre a experiência necessária para encarar problemas
estaduais mais complexos.
FERNANDO MÁXIMO
O deputado federal
Fernando Máximo é pré-candidato a governador, ancorado em forte apelo junto aos
evangélicos e ao eleitor conservador de Rondônia. Lidera as primeiras pesquisas
e reúne hoje o maior grupo político entre os pré-candidatos, com musculatura
eleitoral e apoio consolidado na bolha bolsonarista. Tem recall expressivo,
carrega a imagem de médico comprometido e sabe se comunicar com a base popular.
Em Rondônia, contudo, liderar pesquisas não significa vencer eleições — a
história mostra que favoritos muitas vezes sucumbem ao voto volúvel e às
surpresas de última hora. Além disso, sua força ainda depende da sombra de
Bolsonaro. Seu discurso tende a repetir a cartilha ideológica, e será obrigado
a apresentar um projeto robusto de gestão estadual para que o favoritismo não
murche à medida que a campanha afunilar.
HILDON CHAVES
É um provável
candidato que corre por fora dos grupos políticos tradicionais. Foi um bom
prefeito de Porto Velho, com avanços de gestão e resultados que lhe renderam
respeitabilidade. Tem preparo técnico e trânsito no meio empresarial. Em seu
desfavor, a vaidade é o calcanhar de Aquiles: exagera na autopromoção, não
construiu um grupo político sólido e tampouco domina as dinâmicas do interior,
o que o deixa restrito à capital.
Corre o risco de ser lembrado como “o bom prefeito que acreditou poder governar
o estado sem conhecer Rondônia”. Apesar dessa característica personalista, não
é um candidato a ser subestimado num estado que, não raro, aposta no azarão.
Sua dificuldade em abrir espaço para aliados funciona como óbice para agregar
nomes e formar uma base política consistente.
PROGRESSISTAS
Enquanto os
conservadores rondonienses exibem mais de um pré-candidato a governador, no
campo dito progressista não há, até o momento, um nome consensual entre os
partidos de esquerda disposto a enfrentar a disputa. O vazio deixa o tabuleiro
eleitoral desequilibrado, com a direita disputando espaço entre si e a esquerda
ensaiando movimentos sem coordenação.
VIABILIDADE
O senador Confúcio
Moura (MDB), embora distante de ser um esquerdista clássico — pelo contrário —,
surge como o nome mais promissor entre os progressistas. Matreiro e astuto,
conhece como poucos os atalhos da política. Ainda assim, deverá optar pela
reeleição ao Senado, alternativa mais viável e segura para sua trajetória.
Moura sabe que parte considerável do eleitor rondoniense segue atento a quem
vota com o governo Lula e tem consciência que, na eleição de 2026, sua decisão
vai pesar. Daí saberemos se é para o bem ou para seu mal: hoje há quem mais o
demonize do que o canonize.
GARIMPO
A mais recente operação da Polícia Federal no Rio Madeira recolocou os
refletores sobre um problema histórico: a mineração clandestina que avança
sobre nossos rios, driblando a fiscalização e financiando redes criminosas. A
ação expôs a magnitude da atividade ilegal, que movimenta fortunas paralelas
sem retorno fiscal ao Estado e com altíssimo custo socioambiental. O combate
ganhou respaldo popular, mas evidencia também a necessidade de políticas
contínuas, e não apenas de operações pontuais.
VENENO
Os efeitos do garimpo vão muito além da destruição da paisagem ribeirinha. O
despejo indiscriminado de mercúrio contamina peixes, principais fontes de
proteína da população ribeirinha, e atinge diretamente comunidades inteiras.
Estudos já apontam níveis elevados da substância no organismo de crianças e
adultos que vivem nas margens do Madeira. A tragédia, silenciosa e cumulativa,
é um retrato cruel de como práticas ilegais comprometem gerações futuras, ao
transformar um rio em depósito de veneno.
OMISSÃO
Enquanto a PF tenta conter a devastação, o silêncio — ou a complacência — de
parte da classe política local chama atenção. O garimpo ilegal ainda encontra
defensores em palanques e discursos que apelam ao “direito ao trabalho”,
ignorando os efeitos catastróficos sobre a saúde pública e o meio ambiente. O
dilema se repete: ceder à pressão de grupos econômicos que lucram com a
ilegalidade ou apostar em alternativas sustentáveis para a região. Rondônia e a
Amazônia, nesse xadrez, seguem pagando a conta da omissão histórica. E
criminosa...
MINAMATA
O alerta não é
exagero: o Rio Madeira corre o risco de repetir a tragédia ambiental de
Minamata, no Japão, onde a contaminação por mercúrio nos anos 1950 deixou um
rastro de doenças neurológicas e mortes que até hoje marcam a memória mundial.
Ignorar os sinais pode transformar o maior rio de Rondônia em um símbolo global
de descaso ambiental. A história já deu o aviso — e insistir no erro, aqui,
seria condenar populações inteiras a um futuro de sofrimento e irreversibilidade.
PÁGINA VIRADA
O julgamento de Jair
Bolsonaro pelo STF já produziu sua sentença e não há mais espaço para idas e
vindas. Certo ou errado, o veredito está dado, e o país precisa seguir em
frente. Permanecer aprisionado ao passado, remoendo cada detalhe, é alimentar a
instabilidade política. O Brasil tem urgência em olhar para o futuro, enfrentar
seus desafios econômicos, sociais e ambientais, em vez de desperdiçar energia
em um debate que já foi decidido pela mais alta corte do país. O debate sobre o
que é justo ou injusto do ‘juridiquês de boteco’ é lorota de torcida
organizada. Vida que segue e página virada.
BLINDAGEM
A proposta de PEC,
aprovada ontem, na Câmara Federal, conhecida como a lei da blindagem, revela a
lógica estranha de um sistema que prefere proteger o deputado do que combater a
corrupção. Com o apoio da maioria dos parlamentares de Rondônia, a ideia é
criar uma espécie de escudo jurídico que impeça investigações contra políticas
enquanto estiverem em andamento.
ESCÁRNIO
O presidente da
Comissão de Justiça do Senado anunciou que vai tentar barrar o avanço dessa
legislação. Mas, o objetivo é clara: a pressão dos partidos, o jogo de
interesses e o desejo de blindar aliados fazem da tramitação uma novela que
promete ter mais capítulos do que os enredos mexicanos. E o cidadão, que paga a
conta, assiste a tudo com aquela expressão de quem já sabe como termina: no
final, quem manda na blindagem é quem tem força, e quem fica de fora… bem, fica
de fora. A lei é, talvez, uma tentativa de transformar a impunidade em norma,
um convite à brasilidade de sempre: fugir da lei enquanto o olho da rua estiver
fechado. Um escárnio que nosso parlamento decidiu encenar.
ENCENAÇÃO
Nossos parlamentares
federais, acostumados a usarem as mídias digitais e falar abobrinhas, destas
vez evitaram as ferramentais tecnológicas e não anteciparam o voto. Nem
revelaram como votaram. Tudo no escurinho do cinema. O moralismo que adornam em
suas publicações, conforme vemos, é uma encenação ficcional.
REPERCUSSÃO
A entrevista do
pré-candidato a governador Fernando Máximo, concedido ao podcast Resenha
Política, tem repercutido nos meios políticos. Infelizmente, por razões
ainda não esclarecidas, estamos encontrando dificuldades para agendar com o
pré-candidato do PSD, Adailton Fúria - embora convidado, ele tem evitado com
evasivas. A mesma dificuldade com o dirigente do PT de Rondônia. Renovo aqui o
convite para ambos.
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