Quarta-feira, 9 de julho de 2025 - 08h06

AUTOFAGIA
Não há uma crise institucional instalada no estado em razão das
desavenças entre o governador Marcos Rocha e o vice, Sérgio Gonçalves. O que
estamos passando não é nada de novo na política estadual, uma vez que “racha”
entre titular do executivo estadual e vice, em Rondônia, não é nenhuma
novidade. Os governadores e vice-governadores Jerônimo Santana e Orestes Muniz,
Valdir Raupp e Aparício de Carvalho, Ivo Cassol e Odaísa Fernandes divergiram
publicamente e nem por isto o caos se instalou. O que vemos hoje, em Rondônia,
é uma relação conflagrada entre titular e vice por razões tolas e que
redundaram para um rompimento autofágico.
NORMALIDADE
Os poderes constitucionalmente constituídos no estado funcionam na
mais tranquila normalidade e os ruídos do executivo estadual estão
circunscritos em divergências pessoais entre Marcos Rocha e Sérgio Gonçalves.
Como estamos ainda há um ano das eleições de fato, é possível que estas
divergências sejam aplainadas com o decorrer do tempo e os ruídos daí emanados
abafados. Quem perde com essa briga são os dois do ponto de vista político, mas
não alcança as instituições e, geralmente, não afeta a administração estadual.
Portanto, a normalidade institucional não é abalada.
MÚSCULO
Independente de uma retratação entre Rocha e Gonçalves, este
cabeça chata nunca viu a candidatura do vice-governador com musculatura
suficiente para vencer as eleições de 2026. Mesmo unidos, uma chapa com Sérgio
e Rocha (governador e senador), não significa ser imbatível. Pelo contrário, a
sina dos vices em Rondônia é naufragar para titularidade. Quem aposta que a
máquina administrativa por si só seja suficiente para vencer as eleições
estaduais, tem tudo para perder as fichas. João Kaúla que o diga. Os músculos
eleitorais de Gonçalves são aparentemente frágeis, não lidera sequer um partido
consistente para chamar de seu. Apesar de ser uma pessoa afável, seu perfil é
de almofadinha. Não dá liga.
HESITAÇÃO
Todo o episódio terminou também desgastando Marcos Rocha: hesitou
demais ao exonerar um assessor que ele próprio (Rocha) diz ser um traidor. Diz
o adágio popular "quem hesita está perdido" e é uma expressão
idiomática que reflete a ideia de que a ação leva ao sucesso, enquanto a dúvida
e a demora em decidir podem levar à perda de oportunidades. Este vacilo do
governador o expôs perante a população, uma vez que ninguém gosta de governos
fracos.
PECHA
Ao que parece, Sérgio Gonçalves agiu de forma ingênua ao tentar
articular com deputados estaduais a declaração de vacância do cargo de
governador - devido a permanência de Marcos Rocha no exterior além dos quatorze
dias dispostos na constituição estadual, para assumir definitivamente o Governo
de Rondônia. Deu com os burros n’agua e ainda saiu com a pecha de traidor. Um
tremendo problema para os planos de Sérgio, pois as pessoas adoram uma traição
na política, mas odeiam o traidor.
INSOSSO
Ao cabo e ao fim, as candidaturas de Marcos Rocha ao Senado e de
Sérgio Gonçalves a governador estão cada vez mais distantes. O primeiro porque
é obrigado a renunciar em abril e entregar a máquina administrativa para um
desafeto. O segundo, porque, sem a máquina, não terá atrativo nenhum para
atrair ao seu projeto insosso os demais partidos.
CADAFALSO
Mesmo que Rocha e Gonçalves consigam disputar as eleições 2026, os
reflexos dos desencontros deste ano atingirão seus projetos no ano que vem.
Como este processo de decapitação foi precipitado desnecessariamente, o final
deste ano vai ser infernal para os governistas com as pesquisas apontando os
favoritos fora deste espectro, abrindo espaço para que o governo se esvaia
antes de acabar. Ambos caminham a passos longos ao cadafalso eleitoral.
PODCAST
A entrevista que nosso Podcast fez com o governador Marcos Rocha
revelou uma pessoa bem diferente do que falavam a este cabeça chata. Segundo
relatos, o governador seria uma pessoa de difícil comunicação, tímido e arredio
a entrevistas com âncoras independentes. Como nós. Mas o que vimos foi um
Marcos Rocha desenvolto, leve e bem tranquilo. Foi a melhor entrevista desde a
estreia do podcast. Embora os demais entrevistados, cada qual a seu jeito,
deram conta do riscado. Marcos Rocha não se furtou em responder a todas as
perguntas, inclusive as mais ácidas. E o fez com maestria.
PODERES
Gravamos a entrevista com Alex Redano, presidente da Assembleia
Legislativa de Rondônia, que vai ao ar na próxima terça-feira. Com ele, o
podcast Resenha Política completa este primeiro ciclo entrevistando todos os
presidentes dos poderes estabelecidos em Rondônia.
GOLPE
Instado a falar sobre um suposto golpe jurídico e institucional
para afastar o vice-governador abrindo para si a vaga sucessória da
titularidade do governo, Redano desmentiu. Reconheceu que andaram falando sobre
a possibilidade de forma especulativa, nada de concreto. A depender dele,
nenhuma ação pessoal nesta direção golpista está em seus planos. No entanto,
disse que está à disposição do estado para qualquer missão.
REELEIÇÃO
Alex Redano reafirmou que é candidato a reeleição de deputado
estadual e não está em seu radar outra candidatura. Em tom descontraído
avisou a este cabeça chata que na política tudo é oportunidade, surgindo espaço
para assumir o governo, aproveitará a oportunidade. Sem titubear. Portanto...
CENÁRIO
Vários cenários estão se desenhando para as eleições de 2026, o
problema é que muda que nem nuvem. A maioria dos acordos firmados neste momento
tende a ser desfeitos na medida que o ano termina. Todos conversam entre si,
fazem as mais variadas propostas de fidelidade e fazem contas para não serem
cumpridas. Na política quem não conversa se trumbica, mas quem esconde o leite
come o queijo.
PAU OCO
Na próxima quinta-feira, no podcast, veicularemos a entrevista do
ex-governador Daniel Pereira que explica a chama operação “Pau Oco”. Segundo
Pereira, a operação é uma suposta armação policial com um conteúdo político
criada para desmoralizar o governo de plantão e dar visibilidade política aos
seus operadores. Vale a pena conferir, em particular as explicações do
ex-governador em renunciar à reeleição em favor de Acir Gurgacz que, na
ocasião, estava inelegível.
MOSCA
Bem avaliado para uma das vagas senatorial, o deputado
federal Fernando Máximo está sendo açulado para mudar de postulação e ser
candidato a governador pelo União Brasil. Até então ressabiado com os convites,
Máximo começa a avaliar como real esta possibilidade. A mosca azul picando o
parlamentar na sua máxima potência.
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