Quarta-feira, 23 de outubro de 2024 - 11h41

O coração é um órgão vital do
nosso corpo. Ele tem a função de bombear o sangue pelo sistema circulatório. O
mal funcionamento no bombeamento do fluxo de sangue do coração para outros
órgãos está causando cada vez mais problemas – especialmente nas mulheres.
Segundo a Organização Mundial da
Saúde (OMS), um terço das mortes em mulheres no mundo é causada por problemas
no coração. No Brasil, a causa representa 30% dos óbitos – superando,
inclusive, outros países da América Latina. “Uma das principais razões para
esse cenário é a desinformação e orientação. Nunca foi tão importante o
trabalho dos profissionais da saúde de compartilhar conhecimento de forma
acessível e cuidar da saúde das mulheres de forma holística”, explica a Dra.
Marildes Luiza de Castro, ex-presidente do Departamento de Cardiologia da
Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
A campanha “Biolab Juntos Por
Elas” é uma iniciativa nesse sentido. Seu objetivo principal é contribuir para a
educação do público feminino para enfrentar esse problema. “Mesmo funcionando
da mesma forma para todos os gêneros, existem diferenças no sistema fisiológico
feminino que representam maior risco ao desenvolvimento de Doenças
Cardiovasculares (DCV)”, informa a especialista.
Isso ocorre – esclarece a Dra.
Marildes – porque as artérias coronárias das mulheres são mais finas e
tortuosas, dificultando a passagem do sangue para o coração. Outra característica é que o coração é menor
(cerca de dois terços em relação ao masculino). Isso se reflete no ritmo da
frequência cardíaca mais acelerado. Além das diferenças anatômicas, existe
também o fator hormonal, que influencia o desenvolvimento de doenças cardíacas,
com maior risco após a menopausa, fase em que há redução dos níveis de
estrogênio que, entre suas funções, protege o sistema cardiovascular pela sua
ação vasodilatadora e manutenção dos bons níveis do “colesterol bom”.
O tema merece atenção especial.
Relatório da Associação Americana de Cardiologia mostra que, quando analisada a
sobrevida após o infarto, os homens têm 8,2 anos e as mulheres apenas 5,5 anos.
“O desconhecimento das causas das doenças do coração e os seus sinais estão
entre as principais razões da estatística, pois, sem saber analisar a dimensão
do problema, elas não procuram ajuda. A representatividade feminina nos estudos
que envolvem cardiopatias também tem sido baixa ao longo dos anos, o que
dificulta o conhecimento dos impactos e seus desdobramentos”, alerta a médica.
A Dra. Marildes aponta
os sintomas típicos das cardiopatias: dor no peito e formigamento do lado
esquerdo. Mas, para a população feminina, os sintomas incluem náusea, cansaço
extremo, dor nas costas e suor frio.
“Mesmo sem entupimento
das artérias há risco de infarto. Essa é uma associação muito comum na saúde
feminina. Para as mulheres, existem indícios de perigo em outras condições,
como ocorrência de ovário policístico, menarca e menopausa precoces e
complicações na gravidez, como hipertensão e diabetes gestacional. Adicionalmente,
destacam-se as causas já conhecidas, incluindo sedentarismo, diabetes mellitus,
histórico familiar, obesidade, sono irregular, má alimentação e colesterol
alto. No caso do tabagismo, pesquisas relatam que o hábito é ainda mais
prejudicial para mulheres por motivos biológicos relacionados à rápida
metabolização da nicotina. A situação pode piorar com o consumo de tabaco
associado ao uso de anticoncepcional hormonal, transformando-se em uma bomba de
alto risco para trombose”, detalha a especialista.
Outro ponto de atenção:
o problema está acontecendo cada vez mais cedo. Entre 1990 a 2019, saltou para
62% a ocorrência de mortes por infarto em mulheres de 15 a 49 anos, de acordo
com a SBC.
“O fator socioeconômico
também é relevante. O ritmo de vida das mulheres está cada vez mais agitado.
Elas equilibram carreiras com as responsabilidades de casa. Quanto antes
educarmos esse público sobre os caminhos para uma vida mais longa e de
qualidade maiores são as chances de reduzir esse problema, que é de saúde
pública”, pontua a Dra. Marildes Luiza de Castro.
Para saber mais sobre
os fatores de risco e características do sistema cardiovascular feminino,
acompanhe https://www.biolabfarma.com.br/nossa-causas/juntos-por-elas/
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