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Gente de Opinião

Carlos Henrique

Batata quente



Petrobras não é caso
de CPI. É de polícia
 
A compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás, verdadeira “batata quente” que poderá tirar de Dilma – o poste de Lula – a candidatura à reeleição, continua queimando mãos no Planalto. Não era para ser assim, nem é preciso CPI para descobrir o que o mundo inteiro sabe: houve uma imensa maracutaia no escambo e dele participaram não apenas bagrinhos como Nestor Cerveró, então diretor internacional da estatal, mas gente graúda, como Dilma, Lula, Sérgio Gabrielli e Zé Dirceu, que jamais deixou de dar as cartas por lá. Cerveró, que, claro, também teve direito à sua parte, foi apenas o mensageiro que apresentou a proposta.
 
Dizer que Lula e Dilma – presidente do Conselho, chefe da Casa Civil e futuro poste de Lula na sucessão presidencial - não sabiam, em setembro de 2005, que a refinaria tinha sido adquirida por U$ 43,5 milhões em fevereiro do mesmo ano é apenas uma estratégia para exibir uma ignorância que imaginam capaz de desviar do crime, verdadeiro assalto aos cofres da empresa. Pagaram por metade do ferro velho U$ 360 milhões. Pior: sabiam que mais tarde teriam que pagar pela outra metade. E pagaram mais U$ 820,5 milhões, depois do recurso à justiça americana. Foi apenas encenação. Sabiam que haviam sido derrotados quando assinaram o contrato. Ou, melhor, sabiam que tinham derrotado a Petrobrás.
 
Não há que se discutir se foi burrice ou inocência de Lula, Dilma, Dirceu, Gabielli e o resto da quadrilha. Não existe burrice desse tanto. Foi crime e todos eles merecem cadeia, com ou sem CPI. Alguém precisa dizer ao Brasil a verdade com todas as letras. Não houve falha. Houve roubo. Falta descobrir quanto cada um levou e pegar de volta. Vale lembrar que o megaempresário belga Albert Frère, que teve a cara-de-pau de participar do esquema e vender a refinaria, também pode ser envolvido nas investigações.
 
Ninguém tem a coragem de propor um negócio assim tão escandaloso, com risco de ser internacionalmente ridicularizado caso as coisas não derem certo, a não ser que participe da maracutaia. Vale lembrar que ele possui bilhões de ativos no Brasil, inclusive na usina de Jirau, que podem ser facilmente bloqueados pelo judiciário para garantir o estorno do dinheiro roubado. O caso de Pasadena não é, portanto, de CPI. É caso de polícia.
 
De acordo com o grupo Wikileaks, telegramas confidenciais americanos revelam reuniões e missões enviadas ao Brasil pela Casa Branca antes da estatal brasileira comprar o complexo americano. Outro elemento consultado foi o ex-diretor internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró, epicentro da crise, conforme matéria publicada pelo Estadão-SP.
 
Um dos telegramas data do dia 12 de junho de 2006 e é explicito em relação ao assunto já em seu título: “A aquisição da Petrobras da Pasadena Refining Systems”. O documento foi enviado pela embaixada americana ao Departamento de Estado norte-americano e conta as reuniões de ministros e delegações de Washington com autoridades brasileiras – entre elas Dilma Rousseff.
 
O governo americano, então presidido por George W. Bush garantiu também a existência de reuniões com o ex-diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. Ele foi o responsável pelo parecer técnico que baseou a decisão do Conselho de Administração da Petrobras de comprar a refinaria.

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