Quinta-feira, 19 de abril de 2012 - 19h56
Como diria Zé Sarney, do alto de sua quase secular experiência, todo o mundo sabe como começa uma CPI, mas não se pode imaginar como irá acabar caso, claro, não se transforme em pizza. É exatamente esse o caso da CPI do Carlinhos Cachoeira, criada ontem com as assinaturas de 67 senadores e 340 deputados.
Lula foi o principal incentivador da instalação da CPI, especialmente por focar imediatamente os oposicionistas, inclusive o governador Marcondes Perillo, de Goiás (uma vingança pessoal por ele ter declarado que informara ao ex-presidente sobre a existência do mensalão).
Ele inspirou-se em Fernando Collor para dizer a aliados que a CPI seria instalada “duela a quien duela”. Só que falou em Português mesmo, por motivo de todos conhecido. Lula não imagina que a CPI possa ter o chamado “efeito cascata” (o trocadilho é quase obrigatório) e acabar atingindo os próprios “cumpanhêro”. A começar pelo governador petista do DF, Agnelo Queiroz.
Disso, todos já sabiam, mas imagina-se nas trincheiras do PT que a relação custo/benefício é favorável e que se o fogo amigo vitimar um governador do partido isso acaba sendo um custo baixo a ser pago para livrar José Dirceu da prisão no julgamento do mensalão.
Pode ser. Mas uma vez instalada (se isso vier a acontecer) a CPI corre o risco de pegar muita gente do próprio PT. É que, como disse uma querida leitora deste blog metido a besta, "Antigamente os cartazes nas ruas, com rosto de criminosos, ofereciam recompensas; hoje em dia, pedem votos".
Fonte: Blog do CHA
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