Terça-feira, 28 de abril de 2009 - 10h19
Não existe ex-jornalista: ou o sujeito é ou nunca foi. O esclarecimento é oportuno para situar convenientemente essa indignação – sazonal e espasmódica – de alguns ilustres membros da categoria em relação à eleição de Carlos Alencar para a presidência do Sinjor.
Os profissionais da área, no geral, não dão a menor pelota para o Sindicato e somente despertam para sua existência por ocasião dos sempre conturbados processos sucessórios.
Passada a fase, recolhem-se – mesmo os integrantes da chapa vitoriosa – com toda a sua indignação àquele sono calmo e profundo do qual foram despertados pelos candidatos. O novo presidente deve se preparar para três solitários anos na titularidade de um cargo capaz de levar à lona qualquer romantismo.
Li o artigo publicado pelo amigo Ciro Pinheiro, que tratou de se excluir com um pretextado “voto vencido” de qualquer culpa pela eleição de Carlos Alencar. Surpreendeu-me, aliás, o registro, em seu currículo, da passagem pela presidência da entidade, na condição de “interventor eleito”. Sempre achei que o interventor pode ser tudo (e no geral é), menos “eleito”.
O companheiro Ciro esqueceu-se de que o voto aberto está autorizado no regimento das eleições, fruto de um acordo entre os líderes das duas chapas, para tornar possível a participação dos companheiros do interior do Estado.
Igualmente espantosa a revolta de alguns colegas por ser advogado o novo presidente do Sindicato, como se fosse o primeiro e único caso de jornalista que se forma em direito, prova que nossa profissão remunera pessimamente.
E se não é conhecido por aqui, Carlos Alencar parece fazer sucesso no interior, de onde recebeu uma enxurrada de votos. Ele realmente não frequenta as redações do pedaço, coisa que seu oponente igualmente não faz.
Mas eleição é isso mesmo. A choradeira faz parte do “jus sperniandi”.
Fonte: Carlos Henrique
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