Quinta-feira, 5 de julho de 2012 - 09h39
Há um tipo de comportamento irritantemente sórdido já praticamente enraizado em meio às autoridades políticas do estado e precisa ser combatido de forma sistemática: é a enrolação, a falta de coragem de alguns titulares de cargos públicos para dizer um definitivo “não”, “não posso”, “não quero”, “não aceito”. Pela frente, o sujeito é geralmente pleno de sorrisos, gentilezas e convites do tipo “passa lá prá gente conversar”, “me liga”.
Na prática, contudo, o que existe é orientação à assessoria para dizer ao telefone que o elemento está em reunião ou agendar uma audiência que jamais será realizada. Isso, quando não é a própria assessoria que toma a iniciativa de fazê-lo, por hábito ou em defesa de outros interesses e interessados, o que dá no mesmo.
Esta é uma situação que já se tornou rotineira na Assembléia e começam a tomar corpo em meio ao pessoal da imprensa as reclamações contra o presidente Hermínio Coelho. É que, no discurso, ele se define como pessoa simples, aberta e acessível. Mas está a cada dia mais encapsulado em (ou por) seu gabinete onde o acesso a sua excelência está definitivamente proibido. Até o Sindicato dos Jornalistas, ao qual inclusive pertence o chefe de gabinete, Sílvio Persivo, está tentando uma audiência desde fevereiro. E, até agora, nada.
Curioso observar que o próprio Hermínio, quando fora do gabinete, convida os interlocutores a visitá-lo. Pura ilusão: a agenda não permite. Pode ser uma estratégia da assessoria para controlar um pouco o jeitão boquirroto de Hermínio. Ele realmente fala o que lhe dá na telha e sempre mais do que deveria, confundindo a Presidência do Poder Legislativo com carro de som de movimento grevista de motoristas e trocadores. Com a imprensa a favor, tudo bem, passa batido.
Dia desses ele ofendeu até a mãe do prefeito Roberto Sobrinho em um programa radiofônico, o que é inadmissível até mesmo para os palanques. Até porque, ao que se saiba, aquela senhora nada tem a ver com a administração municipal.
O certo é que tais dificuldades começam a comprometer o apoio irrestrito que lhe foi dedicado pela imprensa desde a ocupação do cargo como vice-presidente e especialmente após sua efetivação na titularidade, com a cassação de Valter Araújo. O novo presidente, até antão um parlamentar cordato, atencioso, simples, “participativo” e bonachão, começa a adotar uma nova atitude dissimulada, evasiva e esquiva.
Não vai dar certo. Daqui a pouco o presidente vai descobrir que o chicote pode ser agradável ou terrível, dependendo da ponta em que você se encontra.
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